Jean-Louis-Henri Le Secq des Tournelles (1818-1882). De família nobre, foi um dos cinco fotógrafos integrante das  Missions Héliographiques, contratados pelo governo francês para registrar o patrimônio arquitetônico histórico da França. Pintor, seu interesse pela fotografia surgiu logo quando da divulgação da daguerreotipia. Trabalhou com Gustave Le Gray, com quem aprendeu a técnica do papel encerado e se manteve ativo, como fotógrafo, até 1856 quando retornou à pintura e ao colecionismo de objetos medievais de ferro.

Tendo feito suas melhores imagens usando o processo da calotipia, por volta de 1870, temendo questões relativas a permanência dos negativos originais, Le Secq os reproduziu usando a cianotipia, processo já reconhecido na época por sua estabilidade.

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Henri Le Secq, fotografado por Gustave Le Gray.

Resultado de imagem para henri lesecq cyanotypes                                      Catedral de Cartres. Cianotipia feita a partir de calótipo. Henri Le Secq.

 

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Apesar de em seu texto original Sutton informar que este processo independe da formação de haletos de prata, na revisão, feita em 1856, ele admite um eventual resíduo de cloreto de sódio no soro.
Explicando melhor: Ao tempo de Sutton o que tradicionalmente se usava para talhar leite eram pequenos pedaços salgados do estomago de novilhos (por conta da presença de determinadas enzimas) e que, apesar de lavados poderiam ainda conter algum sal.

Então para subverter um pouco o processo foram adicionadas quatro gotas de tintura de iodo (dessas de farmácia), que em sua formulação contem iodeto de potássio a 2%, e mantidas todas as demais condições anteriores. O resultado também é bastante promissor.

Tempo de exposição: 35 minutos

 

O Sensibilizante

A preparação da solução ácida de nitrato de prata ou acetonitrato (termo utilizado por vários pesquisadores durantes os primeiros anos da fotografia), para sensibilizar o papel preparado com soro de leite, é bem simples.

Dissolva 2 g de nitrato de prata em 30 ml de água. Quando o nitrato estiver totalmente dissolvido, adicione 2 ml de ácido acético glacial.

A fórmula original de Sutton indica as seguintes medidas: 30 grãos de nitrato de prata, que equivalem a, aproximadamente, 1,95g. Uma onça fluida de água, equivalente a 29 e alguma coisa ml. E um escrópulo de ácido acético glacial que é um volume próximo dos 1,18ml. Porém como não disponho de equipamentos para medidas tão precisas e para não complicar o caminho de quem quiser repetir o processo, as medidas foram arredondadas, a maior, para unidades inteiras.

A aplicação dessa solução sobre o papel deve ser feita com uma trincha macia e limpa.

ATENÇÃO: A APLICAÇÃO DA SOLUÇÃO BEM COMO A SECAGEM DO PAPEL DEVEM OBSERVAR CONDIÇÕES DE LUZ DE SEGURANÇA VERMELHA OU ÂMBAR. O PAPEL, DEPOIS DE SECO, DEVE SER MANTIDO AO ABRIGO DE QUALQUER FONTE DE LUZ BRANCA E DEVE SER USADO EM ATÉ TRÊS DIAS.  

O Revelador

Uma solução saturada de ácido gálico deve ser utilizada. (Solução saturada é aquela onde o solvente não tem mais capacidade de dissolver o soluto.) Esta solução, depois de preparada em volume suficiente para cobrir toda a área do papel, deve ser filtrada e guardada em um frasco âmbar. Um litro revela em média 10 folhas A4.

O Fixador

É simples. Tiossulfato de sódio a 10% (Hipossulfito)

A Exposição

Feita da mesma maneiro dos demais processos de impressão por contato, ou seja papel e negativo juntos e sanduíche de vidro. Como a combinação do soro do leite com o nitrato de prata é sensível à luz branca, não há necessidade do uso de qualquer fonte UV, o conjunto deve ser abrigado até o momento da exposição. A montagem do conjunto para exposição pode ser feita na penumbra.
Não há necessidade de incidência direta da luz do sol bastando que uma janela fique aberta para que a reação se desenvolva. O tempo de exposição pode variar entre cinco minutos e uma hora, dependendo da claridade da luz.
(Não testei ainda com luz elétrica)

A Revelação

Ao ser encerrada a exposição o papel apresentará traços da imagem nas áreas de sombra e praticamente nada nas áreas das altas luzes. O papel deve ser colocado na solução reveladora de uma só vez e o controle é visual. Também aqui o trabalho deve ser feito sob luz de segurança. Caso isso não aconteça As altas luzes apresentaram um véu acinzentado que progredirá até a veladura total da imagem.

Fixação e Lavagem

Fixe a impressão por três ou quatro minutos (a partir do primeiro minuto a luzes já podem ser acesas) e lave a por meia hora para eliminar o fixador.

Abaixo, depois de onze tentativas e ajustes, a primeira impressão para ser mostrada feita com a utilização de um negativo de papel encerado para simular o máximo possível as condições descritas por Sutton.

                            Tempo de exposição: 25 minutos

 

 

 

A preparação do soro pode ser feita de duas maneiras.

A primeira

Aqueça por dois minutos, em fogo baixo, 1 litro de leite. Leite longa vida não serve. Tem que ser aquele do saco plástico.
Adicione 20 ml de vinagre de mesa, ou o suco de dois limões, e aguarde 24 horas. Passado esse tempo, o leite estará talhado.

Separe a parte sólida usando um pano de pratos limpo e adicione mais 10 ml de vinagre, ou o suco de meio limão, ao líquido e leve novamente ao fogo até começar a levantar a fervura. Isso serve para completar o processo iniciado no dia anterior com a formação de mais coalhos. Deixe esfriar e passe o líquido outra vez pelo pano para separar os sólidos.

Apesar de aparentemente limpo, o soro ainda contém muita matéria sólida em suspensão e tem que ser filtrado. Isso pode ser feito usando um filtro de papel para café ou um funil com algodão. (ATENÇÃO ANSIOSOS! É UMA ETAPA DEMORADA E TEDIOSA). o filtro ou algodão devem ser trocados na medida que forem ficando saturados.
Uma vez filtrado todo o líquido, repita a operação e filtre tudo outra vez. ( Eu disse que era tedioso, não disse?)

A segunda

Compre em qualquer loja que venda suplementos “mamãe, como eu sou forte” whey em pó sem sabor.
Use uma colher de chá para cada 150 ml de água agitando bem a solução. Apesar de mais prático o uso do whey em pó não dispensa a etapa da filtragem que deve ser feita duas vezes.

O resultado é o soro do leite que será usado para preparar o papel para impressão. Sua aparência deve ser translúcida e sem qualquer particulado em suspensão.

O soro deve ser guardado na geladeira pode ser usado por até um mês ou quando o nariz perceber que alguma coisa já não vai bem.

 

A segunda etapa do processo é a preparação do papel.

Nada poderia ser mais simples. É só aplicar o soro, de forma generosa, sobre o papel usando uma trincha macia e limpa. Depois é só pendurar o papel por uma das pontas e deixar que seque ao ambiente. Os papeis preparados com o soro, se conservam bons para uso por até três semanas, depois é melhor fazer uma nova aplicação de soro.

Uma observação final.
O que fazer com o coalho?
Eu junto um pouco de sal, azeite de oliva extra virgem e cebolinhas.

 

Em 1855, Thomas Sutton, publicou uma brochura com um título bem ao gosto dos pioneiros da fotografia do século XIX. “A NEW METHOD OF PRINTING POSITIVE PHOTOGRAPHS BY WHICH PERMANENT AND ARTISTIC RESULTS MAY BE UNIFORMLY OBTAINED.”, que traduzido é: “ UM NOVO MÉTODO PARA IMPRESSÃO DE FOTOGRAFIAS POSITIVAS PELO QUAL RESULTADOS PERMANENTES E ARTÍSTICOS PODEM SER UNIFORMEMENTE OBTIDOS.”

Pela época de sua publicação, poderia ser somente mais uma das inúmeras variações para impressões feitas em papel salgado se não fosse uma diferença fundamental. Ao contrário de todos os outros processos que dependem da formação de um haleto de prata qualquer, o processo proposto por Sutton dispensa o uso de qualquer tipo de sal, ou seja não são usados cloretos, iodetos ou brometos para a formação do haleto fotossensível.
O elemento orgânico usado no  papel é o soro de leite, sensibilizado com uma solução fraca de nitrato de prata e ácido acético glacial. A imagem que se forma, ao contrário dos outros “processos salgados”, não depende do ultra violeta e é parcialmente latente tendo que ser revelada com uma solução saturada de ácido gálico.
Também é interessante notar que Sutton, ao contrário de muitos outros, não deixou de aprimorar seu processo, no ano seguinte, apresentou algumas alterações ao mesmo no seu PHOTOGRAPHIC NOTES, publicado por ele mesmo.

NA PRÓXIMA POSTAGEM, O PROCESSO.

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