Processos históricos ou alternativos de impressão fotográfica quase sempre envolvem um estágio de manipulação intensa do papel molhado. A recomendação é de que sempre se use papeis com gramaturas altas para que se evite perder a impressão por conta de rasgos ou do simples desmanche do papel.
Isso reduz bastante a gama de papeis que podem ser utilizados, além de elevar o custo geral com os erros que quase sempre acontecem. Por mais que se tenha controle sobre o processo, “Murphy” não perdoa. Fazer testes com papeis caros, a menos que se tenha uma árvore de dinheiro no quintal, não é uma boa idéia.

Testes podem ser feitos em papeis de gramatura mais leve e de menor custo. As observações obtidas desses “ensaios” vão ajudar a controlar um pouco mais uma exposição feita com o papel mais caro. Abaixo um teste feito com papel linho 180g. A diferença de custo é muito grande para não ser levada em conta. R$ 0,32 por folha contra R$ 3,38 por folha de Canson Montval (Casa do Artista).

O único grande desfio é trabalhar com um pouco mais de cuidado na fase molhada do processo.

Teste com papel linho 180g

Teste com papel linho 180g

Normalmente quem se aventura na fotografia alternativa acaba descobrindo que vai ter que fazer pessoalmente tudo o que for necessário. Da preparação das soluções, sensibilização do suporte e tudo o mais até a secagem final da impressão. Isso vale tanto para a sofisticação de uma impressão a carvão, quanto a cianotipia mais simples.

De vez em quando, porém, surge alguém que torna esse caminho bem mais curto. Esse é o caso, e até onde sei único no Brasil, da turma do Lab Clube, do Rio de Janeiro.
Em novembro do ano passado, durante a oficina de gelatina de prata, ficou combinado que me mandariam algumas folhas já preparadas para cianotipia para fazer alguns testes. Tudo acertado e depois foi só ter a paciência para aguardar o correio com as desculpas já tradicionais de final de ano. Entre postagem, trânsito e entrega, o papel ficou dezoito (!!!) dias sensibilizado e sem uso.

Ao abrir o saco de plástico preto, a primeira folha estava com uma cor quase verde musgo, bem escurecida. Pensei no pior por conta do tempo decorrido entre a sensibilização e o uso.
Como não tinha como antecipar qualquer resultado resolvi fazer as exposições de modo a poder interrompê-las sempre que quisesse verificar seu andamento.
Após duas tentativas não muito bem sucedidas por conta de tempos de exposição não compatíveis com o estado do papel e por estar usando negativos de papel encerado, imaginei aumentar o tempo de exposição para compensar a oxidação dos 18 dias postais.
Eis alguns dos resultados:

Papel para cianotipia Lab Clube.

Papel para cianotipia Lab Clube.

Papel para cianotipia Lab Clube

Papel para cianotipia Lab Clube.

papel para cianotipia Lab Clube.

papel para cianotipia Lab Clube.

A qualidade das impressões em nada ficou dever a qualquer papel sensibilizado e usado dentro de um prazo curto. Acredito que qualquer um que queira se iniciar na fotografia alternativa, mas ainda não tem o domínio completo do processo, pode usar sem susto esse papel feito pelo Lab Clube.

 

Foi pouco o tempo de exposição, ou foi muito. A química estava contaminada, o fixador vencido. O papel não era o adequado e a alteração da fórmula, que você pensou ser genial, não funcionou, e lá se vai mais uma folha do seu precioso 300g/m2 para o lixo. Certo?

Talvez, pode ser que antes de rasgar a folha você encontre um toco de 6B ou um carvão. Também serve Bic de tampa roída ou até aquarela ressecada. Quem sabe? É melhor  que comprar livro para “adulto” colorir.

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Deveria ser uma cianotipia com a fórmula alterada, mas não funcionou, (ainda). Um fiel 6B e se começa a descobrir que um pouco mais de pressão aqui, uma inclinação diferente ali…

Uma das recomendações feitas com relação a criação de um negativo em papel encerado é quanto o volume de óleo mineral que será aplicado ao papel. Quando encerado de forma correta e respeitado um prazo mínimo de 48 horas antes de ser usado pode se esperar uma imagem positiva sem qualquer problema.
Porém se houver excesso de óleo ou secagem incompleta a imagem final irá apresentar essas duas situações de forma bem clara, principalmente se a exposição for longa e diretamente sob o sol.

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Negativo em papel encerado. Com dois minutos de exposição ao sol,  o excesso de óleo em pontos onde a secagem não foi completa. (Detalhe) 

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Papel salgado feito com o negativo acima. As marcas do excesso de óleo mineral aplicado são visíveis ao longo de toda a impressão.

Na última postagem de 2016 mostrei uma cianotipia feita com com a adição de dois novos componentes na solução tradicional  A+B (citrato+ferricianeto). Nada de revolucionário já que a imagem azul se forma da mesma maneira que em qualquer cianotipia, pela ação da solução na presença de radiação UV. Porém com alguma diferença em relação ao brilho e profundidade da imagem.

A idéia inicial foi adicionar alguma coisa que impedisse ou, pelo menos dificultasse, a absorção completa da solução pelas fibras do papel. Tradicionalmente isso é feito com gelatina, mas como eu queria algo um pouco mais radical resolvi usar cola PVA para selar o papel. A primeira tentativa com a cola aplicada diretamente não funcionou. Por ser muito espessa não espalhou de maneira uniforme deixando bem evidentes e em relevo as marcas do pincel usado.

A solução mais óbvia foi diluir a cola e para que isso não viesse a afetar tanto a solução, a diluição foi feita com a própria solução A+B modificada anteriormente ,e com jeitão de geléia de menta, feita ainda em outubro de 2016 onde a gelatina (6 gramas) já está incorporada.

No final das contas a “receita” ficou a seguinte: Uma colher de sobremesa de cola PVA + Duas colheres, também de sobremesa da solução. (Vai como receita de bolo porque não quis ter restos de cola nas paredes do tubo graduado de plástico.)

A exposição deve ser um pouco mais prolongada, bem como o tempo de lavagem. As imagens abaixo foram feitas a partir de negativos de papel encerado.

 

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Tempo de exposição: 6:30 minutos, céu aberto, UV alto. Lavagem: 20 minutos iniciais, troca de água. 10 minutos com adição de 20ml de H2O2. Lavagem final, 10 minutos com água corrente.

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Tempo de exposição: 6:30 minutos. Idem.

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Tempo de exposição: 7 minutos. Idem, idem.