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“The Keepers of Light: A History and Working Guide to Early Photographic Processes”, de William Crawford. Um bom livro para quem quiser se aprofundar na fotografia alternativa. Infelizmente difícil de se encontrar no Brasil.

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The Pencil of Nature foi o primeiro livro comercial ilustrado com fotografias. Publicado em fascículos entre 1844 e 1846, é considerado um importante momento na história da fotografia.

Capa de um dos 15 volumes ainda existentes

Capa de um dos 15 volumes ainda existente

Escrito por William Henry Fox Talbot detalhou o desenvolvimento da calotipia e incluía 24 fotografias ilustrando as possibilidades de aplicação da nova técnica e, mais uma vez, mostrando o lado comercial de Talbot.

Como muitos livros daquele tempo os fascículos eram vendidos sem estarem encadernados, deixando aos compradores a escolha de como fazê-lo.

Apesar de Talbot haver planejado um número maior de fascículos, o livro não foi um sucesso comercial e somente seis foram publicados.

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talbot_open_door_the_pencil_of_natureAs imagens incluíam paisagens, arquitetura, still, mas somente um retrato, (isso por conta do longo tempo de exposição necessário), e junto a cada uma, um pequeno texto exaltando as vantagens da nova técnica.

Hoje ainda existem quinze livros originais completos.

William Henry Fox Talbot (1800 – 1877), oficialmente o criador do processo de fotografia baseado no princípio do negativo / positivo. Sua calotipia foi serviu de base para a maioria dos processos fotográficos dos séculos XIX e XX. Além disso, e por conta disso, contribuiu com seus trabalhos para o desenvolvimento da fotografia como um meio de expressão além do simples registro formal do mundo.

William Henry Fox Talbot

William Henry Fox Talbot

Talbot já vinha fazendo pesquisas e experiências no campo da fotografia desde 1834, bem antes de Daguerre, no entanto foi somente em 1841 que ele anunciou a descoberta do processo batizado de calotipia.

Outro traço marcante em Talbot era seu, por vezes desastrado, “espírito comercial”. A calotipia, também chamada de talbotipia, foi objeto de patente na Inglaterra numa tentativa (de Talbot) para controlar o uso de sua criação e dela obter retorno do que havia gasto em suas pesquisas.

Ao contrário do daguerreotipo cujo uso era de domínio público, a calotipia só podia ser feita por aquelas pessoas que se dispusessem a pagar à Talbot uma quantia anual. Obviamente essa posição levou a diversos litígios judiciais e, de certa forma, atrapalhou o progresso mais rápido da fotografia na Inglaterra.

O calotipo de Talbot foi o processo fotográfico dominante até, aproximadamente, 1855, quando foi substituído pelo colódio úmido criado por Scott Archer.

O fluxo de trabalho do fotógrafo de hoje, não difere muito do que era nos anos iniciais da fotografia. Fazer a fotografia, baixar o arquivo e realizar alguns ajustes no computador e, depois, imprimir. Conceitualmente não muito diferente da velha rotina de fazer a fotografia, revelar o filme e do negativo fazer as cópias.

O que realmente mudou ao longo do tempo foi: a qualidade dos materiais, o refinamento da tecnologia e a conseqüente padronização dos métodos. No entanto, em 1841, com fotografia ainda de fraldas, o surgimento da calotipia liberta a imagem do exemplar único produzido pela daguerreotipia e lança as bases do que seria a fotografia para os mais de 150 anos seguintes.

A calotipia, também chamada por alguns de talbotipia, foi criada pelo inglês William Henry Fox-Talbot e se baseava no principio do negativo-positivo, ou seja, a partir de uma imagem negativa produzida pela câmera fotográfica se produziam as cópias positivas da mesma (vide post sobre papel salgado).

Janela na galeria sul da abadia de Lacock feito a partir de um negativo de calotipia. Uma das mais antigas fotografias obtidas através do processo negativo/positivo

Janela na galeria sul da abadia de Lacock feito a partir de um negativo de calotipia. Uma das mais antigas fotografias obtidas através do processo negativo/positivo

A base física para o negativo produzido por esse processo era o papel. De boa qualidade e de textura uniforme e suave.

A sensibilização do papel era feita em etapas: a primeira era a iodização do papel realizada em ambiente pouco iluminado, (segundo Talbot, com a luz de uma vela). O papel era banhado com uma solução de nitrato de prata e posto para secar. Quando estava quase completamente seco, um novo banho de aproximadamente 3 minutos com uma solução de iodeto de potássio. Imediatamente após a retirada desse último banho o papel era lavado por alguns segundos em água destilada e posto para secar. O papel assim tratado podia ser guardado por algum tempo em local seco e escuro.

Antes de ser usado para se fazer a fotografia e novamente a luz de vela, o papel iodadado era recoberto com uma solução feita com nitrato de prata e ácido gálico e depois de uns trinta segundos, rapidamente mergulhado em água destilada e deixado secar por algum tempo. (O papel podia ser utilizado completamente seco, porém Talbot percebeu que ainda úmido era mais sensível.)

Preparado dessa forma, o papel era colocado na câmera e a exposição era feita. O tempo médio de exposição girava em torno de um minuto, mas dependendo das condições de luz podia demorar até dez minutos. É sempre bom lembrar que naquela época não havia nenhuma maneira de se calcular o tempo exato para uma exposição. Não havia como se medir a sensibilidade (ISO) do papel e o número f ainda era uma coisa que estava no futuro.

Uma vez exposto o papel não apresenta nenhuma imagem visível devendo ser então revelado para mostrar a imagem latente. Isso era feito com uma nova solução de nitrato de prata e ácido gálico. Uma vez revelada a imagem a fixação era feita com um banho de hipossulfito de sódio. O processo todo era completado com mais meia hora de lavagem do papel em água corrente.

Na verdade, quando falamos em calotipia nos referimos estritamente a um processo fotográfico, onde existe o registro original da cena tal como é vista pelo fotógrafo e registrada pela câmera. Os negativos produzidos por este processo foram usados para produzir as cópias positivas em papel salgado (vide post anterior).

Já estão publicadas no Blog mais duas galerias.

Orgânico #13

Orgânico #13 - VENDIDA