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O texto abaixo foi originalmente postado no meu outro blog, o Ex Lumen, em 21 de outubro. No entanto creio que o assunto seja pertinente à qualquer blog, site, lista e o escambau que se interesse por fotografia.

Quanto a continuação do processo da goma bicromatada ainda estou dependendo de um belo dia sem nuvens.

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FOTOGRAFIA – UM OBJETO

O resultado de qualquer atividade criadora ligada às artes plásticas é um objeto. Seja uma pintura, uma escultura ou mesmo uma instalação. Pouco importa o que sentimos quando vemos um trabalho, estamos sempre olhando um objeto real. Porém com a fotografia esse processo pode ficar incompleto.

Um HD abarrotado de arquivos ou, em outros tempos, um envelope cheio de negativos, não são “fotografia”. Posso até pensar que sejam fotografias em potencial, mas somente isso. Da mesma forma a imagem mostrada na tela de um monitor também não é fotografia.

Quando desligo o computador o sorriso de dentes perfeitamente brancos da modelo volta a ser um monte de zeros e uns dentro de um arquivo jpg. Uma fotografia somente acontece a partir do momento que se torna um objeto físico, real. Tem peso, brilho, textura. Não importa se uma impressão feita com jato de tinta ou uma ampliação tradicional em papel de fibra.

O que conta é que eu posso segurá-la com as mãos, guardá-la dentro de um livro ou colocá-la na parede. Quando o ciclo iniciado com o ato de fazer uma fotografia não se completa com o “objeto fotografia” é como se a fotografia jamais tivesse acontecido. Não sei  isso que escrevi tem alguma coerência, mas não consigo pensar de outra forma.

(texto postado em 21/10/2009 em http://exlumen.wordpress.com)

Como já foi dito antes, a fotografia não foi uma invenção de uma única pessoa. A criação de processos e a descobertas de novas substâncias fotossensíveis é, na verdade, uma sucessão de pequenos experimentos feitos por diversas pessoas ao longo do tempo.

Um bom exemplo disso é o processo de impressão tradicionalmente denominado goma bicromatada (os bicromatos são atualmente denominados dicromatos). Seu início se dá com o escoces Mungo Ponton.

Mungo Ponton (fotografia de domínio público)

Mungo Ponton (fotografia de domínio público)

Em 1839, Ponton descobriu que os dicromatos eram fotossensíveis e utilizando dicromato de sódio e um colóide conseguiu produzir uma impressão fotográfica. Note bem o ano, 1839. O daguerreotipo já era popular e Talbot já havia divulgado sua calotipia.

Posteriormente, com base nos experimentos de Mungo Ponton, Talbot, percebeu que colóides, tais como a gelatina e a goma arábica se tornavam insolúveis quando expostos a luz (leia-se UV). Depois disso, em 1855, o francês Alphonse Poitvin adiciona pigmento a base de carvão e cria a impressão em carvão (carbon print) e, finalmente,  em 1858,  John Pouncy usa pigmentos coloridos para criar as primeiras impressãoe fotográficas coloridas.

O processo da goma bicromatada é, sem dúvida um bom exemplo de como uma descoberta vai sendo aperfeiçoada ao longo do tempo através das contribuições de muitas outras pessoas. Trata-se de um processo, ao mesmo tempo simples e bastante complexo por conta do relativo pouco controle que se tem e das possibilidades de intervenção física direta por parte do fotógrafo.

Se o sol ajudar, no próximo post, o processo com a goma bicromatada com as fotografias de suas etapas.