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Chega dessa discussão se é ou não é!

Depois que a Leica e a Hasselblad entraram no mercado digital não há mais sentido ficar discutindo que o filme isso, o filme aquilo. O mundo é digital e o filme (e as respectivas câmeras que o usam) é alternativo.
É claro que o filme não morreu, mas definhou até o ponto de só restarem poucas opções de emulsão no mercado e uns poucos  pequenos fabricantes. A honrosa exceção fica por conta da Ilford, que apostou no nicho de mercado que se formou pelos que viveram a experiência de ver uma imagem se formando sobre uma folha de papel e pelos mais novos, que têm a sorte de se deixarem seduzir pela luz vermelha e pelo cheiro de ácido acético.

Assim como todos os processos fotográficos históricos, o filme cedeu lugar para o digital que, em algum tempo futuro, cederá o lugar para o que vier.

Agora resta saber o que fazer com todas aquelas câmeras que estão esquecidas nas gavetas e armários. Na verdade a maioria delas será simplesmente jogada no lixo, sem a menor cerimônia. Outras, com um pouco mais de sorte, terminaram na coleção de algum apaixonado e aqui, vale a pena lembrar dois pontos. O primeiro é que uma câmera fotográfica é um objeto industrial produzido em grandes quantidades, exceto pelas câmeras dos primeiros tempos da fotografia, não tem valor de mercado significativo. E o segundo é que para ser colecionável deve estar funcionando. Uma Xereta quebrada só serve para reciclagem e mais nada.

Beleza, então! Vamos colecionar. Mas você (fotógrafo) não deve só querer juntar câmeras, certo? Saber um pouco mais sobre cada peça talvez seja interessante. Vai que se encontra uma dessas aí em baixo.

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Qual o fabricante?…  Nacionalidade?… ?… ?…. ?
É uma Belco Beltica. 35mm. Uma das primeiras câmeras fabricadas no pós guerra pela finada Alemanha Oriental.
Se quiser saber mais ou precisar identificar e saber a história de alguma câmera clique aqui.

O livro é de 1898 e vem com relatos, cartas e anotações sobre os experimentos feitos pelos pioneiros da fotografia. Um achado para quem se interessa pela história da fotografia ou, principalmente, para descobrir o “pulo do gato” para os poucos que pensam em fazer alguma a mais no campo da fotografia alternativa. Pode ser baixado aqui. gri_memoiresorig00cols_0006

Uma das muitas definições que se pode dar sobre o que seja fotografia alternativa é a que a define como a prática de processos de impressão fotográfica que utiliza técnicas fotoquímicas históricas desenvolvidas ainda no século XIX. Ampliando um pouco mais o campo “alternativo”, e já no século XX, trabalhos feitos com filmes polaroid já são considerados alternativos  e na medida que o tempo vai passando, qualquer fotografia que, em um futuro não muito distante, vier a ser produzida a partir da trindade revelador/interruptor/fixador, também vai entrar debaixo do guarda-chuva alternativo.

Hoje, depois de muitos malabarismos feitos com programas de edição de imagens, alguns trabalhos são apresentados com o rótulo de “fotografia alternativa”, talvez numa tentativa de classificá-los como sendo fora dos padrões normalmente aceitos pela maioria. Porém, alternativos não são. São uma realidade alterada.

Na quase totalidade dos casos somente com o uso de um software e muitos Gb de processamento ou então com um pouco de imaginação.

Este é o arquivo original. Uma exposição múltipla (3x). A primeira com a câmera posicionada na orientação retrato e com o botão do disparador voltado para o lado esquerdo. A segunda exposição, também feita na orientação retrato, porém com a câmera  invertida, com o botão do disparador voltado para o lado direito. A terceira e última exposição foi o céu com orientação paisagem.

Este é o arquivo original. Uma exposição múltipla (3x). A primeira com a câmera posicionada na orientação retrato e com o botão do disparador voltado para o lado esquerdo. A segunda exposição, também feita na orientação retrato, porém com a câmera invertida, com o botão do disparador voltado para o lado direito. A terceira e última exposição foi o céu, também com orientação retrato.

Essa é a imagem final. As únicas alterações feitas foram a conversão para escala de cinza e ajuste de contraste. (O programa: Picasa - gratuito e sem firulas)

Essa é a imagem final. As únicas alterações feitas foram a conversão para escala de cinza e ajuste de contraste. (O programa: Picasa – gratuito e sem firulas)

Não é alternativa porque é digital. Talvez alternativa porque não é usual.

Não precisa correr para o PS ou LR. Três ações mecânicas + duas digitais = Uma realidade alterada.