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Último teste feito com o processo. O papel foi préviamente umidecido para aumentar o contraste geral.  Exposição de 45 minutos a sol aberto. Fixado com fixador Kodak Dental ( tiossulfato de amônia ) com diluição de 1:3, por cinco minutos.

Lumen Print - Teste #12

Agora, já tenho material suficiente para começar a experimentar com intensificador de cromo e viragem de selênio.

Em breve, reforma das galerias do blog.

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Quando se fala em revelar um filme ou papeis a primeira coisa na qual se pensa é no revelador, no entanto o revelação é somente o início do processo. As duas outras etapas que a seguem são tão importantes quanto ela. Um banho de interrupção fora da dosagem exata  ou uma fixação mal executada podem arruinar uma excelente fotografia revelada com todo o cuidado.

Na execução dos testes feitos com o processo lumen print, por não ter mais tiossulfato para fazer meu próprio fixador nem ter como adquirir um fixador fotográfico pronto, utilizei um fixador comercial de uso odontológico (para filmes de raio-x), tendo o cuidado de ler com bastante atenção os componentes que entravam em sua fórmula antes de me decidir a usá-lo.

Assim, para quem quiser fazer o seu próprio fixador, seguem algumas informações.

O fixador fotográfico é a química usada na etapa final do processamento de filmes e papeis fotográficos. Sua função é a de remover os haletos de prata que ainda não reagiram com a luz deixando sobre o filme ou papel somente a prata, reduzida ao seu estado metálico, que forma a imagem, sem ele, os haletos de prata contiuariam a reagir com a luz levando a um total escurecimento da imagem revelada.

O principal sal utilizado na fabricação dos fixadores fotográficos é o tiossulfato. Originalmente a ação dos tiossulfatos sobre os haletos de prata não expostos foi descoberta por Herschel que utilizou o tiossulfato de sódio (na nomenclatura antiga, hipossulfito de sódio).

Atualmente na formulação de fixadores rápidos o tiossulfato de sódio deu lugar ao tiossulfato de amônea, no entanto ambos podem ser usados em conjunto.

Em que pese poder o tiossulfato ser usado isoladamente com agente fixador, alguns outros compostos podem ser juntados à solução para aumentar-lhe a eficiência.

O Sulfito de sódio que age como antioxidante e coadjuvante do tiossulfato acelerando a retirada dos haletos não expostos e o metabissulfito de sódio atua como antioxidante, preservando a solução por mais tempo.

Abaixo, a fórmula e o modo de preparo de um fixador a base de tiossulfato de sódio para uso geral em papeis fotográficos. Como não contém qualquer agente endurecedor, não se recomenda seu uso para a fixação de filmes.

Em 500 ml de água morna dissolva 240 gramas de tiossulfato de sódio pentahidratado (se estiver usando a forma anidra, 152 gramas). Quando o tiossulfato estiver completamente dissolvido, adicione 10 gramas de sulfito de sódio anidro e agite até a completa dissolução. Finalmente junte 22 gramas de metabissulfito de sódio e complete com água até o volume de 1 litro. Esse fixador pode ser guardado sem uso por, aproximadamente, 3 mêses.

Use, sem diluição, em dois banhos de cinco minutos cada um. A fixação da imagem se inicia no primeiro banho que receberá a maior parte dos resíduos do revelador e do banho de interrupção. O segundo banho, menos contaminado, terminará o processo

A imagem abaixo foi obtida com uma exposição a sol aberto e céu sem nuvens. O tempo total foi de 30 minutos, com controle visual das tonalidades. O arranjo usado não ficou em contato total com o papel . ( E antes que alguém reclame, as duas lagartixas e a mariposa foram encontradas mortas após um temporal.)

Lumen print. Teste #5

No último post foi descrito o processo para se fazer um Lumen-print.

Lá, informei que,por falta de tiossulfato de sódio para fazer o meu próprio fixador, usei um fixador para filmes de raio-x de uso odontológico.

Essa informação acabou gerando algumas perguntas e então para responder a todas de uma só vez…

O composto básico de qualquer fixador usado em fotografia é o tiossulfato, tradicionalmente, de sódio, mas também o de amônea. Sua função é dissolver os haletos de prata não sensibilizados pela ação da luz tornando a imagem fotografica permanente.

Quando resolvi usar o fixador de raio-x, a primeira providência foi saber sua fórmula e pronto, lá estava o tiossulfato.

O fixador Kodak dental usa o tiossulfato de amônea que é mais rápido e pode ser usado em menores quantidades. O outro fixador que encontrei é Roentex que usa o tradicional tiossulfato de sódio. Ambos já foram testados em papeis com os mesmos resultados de qualquer outro fixador fotográfico.

Os dois fixadores para raio-x testados. Kodak dental com tiossulfato de amônea e o Roentex com tiossulfato de sódio

Um esclarecimento inicial: O nome LUMEN PRINT não é por conta do blog Ex Lumen.

O processo alternativo chamado LUMEN PRINT ( que pode ser livremente traduzido por impressão de luz) é tão antigo quanto a própria fotografia. Sua origem está nas primeiras experiências com fotogramas feitas por Talbot, na década de 1830,onde objetos eram colocados sobre papeis sensibilizados que, uma vez expostos a luz, mostravam os contornos, mais ou menos translúcidos, dos mesmos. (Qualquer um dos mais jurássicos já fez isso: Pousar a mão sobre uma folha de papel fotográfico e ligar a luz do ampliador para depois revelar o contorno branco da mão contra o fundo negro do papel velado.)

Um Lumen print não pode ser chamado de fotografia, propriamente dita, nem é um fotograma no sentido estrito do termo. Fica no meio do caminho entre os dois. Alguns o definem com fotografia sem câmera ou lente (?), outros como uma sofisticação do fotograma tradicional, porém o que pode ser dito sempre, sem medo de errar, é que quando se trata de uma impressão criada através desse processo estamos voltando até a origem da fotografia. A seguir segue a descrição do meu primeiro teste com essse processo que é parte, técnica, parte sensibilidade e, o mais atraente, parte acaso.

O material necessário: papel fotográfico preto e branco (pode ser até com a validade expirada); fixador fotográfico; duas placas de vidro ou um chassis para exposição e algumas folhas de plantas.

O material. Preste atenção no rótulo do fixador.

Como o meu tiossulfato de sódio acabou e em Juiz de Fora, é mais fácil um boi voar do que se encontrar a química para fotografia tradicional, acabei seguindo o meu próprio conselho e improvisei. O fixador é o que é vendido em lojas de material odontológico para uso em filmes de raio-x.

As etapas não poderiam ser mais simples. Colocam-se as folhas sobre o papel fotográfico entre as duas chapas de vidro ou no chassis para garantir o contato se expõem ao sol.

Início da exposição (+/- um minuto)

A literatura sobre o processo sugere, para acelerar a reação e obter maior contraste, umidecer o papel, porém optei por fazer isso com as folhas de avenca usadas.

Este primeiro teste foi feito em 30 de setembro com o dia nublado e o sol aparecendo nos últimos vinte minutos de exposição. O tempo total foi de duas horas. Com o lumen print, uma exposição pode ser feita em, meia hora, duas horas, um dia inteiro, uma semana. Tudo dependerá do grau de paciência do fotógrafo.

Uma vez encerrado o tempo previsto, o papel foi imediatamente levado ao banho fixador ( diluição de 1:1) e deixado por quinze minutos com agitação a cada dois minutos. A imagem obtida sofre algum rebaixamento.

banho no fixador (1:1) para filmes de raio-x

Após a fixação da imagem obtida, seguiu-se a lavagem em água corrente, por trinta minutos, e a secagem do papel no ambiente. Vale ressaltar que na medida em que o papel ia secando a cor amarela que se vê na fotografia acima foi tomando um tom mais alaranjado.

Detalhe do papel. Note as manchas amareladas do papel ainda úmido ou molhado.

Abaixo o resultado do primeiro teste com o processo lumen print.

Teste# 1

Algumas observações: Talvez seja interessante a aplicação de alguma viragem ( selênio ou ouro). O tempo de exposição pode ser aumentado para se obter mais contraste. Dependendo do tipo de papel, as côres podem variar.

O lumen print é fácil, não requer qualquer tipo de equipamento ou química sofisticados, nem um local próprio para sua execução. As imagens que se formam não são prvisíveis pois, por conta de fatores que não podem ser controlados pelo fotógrafo que vão desde o grau de umidade do papel usado, até a intensidade de uv na hora da exposição, cada impressão é ABSOLUTAMENTE ÚNICA, não existindo qualquer possibilidade de reprodução.

É um processo que se presta à experimentação por excelência. “The enemy of photography is the convention… The salvation of photography cames from the experiment.” (Lazlo Moholy-Nagy)