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Isso mesmo. Cianotipias podem sofrer uma viragem real quando tratadas com chá preto comum e quanto mais barato o chá, maior será o efeito.

Ao contrário das cópias em gelatina de prata que quando imersas no chá são tingidas, nas cianotipias ocorre uma reação química entre os sais de ferro e o ácido tânico contido no chá.

Ferva 250ml de água e use de quatro a cinco saquinhos de chá. Deixe repousar por quinze minutos.

Coloque a cianotipia nesse chá e mantenha sob constante agitação.

O efeito inicial do ácido tânico será reduzir a intensidade do azul deixando-o acinzentado.

Cianotipia virada com chá preto

Cianotipia virada com chá preto

Na medida que o tempo for passando o azul original pode chegar ao azul escuro, quase preto.

Dependendo do tempo de imersão, da concentração de ácido tânico no chá e da qualidade do papel, as cores, nas altas luzes, podem variar do creme claro ao castanho escuro.

Uma vez atingida a tonalidade desejada, retire a cianotipia e lave por, aproximadamente, vinte minutos.

Atenção! Dependendo do papel e da concentração do chá pode ocorrer o tingimento do papel.

Processo semelhante pode ser feito diretamente com ácido tânico. Depois, explico como.

Mais um link para site de fotografia alternativa. Diversos artigos sobre vários processos. Bem técnico.

http://www.unblinkingeye.com/

Pesquisador e desenhista francês (1804-1879). Pioneiro da fotografia no Brasil, é considerado um de seus inventores. Filho de um cirurgião do Exército real francês, Antoine Hercules Romuald Florence nasceu em Nice. Em 1824 chega ao Rio de Janeiro, onde se emprega como caixeiro em uma loja de roupas e, mais tarde, numa tipografia e livraria.

Em 1825, em resposta a um anúncio, junta-se à expedição do naturalista russo Georg Heinrich von Langsdorf, como desenhista, e nos quatro anos seguintes atravessa São Paulo, Mato Grosso e Pará, somente retornando ao Rio de janeiro em 1829. Em seguida vai para Itú, no interior de São Paulo, e depois para a Vila de São Carlos, atual Campinas, onde inicia suas pesquisas e descobertas. Estuda os sons dos animais e, paralelamente, uma nova forma de impressão.

Trabalhando sem conhecimento do que se desenvolvia na Europa, Florence, em 1832, consegue as primeiras impressões já utilizando o nitrato de prata e o princípio do negativo/positivo. Enquanto isso, na Europa, o daguerreotipo seguia sendo o único método fotográfico aplicado até que em 1839, o inglês William Fox-Talbot divulga o processo da calotipia, que é o mesmo processo desenvolvido por Florence.

Pelo fato de estar trabalhando no interior de um Brasil recém independente, sem qualquer tradição científica e longe do centros europeus de cultura, a primazia de Hercules Florence nunca foi devidamente reconhecida.

( Uma observação: Alguns ufanistas de plantão (poucos, ainda bem), atribuem a invenção da fotografia ao Brasil. Hercules Florence era francês e estava no Brasil e somente isso. A prevalecer esse entendimento, invenção do avião deve ser atribuída à França uma vez que Santos Dumont e o 14-Bis estavam na França.)

Para quem se interessa por fotografia alternativa, vale a pena conferir o site do inglês Mike Ware. Muita informação e explicações sobre vários processos.

http://www.mikeware.co.uk

Antes da tecnologia digital, a prata e a fotografia sempre estiveram intimamente ligadas, podemos até dizer que sem a prata, não existiria a fotografia, certo?

Não necessariamente.

Em 1842, o astrônomo inglês, Sir John Herschel, criou um primeiro processo para a obtenção de cópias baseado em sais de ferro e não nos sais de prata – a cianotipia.

Quando executada corretamente, a cianotipia, apresenta a mems ariqueza de detalhes de uma fotografia em prata.

Quando executada corretamente, a cianotipia, apresenta a mesma riqueza de detalhes de uma fotografia em prata.

Um processo simples e bastante versátil, quase sempre tratado como mera curiosidade e que tem na escala de azul sua principal e distinta característica visual. Para aplicá-lo são somente necessárias duas soluções, uma fonte qualquer de radiação ultra-violeta e água.

A Química.

Primeira solução: diluir 25g de citrato férrico amoniacal (verde) em 60 ml de água, depois completar o volume, com água, até 100 ml.

Segunda solução: diluir 10g de ferricianeto de potássio em 60 ml de água, depois completar o volume, com água, até 100 ml.

Atenção: O citrato férrico amoniacal tem duas formas, a verde e a marrom. A verde apresenta melhores resultados.

O Suporte.

Deve se utilizar um papel que possa suportar uma lavagem prolongada. Os melhores são os papéis usados para técnicas molhadas como guache e aquarela. Pessoalmente prefiro o Canson Montval 300g. Não há necessidade de especial preocupação quanto ao papel ser ácido, aliás a cianotipia, em meio alcalino desbota.

Sensibilização do Papel.

Misturar volumes iguais das duas soluções e, com uma trincha, aplicar diretamente sobre o papel. Alguns autores indicam que essa aplicação não pode ser feita com nenhum tipo de pincel que tenha uma virola de metal porque ocorreria oxidação que influenciaria no resultado final. Essa oxidação de fato ocorre, mas se o pincel for bem lavado após cada sessão isso somente será um problema após várias semanas.

A sensibilização do papel não precisa ser feita no escuro. Uma lâmpada de 40w a uns três metros de distância não causará nenhum dano. Por outro lado nunca use lâmpadas fluorescentes ou tente sensibilizar o papel durante o dia sem estar com as cortinas fechadas (bem fechadas). A mistura das duas soluções é sensível a radiação UV.

Uma vez sensibilizado o papel, deixe-o em um local escuro para secar. Esse papel deve ser utilizado em, no máximo, 48 horas. Após esse tempo a oxidação natural da solução tornará seu uso impraticável.

O Negativo.

Por ser um processo de contato é necessário que o negativo utilizado seja do mesmo tamanho da cópia desejada. Você pode mandar fazer um fotolito ou então, o que é mais fácil e barato, fazer seus próprios negativos a partir de qualquer arquivo digital. O procedimento é simples e pode ser feito com qualquer bom editor de imagens com os seguintes passos:

foto original => escala de cinza => inverter => ajustes de brilho e contraste => imprimir (somente tinta preta)

A impressão pode ser feita com uma boa impressora de jato de tinta usando uma transparência.

Exposição.

Como em todos os processos para cópia usados ao longo do Século XIX, a obtenção da imagem era feita por contato direto do negativo com o papel. Para isso eram usados chassis próprios no entanto, para facilitar nossa vida, podemos fazer a mesma coisa com um sanduiche feito com duas placas de vidro e entre elas, o papel sensibilizado posto sob o negativo que se deseja copiar.

Esse conjunto é exposto ao sol ou outra fonte qualquer de UV o tempo necessário para a formação de imagem.

Aí é que entram a prática e o bom senso. A intensidade de UV varia em função da estação do ano, do local, da hora do dia e das condições metereológicas, ou seja. Você só vai conseguir “acertar a exposição” depois de algumas sessões de ensaio e erro.

A Revelação”.

Isso é simples. Basta colocar o papel em uma bandeja (essas de plástico branco e borda alta servem), com água corrente até que todo o excesso da solução sensibilizante seja lavado, depois é só deixar secar na sombra e pronto. Em três ou quatro dias, a imagem adquirirá seu tom azul definitivo.

Esse é o processo básico para a cianotipia e existe um sem número de variações tanto de fórmulas quanto de aditivos que podem ser utilizados na “revelação” quanto em viragens ou tingimentos da cópia, mas isso é para outro post.