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Prepare 400 ml de chá preto bem forte. Despeje na bandeja e junte mais 500 ml de água. Adicione 5 ml de amônia. O líquido tomará uma coloração marrom, bem escuro.  

Mergulhe a impressão e mantenha agitação constante e suave. O efeito é quase imediato. Inicialmente o azul se intensificará e mudará para violeta, para depois, mudar para um tom sépia claro nas altas luzes e cinza azulado nas áreas de sombra.

 O controle do processo é totalmente visual e uma vez atingida a tonalidade desejada, a impressão deve ser retirada e lavada por pelo menos 30 minutos para eliminar qualquer resíduo de chá evitando assim o surgimento de manchas.  

Como essa viragem envolve o uso de chá pode ocorrer algum tingimento, principalmente nas bordas do papel, o melhor é fazer a impressão com uma boa folga nos quatro lados da folha para aparar depois.

Impressão após 2 minutos no banho de viragem. Note o tingimento nas bordas esquerda e inferior.

Os negativos de papel feitos em impressoras podem, com já foi mostrado antes aqui, ser melhorados com a aplicação de alguma substância que os torne mais translúcidos
A melhor opção é a cera de vela ou a parafina, porém na falta pode-se recorrer a qualquer tipo de material oleoso líquido.

Da glicerina ao óleo de soja, qualquer um vale, porém, ao contrário da cera que, uma vez aplicada, penetra nas fibras do papel de maneira uniforme, os óleos tendem a formar pequenas “poças” no papel que irão se mostrar depois nas manchas deixadas em uma impressão.

Para que isso seja evitado o procedimento é simples: 1 – Não encharque o papel com óleo; 2 – Com um chumaço de algodão espalhe bem o óleo. Mesmo que aparentemente toda a superfície do negativo já esteja recoberta, com um chumaço algodão limpo, continue a encerar o negativo; 3 – Deixe o negativo entre duas folhas de papel jornal, com um peso em cima, por 24 horas, para que os excesso de óleo seja absorvido.

Na maioria das vezes os três passos acima são suficientes para garantir uma impressão sem manchas, mas como estamos lidando com modos de impressão que envolvem exposições à fontes de calor. Seja do sol ou de uma mesa de luz, esse calor pode fazer com que pequenas concentrações do óleo usado, que não foram absorvidas antes, deixem sua marca na impressão.

Para que isso seja resolvido é basta que seja feita uma simples “exposição falsa”. O negativo entre duas folhas de papel de embrulho comum. Uma exposição de cinco ou seis minutos (tempo aqui citado é para sol direto e céu aberto). Os eventuais excessos de óleo ficarão no papel de embrulho.

Negativos de papel tamanho A4 e o papel de embrulho usado para absorver os resíduos do óleo de soja aplicado. Seis minutos de exposição.

Enquanto se instala o ôba-ôba suicida da liberação de shoppings, eu continuo em casa, esperando dias mais seguros e retomando o Calotipia – A Era dos Negativos de Papel.
Segue abaixo mais um pedaço do que está sendo feito.

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ÉDOUARD BALDUS

Nasceu na cidade de Grunebach, na antiga Prússia, em 5 de junho de 1813, e pouco se sabe a respeito dos primeiros 25 anos de sua vida. Em 1838 vai para Paris para estudar pintura e adota a grafia francesa para seu nome. Em 1856 se naturaliza francês e em 1860 recebe a Legião de Honra por conta de seus trabalhos fotográficos.

Édouard Baldus – Autoretrato. 1853

O interesse de Baldus pela fotografia se inicia por volta de 1848. Em 1851, é um dos fundadores da Societé Héliographique, e, neste mesmo ano, patrocinado pelo governo francês, parte em uma das Missions Héliographiques para documentar monumentos históricos, atuando principalmente na região da Provence.

Tornou-se conhecido na França por usar negativos de papel, tanto úmidos quanto secos, em dimensões que chegavam aos 25 cm x 35cm com os quais montava imagens panorâmicas justapondo vários negativos. Aproveitando sua habilidade como pintor, frequentemente fazia retoques nos negativos, ora suprimindo ora acrescentando elementos como nuvens ou árvores. Um de seus trabalhos mais famosos, o Claustro de St. Trophine, em Arles, datado de 1851, é o resultado de pedaços de 10 negativos diferentes recortados e montados para mostrar, ao mesmo tempo, os detalhes das sombras e das altas luzes que, por conta das limitações do processo da calotipia, seriam impossíveis de serem registrados em uma só tomada.

Claustro de St. Trophine

A qualidade das imagens em grande formato produzidas garantiu novos trabalhos patrocinados pelo governo registrar os monumentos de Paris, incluindo a construção do novo Louvre, e cidades do sudeste francês. Documenta também obras de engenharia e, em 1861, é contratado para fazer o registro da ferrovia Chemins de fer de Paris à Lyon et à la Méditerranée. A partir de 1866 até 1884, passa a se interessar pela publicação de fotogravuras como forma de difundir o hábito de colecionar fotografias. Morre em um subúrbio no sul de Paris em 22 de dezembro de 1889.

Passo de Donzère

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A ideia de escrever este blog veio por conta de não conseguir encontrar qualquer informação, em português, sobre os processos fotográficos históricos e alternativos. Praticamente tudo tinha que ser pesquisado e garimpado em sites escritos em inglês, ou francês, ou italiano.

Isso foi em 2009 e de lá para cá muita coisa mudou. O número de praticantes cresceu e a oferta de cursos e oficinas também, e agora, nos últimos dois ou três anos, a fotografia analógica (não gosto do termo, mas vá lá, é o que usam) vem sendo resgatada por antigos e, principalmente, novíssimos praticantes.

Fotógrafos nascidos e formados na tecnologia digital se lançam em um mundo de filmes e processos químicos totalmente desconhecidos para eles. Muitas vezes sem qualquer conhecimento da história da fotografia e seus processos, dão cabeçadas, dizem besteiras, perguntam o óbvio, mas são persistentes e seguem aprendendo um pouco mais a cada dia.

Aos poucos a grande lacuna que existe no Brasil em termos de informações técnicas vai diminuindo. Ainda falta muito, porém sempre existem os que dão um passo adiante para dividir seu conhecimento e preservar mais um pedaço da história.

Neto Macedo é um desses. Ele está lançando um Ebook gratuito intitulado “Fotografia Preto & Branco e Paracetamol” onde, além de explicar todo o processo de revelação de filmes pb ainda mostra como fazer em casa um revelador a base de paracetamol de acordo com as fórmulas do tradicional Rodinal da AGFA.

Nenhuma descrição de foto disponível.

Desde seu início a fotografia é uma constante procura pelo mais simples.
Para levar a fotografia a um número cada vez maior de pessoas, os processos foram se descomplicando e os equipamentos cada vez mais simplificados e automatizados.
Porém, com a química o passo foi um pouco mais lento. Não se pode alterar tanto assim um tempo de reação. O máximo que se pode fazer é substituir um composto por outro mais eficiente.

A prtir do final do século XIX, como forma de simplificar o processo de revelação de filmes e chapas foi pensado se isso não poderia ser feito em uma única etapa que englobasse a revelação, a interrupção e a fixação sem precisar passar por cada uma isoladamente. Daí surgiram alguma formulações denominadas de monobanhos ( monobath), que era simplesmente juntar em uma mesma solução o revelador e o fixador para que o filme já saísse pronto do tanque.

As primeiras experiências não foram assim tão bem sucedidas pois as áreas de sombra tendiam a ficar acinzentadas e com pouca densidade. Com as formulações atuais esse problema já foi contornado e o monobanho pode ser uma boa opção para quem deseja um resultado rápido.

Aqui no Brasil você tem duas opções: Ou compra os compostos e prepara o seu “3 em 1”, ou pode usar o monobanho fabricado pelo O Retratista Alex Renan, que, a julgar pelos resultados mostrados, é bem eficiente tanto para as altas luzes, quanto para as áreas de sombra.

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