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Por conta de um mortal triplo carpado, com rosca invertida, que a vida algumas vezes aplica, minha primeira coleção de máquinas fotográficas foi para outras mãos. Agora, recomeçando.
Para se colecionar qualquer objeto industrial um parâmetro fundamental deve ser seguido. A peça pode apresentar sinais de desgaste ou da passagem do tempo, porém todas as funções originais têm que funcionar perfeitamente, ressalvados, obviamente, casos excepcionais por conta da raridade da coisa.

Juntar equipamentos quebrados não é coleção, é acumulação. E isso, é caso para psiquiatria.

Chinon CX

Chinon CX, 1974, lente 55mm 1:1.7. 35 mm.  Típica máquina fotográfica dos anos 1970. Corpo metálico. Pesada se comparada com os equipamentos atuais. A única eletrônica incorporada é um fotometro. Funcionando perfeitamente, inclusive o temporizador.

Fundada em 1948 por Chinon Hiroshi é, desde 1997, controlada pela Kodak Japan Ltd. Se quiser saber um pouco mais sobre a história, clique aqui.

 

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Oficina de gelatina de prata no Lab Clube, Rio de Janeiro.
Somente oito participantes.

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Tenho guardados dois frascos com um pouco das soluções de citrato e ferricianeto para cianotipia. O preparo ocorreu há mais de um ano e tudo apontava para o descarte puro e simples. A solução de citrato, como só podia acontecer, apresentava uma bela camada de bolor e o ferricianeto, um pouco turvo.
Mas, como a idéia deste blog é sempre passar alguma informação para tornar a prática de processos alternativos de impressão fotográfica o mais simples possível ( e a baixo custo, também), resolvi testar se ainda poderia usar as duas soluções fazendo dois fotogramas de uma folha de amoreira.
Duas exposições: 15 e 20 minutos.
Indice UV: Extremo
Papel: Não faço a menor idéia. Como é um teste só para verificar a validade da química, melhor um papel sem pedigree, manuseado com muito cuidado, já que a gramatura não deve chegar a 200.
A escolha pelo fotograma de uma folha ficou por conta de ser uma exposição obrigatoriamente longa. Isso evita que haja um falso resultado devido a eventual subexposição.
Conclusão: Não precisa jogar fora. Mesmo depois de muito tempo a química da cianotipia. Desde que devidamente guardada em frasco escuro, ainda funciona sem qualquer alteração. Para retirar o bolor de citrato e clarear o ferricianeto, passe as soluções por um filtro de café, desses de papel mesmo.

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Início da exposição. A direita o sensor de UV.

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UV extremo. Agulha no batente.

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A de cima, 20 minutos. A de baixo, 15 minutos. Os veios da folha ainda não tão evidentes. Talvez com 30 ou 35 minutos.

 

Resgatada do lixo em Juiz de Fora, encontrou seu caminho até a Livraria Antiquária Quarup e de lá, para minha coleção.

O que tem de especial? Nada e ao mesmo tempo, tudo.

É só o retrato de uma criança que, se conseguiu chegar a ser adulta, já deve estar morta.

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Porém, deixando de lado a possibilidade de garimpo biográfico e genealógico ou de alguma inspiração súbita para uma aventura literária inspirada no olhar da criança, o que me interessa é todo o conjunto de tarefas fotográficas contido na imagem.

Começando pelo papel: Gramatura alta, quase um papelão. Entelado. Sugere não ser comercial e que com alguma certeza deve ter sido preparado e emulsionado pelo próprio fotógrafo.
O estado geral de conservação da imagem mostra que quem quer que tenha processado a cópia sabia o que estava fazendo. Não há qualquer indício de “bronzeamento” por conta de lavagens deficientes e restos de hipossulfito (tiossulfato). A emulsão não apresenta qualquer rachadura ou descolamento do papel.

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Outro ponto que chama a atenção é diferença de qualidade da colorização e retoques entre o rosto da criança e sua roupa. No rosto quase não são notadas as intervenções feitas. São precisas e sem exageros e se fundem perfeitamente com a imagem. Na roupa, não mostram qualquer habilidade, são quase infantis.

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Pelas características da fotografia, da moldura e dá própria estética da imagem ( cabelos, roupa, formal, fundo neutro, retrato de família “tirado no studio photographico”), não erro muito se disser que esse trabalho pode ser datado nos primeiros vinte anos do século passado.

E para os detetives de plantão, mais duas informações. No papel de proteção do verso da moldura um carimbo quase apagado do moldureiro. As únicas palavras legíveis: “Riachuelo” e “São Paulo”. No verso da fotografia, um nome ou assinatura e uma numeração. O número pode ser referência ao negativo, ou melhor, a chapa. O nome, talvez do cliente (?) ou assinatura (?) do fotógrafo.

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Mesmo que a tecnologia me permita fazer imagens com um smartqualquercoisa, não é motivo para que técnicas e processos históricos, comercialmente não mais viáveis, devam ser esquecidos e eliminados como se jamais houvessem existido.

Aqui vai um primeiro passo para reproduzir os primeiros passos.

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Um conjunto intercambiável com uma lente simples, com distância focal de, aproximadamente, 25 mm, sem diafragma, e 3 pinholes em alumínio. Um com 0,1 mm ( esse vai dar trabalho com todas as distorções de imagem que se possam imaginar). Outro com 0,2 mm e o último com 0,3 mm. O suporte de latão foi reaproveitado a partir de um filtro de parede velho.

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Próximas etapas: Fazer alguns chassis para filme/papel fotográfico/vidro/metal. Montar um “caixote” e, quem sabe, voltar no tempo até o daguerreótipo.

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