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Desde a primeira fotografia permanente feita por Niépce, em1826, a fotografia tem se valido de vários suportes para efetuar o registro das imagens. Primeiramente o metal. Uma placa de estanho foi usada por Niépce e posteriormente, cobre com um banho de prata foi o material usado para fazer as daguerreotipias. As imagens feitas por esse processo são nítidas e bem detalhadas, porém com um inconveniente, além do longo tempo para exposição, não podiam ser copiadas. Cada daguerreotipia é uma peça única.

Com a invenção, por Talbot, da calotipia, vem o primeiro grande avanço. Um processo mais rápido e menos custoso, levando a fotografia à, praticamente, todas as camadas sociais.

A calotipia produzia uma imagem em negativo sobre papel, que depois, via impressão em papel salgado, tinha sua cópia positiva reproduzida quantas vezes se quisesse.

Os negativos de papel foram largamente utilizados nos primeiros 30 anos da fotografia sendo substituídos pelos negativos em vidro, que, por sua vez, deram lugar ao filme de nitro celulose (altamente inflamável), que evoluiu para os chamados “filmes de segurança”, fabricados com acetato de celulose, e que são os filmes fotográficos que (por enquanto) existem hoje no mercado.

Não há o que se discutir quanto à superioridade de brilho, contraste e detalhamento das imagens positivas geradas a partir dos negativos de filme, ou vidro, sobre aqueles de papel. No entanto o uso atual dos negativos de papel pode oferecer opções de intervenção direta e retoques bem interessantes. Quem faz ou já fez uso de uma câmera pinhole (estenopeica para os Policarpos) sabe bem disso.

Originalmente os negativos obtidos com a calotipia, depois de fixados e secos, eram encerados no seu verso com cera de abelha para torná-los translúcidos e dar mais brilho e detalhamento à cópia positiva.

Papel Sulfite 75g. À direita o negativo encerado com óleo mineral

Para quem quiser se aventurar pode seguir esse roteiro:

Negativo

Arquivo digital à Inverter à Impressão usando somente o cartucho de tinta preta

Encerar com óleo mineral o verso do papel. Isso deve ser feito espalhando um pouco de óleo e esfregando com um pedaço de papel toalha.

Cuidado com a força aplicada para não rasgar ou amassar o negativo.

O papel toalha deve ser passado até que não haja qualquer “brilho” no negativo, caso contrário significa que ainda existem pequenas quantidades ainda não entranhadas nas fibras do papel usado para fazer o negativo.

Finalmente o negativo deve ser deixado por algum tempo entre duas folhas de papel toalha, com um peso sobre ele para garantir a retirada de todo o excesso de óleo.

Uma vez preparado o negativo pode ser usado em qualquer processo fotográfico, lembrando sempre que as cópias somente serão feitas por contato, logo, o negativo deve ter as mesmas dimensões da fotografia desejada.

As cópias acima foram feitas em papel salgado. A da esquerda é a imagem gerada pelo negativo não encerado e a da direita feita a partir do negativo encerado. Papel utiizado: Canson Montval Torchon 270g. Tempo de exposição: 4 minutos (a cópia feita com o negativo não encerado ficou subexposta). Fixador: tiossulfato de sódio a 10% por 6 minutos

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Oficina de fotografia alternativa – cianotipia, em Porto Alegre. Dia 13 de setembro.

Informações e inscrições:  http://www.koralle.com.br/curso/20

Essa é sempre a grande dúvida para qualquer um que se aventure na fotografia alternativa, tantos são os fatores que podem influenciar o resultado final.

Ao contrário da fotografia tradicional onde os filmes, os papeis e a química são padronizados e as operações de exposição, revelação e cópia são bem definidas, na fotografia alternativa cada sessão é única e diferente da anterior.

É lógico que algumas variáveis podem ser um pouco mais controladas na medida em que a experiência do praticante aumente, porém é fundamental que sempre se realizem testes e mais testes, variando os papeis, as proporções das soluções, os tempos de exposição e banhos e com, principalmente, o cuidado de registrar tudo o que foi feito.

Talvez você demore um pouco para acertar a melhor maneira de produzir essa ou aquela imagem, mas com certeza vai saber bem mais sobre o que não fazer.

A imagem abaixo mostra um teste feito com papel Canson Fontenay, 300g, exposto em incrementos de tempo de 15 segundos e usando o processo do papel salgado. Terminada a exposição a tira foi lavada por 10 minutos em água corrente e fixada por 5 minutos em solução simples de tiossulfato de sódio ( hipossulfito), e novamente lavada por mais 10 minutos.

O teste foi realizado com céu aberto e a incidência direta da luz do sol. O índice de UV no momento era de 4 ( moderado).  Os “fiapos” que aparecem ficam por conta de uma trincha muito desgastada.

Teste igual foi feito usando a química para cianotipia, porém, quando do banho a imagem ficou “lavada” e completamente desbotada. A suspeita é a existência de reserva alcalina no papel e, como a cianotipia somente se fixa em meio ácido o papel literalmente repeliu  a solução sensibilizante. Assim que receber uma resposta da consulta feita à Canson, aviso.