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Já faz algum tempo que não me dedico a produzir alguma série de impressões, e isso não é bom. Por mais que se saiba, a execução repetida de qualquer processo é necessária para que não se “perca a mão”, e nem se desacostume os olhos daquela mínima mudança de tonalidade que vai significar a diferença entre uma excelente impressão e outra que é só boa.

Então, enquanto aguardo as últimas etapas para o lançamento da minha tradução do The Pencil of Nature, e pedindo as bençãos de Sant’Anna Atkins, inicio a série BOTÂNICA. Cianotipias com previsão inicial de 15 imagens e tiragem de 5 cópias cada, mais uma P.A.
Abaixo, a primeira. Uma palmeira-azul (Bismarckia nobilis), fotografada nos jardins do Palácio do Catete, Rio de Janeiro. Das cinco cópias feitas, uma já foi.

Detalhes e como comprar, aqui.



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Quando da postagem sobre a preparação do soro, mencionei o uso do whey em pó como alternativa mais prática a todo o processo envolvendo o leite.
Porém, ao usar whey em pó, comprado em uma dessas lojas que vendem temperos a granel, tive uma surpresa nem um pouco boa.
Após pesar o whey, chacoalhar bastante e filtrar duas vezes o líquido, preparei duas folhas de Cason Aquarela. Secagem, ok. Aplicação da solução de nitrato de prata com uma gota de tintura de iodo, ok. Nova secagem, no escuro, ok.
No dia seguinte, desastre. Os dois papéis já estavam velados com uma cor marrom alaranjado em toda a área da aplicação da solução de nitrato. (Palavrões, murmurados em voz baixa.) Deve ser alguma coisa com o papel.
Novo teste. Dessa vez com um Hahnemühle 300g. Mesmo resultado. (Mais palavrões.)
A solução de nitrato foi preparada da mesma forma que deu resultado positivo. Papéis de dois fabricantes mostraram a mesma reação, portanto pouco provável ser culpa do papel.

Ficha caindo! Só pode ser o whey.

(Aqui um parênteses para os jurássicos que brincaram com o Laboratório Químico Juvenil. Alguém lembra da experiência para saber se havia amido em alguma coisa? Pingar uma gota de iodo sobre uma fatia de batata? Pois é.)

Na satisfação de ter encontrado o whey em pó tão facilmente, não prestei a atenção devida ao que estava escrito na etiqueta. Dizia: Whey 80%. Porém, sem dizer o que seriam os 20% restantes. Feito o teste com o iodo e bingo. Amido!

Assim, enquanto não encontrar whey em pó 100%, fico com o leite e ainda ganho uma pastinha para passar no pão ao final do processo todo.

Pedaço do Canson Aquarela e whey com a adição de uma gota de tintura de iodo.

Jean-Louis-Henri Le Secq des Tournelles (1818-1882). De família nobre, foi um dos cinco fotógrafos integrante das  Missions Héliographiques, contratados pelo governo francês para registrar o patrimônio arquitetônico histórico da França. Pintor, seu interesse pela fotografia surgiu logo quando da divulgação da daguerreotipia. Trabalhou com Gustave Le Gray, com quem aprendeu a técnica do papel encerado e se manteve ativo, como fotógrafo, até 1856 quando retornou à pintura e ao colecionismo de objetos medievais de ferro.

Tendo feito suas melhores imagens usando o processo da calotipia, por volta de 1870, temendo questões relativas a permanência dos negativos originais, Le Secq os reproduziu usando a cianotipia, processo já reconhecido na época por sua estabilidade.

Henri Le Secq portrait.jpg

Henri Le Secq, fotografado por Gustave Le Gray.

Resultado de imagem para henri lesecq cyanotypes                                      Catedral de Cartres. Cianotipia feita a partir de calótipo. Henri Le Secq.

 

Apesar de em seu texto original Sutton informar que este processo independe da formação de haletos de prata, na revisão, feita em 1856, ele admite um eventual resíduo de cloreto de sódio no soro.
Explicando melhor: Ao tempo de Sutton o que tradicionalmente se usava para talhar leite eram pequenos pedaços salgados do estomago de novilhos (por conta da presença de determinadas enzimas) e que, apesar de lavados poderiam ainda conter algum sal.

Então para subverter um pouco o processo foram adicionadas quatro gotas de tintura de iodo (dessas de farmácia), que em sua formulação contem iodeto de potássio a 2%, e mantidas todas as demais condições anteriores. O resultado também é bastante promissor.

Tempo de exposição: 35 minutos

 

O Sensibilizante

A preparação da solução ácida de nitrato de prata ou acetonitrato (termo utilizado por vários pesquisadores durantes os primeiros anos da fotografia), para sensibilizar o papel preparado com soro de leite, é bem simples.

Dissolva 2 g de nitrato de prata em 30 ml de água. Quando o nitrato estiver totalmente dissolvido, adicione 2 ml de ácido acético glacial.

A fórmula original de Sutton indica as seguintes medidas: 30 grãos de nitrato de prata, que equivalem a, aproximadamente, 1,95g. Uma onça fluida de água, equivalente a 29 e alguma coisa ml. E um escrópulo de ácido acético glacial que é um volume próximo dos 1,18ml. Porém como não disponho de equipamentos para medidas tão precisas e para não complicar o caminho de quem quiser repetir o processo, as medidas foram arredondadas, a maior, para unidades inteiras.

A aplicação dessa solução sobre o papel deve ser feita com uma trincha macia e limpa.

ATENÇÃO: A APLICAÇÃO DA SOLUÇÃO BEM COMO A SECAGEM DO PAPEL DEVEM OBSERVAR CONDIÇÕES DE LUZ DE SEGURANÇA VERMELHA OU ÂMBAR. O PAPEL, DEPOIS DE SECO, DEVE SER MANTIDO AO ABRIGO DE QUALQUER FONTE DE LUZ BRANCA E DEVE SER USADO EM ATÉ TRÊS DIAS.  

O Revelador

Uma solução saturada de ácido gálico deve ser utilizada. (Solução saturada é aquela onde o solvente não tem mais capacidade de dissolver o soluto.) Esta solução, depois de preparada em volume suficiente para cobrir toda a área do papel, deve ser filtrada e guardada em um frasco âmbar. Um litro revela em média 10 folhas A4.

O Fixador

É simples. Tiossulfato de sódio a 10% (Hipossulfito)

A Exposição

Feita da mesma maneiro dos demais processos de impressão por contato, ou seja papel e negativo juntos e sanduíche de vidro. Como a combinação do soro do leite com o nitrato de prata é sensível à luz branca, não há necessidade do uso de qualquer fonte UV, o conjunto deve ser abrigado até o momento da exposição. A montagem do conjunto para exposição pode ser feita na penumbra.
Não há necessidade de incidência direta da luz do sol bastando que uma janela fique aberta para que a reação se desenvolva. O tempo de exposição pode variar entre cinco minutos e uma hora, dependendo da claridade da luz.
(Não testei ainda com luz elétrica)

A Revelação

Ao ser encerrada a exposição o papel apresentará traços da imagem nas áreas de sombra e praticamente nada nas áreas das altas luzes. O papel deve ser colocado na solução reveladora de uma só vez e o controle é visual. Também aqui o trabalho deve ser feito sob luz de segurança. Caso isso não aconteça As altas luzes apresentaram um véu acinzentado que progredirá até a veladura total da imagem.

Fixação e Lavagem

Fixe a impressão por três ou quatro minutos (a partir do primeiro minuto a luzes já podem ser acesas) e lave a por meia hora para eliminar o fixador.

Abaixo, depois de onze tentativas e ajustes, a primeira impressão para ser mostrada feita com a utilização de um negativo de papel encerado para simular o máximo possível as condições descritas por Sutton.

                            Tempo de exposição: 25 minutos

 

 

 

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