Fotografia nunca foi uma atividade barata e a fotografia alternativa, por sua própria natureza, tem um custo mais elevado ainda. Os químicos envolvidos nos diversos processos não se encontram em pequenas quantidades. Os papeis não são facilmente encontrados na papelaria da esquina e, principalmente, os erros são frequentes.
Uma das formas para reduzir esses custos é usar negativos de papel, que naturalmente têm suas limitações se comparados aos negativos feitos em transparências. Ganha-se no custo e perde-se na nitidez e detalhamento da imagem. Porém essa perda pode ser minimizada, sem um aumento significativo no custo, com o uso de uma impressora LASER ao invés de jato de tinta.  A imagem produzida pelos negativos de papel, impressos com LASER, apresenta uma nitidez e um nível de detalhamento semelhante aos das transparências.

Cianotipia feita a partir de negativo de papel encerado. Impressão do negativo feita em uma impressora LASER.

Cianotipia feita a partir de negativo de papel encerado. Impressão do negativo feita em uma impressora LASER.

O nível de detalhamento e nitidez é muito alto e bem superior ao que seria obtido com um negativo impresso com jato de tinta.

O nível de detalhamento e nitidez é muito alto e bem superior ao que seria obtido com um negativo impresso com jato de tinta.

 

Qualquer um que ultrapasse o estágio inicial da mera curiosidade sabe que, no Brasil, o número de pessoas que estuda e pratica qualquer processo fotográfico alternativo não passa de “meia-dúzia-de-três-ou-quatro”. Por isso mesmo, é sempre bom descobrir mais um.

Alex Gimenes, de São Paulo, está desenvolvendo um projeto para produzir ambrótipos e ferrótipos e confirmando a regra sabida por todos que entram no campo da fotografia alternativa: Não existe nada pronto na prateleira da loja. Qualquer coisa, você vai ter que fazer.

Tanques de sensibilização e fixação.

                                    Tanques de sensibilização e fixação.

Processos históricos ou alternativos de impressão fotográfica quase sempre envolvem um estágio de manipulação intensa do papel molhado. A recomendação é de que sempre se use papeis com gramaturas altas para que se evite perder a impressão por conta de rasgos ou do simples desmanche do papel.
Isso reduz bastante a gama de papeis que podem ser utilizados, além de elevar o custo geral com os erros que quase sempre acontecem. Por mais que se tenha controle sobre o processo, “Murphy” não perdoa. Fazer testes com papeis caros, a menos que se tenha uma árvore de dinheiro no quintal, não é uma boa idéia.

Testes podem ser feitos em papeis de gramatura mais leve e de menor custo. As observações obtidas desses “ensaios” vão ajudar a controlar um pouco mais uma exposição feita com o papel mais caro. Abaixo um teste feito com papel linho 180g. A diferença de custo é muito grande para não ser levada em conta. R$ 0,32 por folha contra R$ 3,38 por folha de Canson Montval (Casa do Artista).

O único grande desfio é trabalhar com um pouco mais de cuidado na fase molhada do processo.

Teste com papel linho 180g

Teste com papel linho 180g

Normalmente quem se aventura na fotografia alternativa acaba descobrindo que vai ter que fazer pessoalmente tudo o que for necessário. Da preparação das soluções, sensibilização do suporte e tudo o mais até a secagem final da impressão. Isso vale tanto para a sofisticação de uma impressão a carvão, quanto a cianotipia mais simples.

De vez em quando, porém, surge alguém que torna esse caminho bem mais curto. Esse é o caso, e até onde sei único no Brasil, da turma do Lab Clube, do Rio de Janeiro.
Em novembro do ano passado, durante a oficina de gelatina de prata, ficou combinado que me mandariam algumas folhas já preparadas para cianotipia para fazer alguns testes. Tudo acertado e depois foi só ter a paciência para aguardar o correio com as desculpas já tradicionais de final de ano. Entre postagem, trânsito e entrega, o papel ficou dezoito (!!!) dias sensibilizado e sem uso.

Ao abrir o saco de plástico preto, a primeira folha estava com uma cor quase verde musgo, bem escurecida. Pensei no pior por conta do tempo decorrido entre a sensibilização e o uso.
Como não tinha como antecipar qualquer resultado resolvi fazer as exposições de modo a poder interrompê-las sempre que quisesse verificar seu andamento.
Após duas tentativas não muito bem sucedidas por conta de tempos de exposição não compatíveis com o estado do papel e por estar usando negativos de papel encerado, imaginei aumentar o tempo de exposição para compensar a oxidação dos 18 dias postais.
Eis alguns dos resultados:

Papel para cianotipia Lab Clube.

Papel para cianotipia Lab Clube.

Papel para cianotipia Lab Clube

Papel para cianotipia Lab Clube.

papel para cianotipia Lab Clube.

papel para cianotipia Lab Clube.

A qualidade das impressões em nada ficou dever a qualquer papel sensibilizado e usado dentro de um prazo curto. Acredito que qualquer um que queira se iniciar na fotografia alternativa, mas ainda não tem o domínio completo do processo, pode usar sem susto esse papel feito pelo Lab Clube.

 

Foi pouco o tempo de exposição, ou foi muito. A química estava contaminada, o fixador vencido. O papel não era o adequado e a alteração da fórmula, que você pensou ser genial, não funcionou, e lá se vai mais uma folha do seu precioso 300g/m2 para o lixo. Certo?

Talvez, pode ser que antes de rasgar a folha você encontre um toco de 6B ou um carvão. Também serve Bic de tampa roída ou até aquarela ressecada. Quem sabe? É melhor  que comprar livro para “adulto” colorir.

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Deveria ser uma cianotipia com a fórmula alterada, mas não funcionou, (ainda). Um fiel 6B e se começa a descobrir que um pouco mais de pressão aqui, uma inclinação diferente ali…