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Qualquer fotógrafo com mais de trinta anos de idade, alguma vez na vida deve ter entrado em um laboratório para revelar um filme ou fazer uma ampliação e, com certeza, muitos dos que hoje estão começando a fazer fotografia nunca terão que acostumar os olhos a uma luz vermelha nem aguentar o cheiro de ácido acético.

Pensar em fotografia tradicional nos dias de hoje é cada vez mais se aproximar do campo autoral e artístico, onde não existe a figura do cliente ao telefone pressionando para que o trabalho seja entregue rapidamente. Um campo onde são permitidas experiências com as imagens, os processos e a forma de apresentação.

Porém, como eu ainda continuo na esteira do último post, digo que em Pindorama, hoje, tentar fazer fotografia tradicional é pedir para passar raiva. Os grandes fabricantes de filmes, papeis fotográficos e dos químicos deixaram de fazê-lo por conta do tal “mercado”, e quem quiser entrar nessa estrada tem diante de si duas opções: ou pagar um bom dinheiro nas poucas lojas que ainda importam algum material para fotografia tradicional, ou então aprender a fazer e a improvisar.

Voltando ao laboratório. A grande estrela de qualquer quarto escuro era o ampliador. Dos mais caros aos mais em conta, comprados novos ou usados, pouco importava, ele era o centro das atenções, mas mesmo na falta de um , ainda assim se pode fazer ampliações, da maneira tradicional, em casa, aproveitandor o melhor dos dois mundos – o químico e o digital.

Papel fotográfico, químicos, um quarto que possa ser vedado. Até aí , nada demais.

Não tem um ampliador? Sem problemas. Use um chassis para exposição  ou um sanduíche de vidro. Nos dois casos a cópia será feita por contato, então recorre-se ao digital. Os mesmos negativos usados para os processos alternativos podem ser usados aquí. A diferença vai ser a exposição que é feita em luz aberta, ou seja, o trabalho todo é sempre com f1. Uma vez colocados o papel e o negativo no chassis ou no “sanduíche é só acender a luz do quarto e depois apagá-la. Não dá para dizer por quanto tempo já que a lâmpada pode ser de 40, 60 ou 100W, a distância do papel também vai contar assim como seu controle no interruptor.

Para a fotografia abaixo, foi feita uma exposição com uma lâmpada de 60W, no teto do quarto ( +/_ 3,30m de pé-direito) com o tempo equivalente ao do ligar e desligar o interruptor de forma normal ( aproximadamente dois segundos). São mostrados também os dois extremos obtidos.

O papel usado foi o FOMASPEED SP312, mate. Revelador feito em casa com a fórmula equivalente ao Kodak D-72 ( 1:1, dois minutos), fixador comercial Kodak.

exposição correta

cópia subexposta - interruptor ligado e imediatamente desligado (flashing)

cópia superexposta - aproximadamente quatro segundos

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No post , “Ainda mais uma para cianotipia – Visual”, datado de 21/09/2009 , foram mostradas as etapas para se fazer uma cianotipia e lá, para contornar a falta de equipamento adequado, a exposição do papel sensibilizado foi feita com um “sanduíche” formado por duas placas de vidro.

Os fotógrafos dos primeiros tempos usavam um chassis próprio para fazer as impressões que, como já foi dito algumas vezes no blog, eram feitas por contato e, atualmente, os fotógrafos europeus e norte-americanos que se dedicam à fotografia alternativa têm a sua disposição não só ainda alguns bem valorizados chassis antigos, mas também pessoas que não perderam o conhecimento do objeto em si, como também conservaram a técnica e a habilidade de construi-lo. (Infelizmente, em Pindorama, o passado não serve como fonte de conhecimento, a experiência é confundida com senilidade e a memória, na melhor das hipóteses, vai somente até a dança da moda no último verão ou o refrão de alguma música sertaneja).

Mesmo assim, o otimismo continua a ser um traço característico do povo pindoramense, (ou será pindorâmico), e sempre que posso procuro um jeito de conseguir algum livro de época para estudar e conhecer melhor esse ou aquele processo alternativo ou algum equipamento específico. Muitas vezes não encontro nem um nem outro mas, de vez em quando, alguma coisa dá certo e dessa vez foi alguém que não fez cara de espanto ou pena e que acabou se interessando em construir o dito chassis.

Pois então, lá vão as fotografias do chassis para fazer exposições com processos fotográficos alternativos, construído pelo amigo José Geraldo Ferreira.

Se você quiser encomendar um é só ir para a página de equipamentos.

Chassis desmontado

janela para inspeção da imagem sem alterar o registro do negativo

Chassis fechado

exposição