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De repente alguém vem e pergunta:

– Encontrei esse bloco no fundo de uma caixa. Te interessa?

Mais de 90 folhas 23,5 x 31 cm. Gramatura 200g. Textura fina e tonalidade creme bem claro. Fabricante desconhecido, mas de excelente qualidade. As marcas da passagem do tempo se limitam às bordas e nada mais.
Minha resposta é óbvia.
Agora é decidir qual o melhor tema e processo para aproveitar esse presente.

A propósito. A Via Calzaiuoli continua em Florença,  já Galotti e Parenti não se sabe mais deles.

 

Venha aprender a fazer o seu próprio papel fotográfico!

Dias 1º e 2 de julho no Lab Clube.

Papel fotográfico – Gelatina de cloreto de prata.

Fotografia nunca foi uma atividade barata e a fotografia alternativa, por sua própria natureza, tem um custo mais elevado ainda. Os químicos envolvidos nos diversos processos não se encontram em pequenas quantidades. Os papeis não são facilmente encontrados na papelaria da esquina e, principalmente, os erros são frequentes.
Uma das formas para reduzir esses custos é usar negativos de papel, que naturalmente têm suas limitações se comparados aos negativos feitos em transparências. Ganha-se no custo e perde-se na nitidez e detalhamento da imagem. Porém essa perda pode ser minimizada, sem um aumento significativo no custo, com o uso de uma impressora LASER ao invés de jato de tinta.  A imagem produzida pelos negativos de papel, impressos com LASER, apresenta uma nitidez e um nível de detalhamento semelhante aos das transparências.

Cianotipia feita a partir de negativo de papel encerado. Impressão do negativo feita em uma impressora LASER.

Cianotipia feita a partir de negativo de papel encerado. Impressão do negativo feita em uma impressora LASER.

O nível de detalhamento e nitidez é muito alto e bem superior ao que seria obtido com um negativo impresso com jato de tinta.

O nível de detalhamento e nitidez é muito alto e bem superior ao que seria obtido com um negativo impresso com jato de tinta.

 

Normalmente quem se aventura na fotografia alternativa acaba descobrindo que vai ter que fazer pessoalmente tudo o que for necessário. Da preparação das soluções, sensibilização do suporte e tudo o mais até a secagem final da impressão. Isso vale tanto para a sofisticação de uma impressão a carvão, quanto a cianotipia mais simples.

De vez em quando, porém, surge alguém que torna esse caminho bem mais curto. Esse é o caso, e até onde sei único no Brasil, da turma do Lab Clube, do Rio de Janeiro.
Em novembro do ano passado, durante a oficina de gelatina de prata, ficou combinado que me mandariam algumas folhas já preparadas para cianotipia para fazer alguns testes. Tudo acertado e depois foi só ter a paciência para aguardar o correio com as desculpas já tradicionais de final de ano. Entre postagem, trânsito e entrega, o papel ficou dezoito (!!!) dias sensibilizado e sem uso.

Ao abrir o saco de plástico preto, a primeira folha estava com uma cor quase verde musgo, bem escurecida. Pensei no pior por conta do tempo decorrido entre a sensibilização e o uso.
Como não tinha como antecipar qualquer resultado resolvi fazer as exposições de modo a poder interrompê-las sempre que quisesse verificar seu andamento.
Após duas tentativas não muito bem sucedidas por conta de tempos de exposição não compatíveis com o estado do papel e por estar usando negativos de papel encerado, imaginei aumentar o tempo de exposição para compensar a oxidação dos 18 dias postais.
Eis alguns dos resultados:

Papel para cianotipia Lab Clube.

Papel para cianotipia Lab Clube.

Papel para cianotipia Lab Clube

Papel para cianotipia Lab Clube.

papel para cianotipia Lab Clube.

papel para cianotipia Lab Clube.

A qualidade das impressões em nada ficou dever a qualquer papel sensibilizado e usado dentro de um prazo curto. Acredito que qualquer um que queira se iniciar na fotografia alternativa, mas ainda não tem o domínio completo do processo, pode usar sem susto esse papel feito pelo Lab Clube.

 

A fotografia alternativa não se resume tão somente aos processos históricos. O arsenal de conhecimentos sobre fotografia, oficialmente acumulado desde 1826, torna possível imaginar novas formas, fórmulas e processos para a produção de uma imagem fotográfica.
É verdade que em grande parte das tentativas, aquela “idéia genial” não funciona tão bem quanto esperado. Na verdade tudo conspira contra. A química pode não ser adequada ou a fórmula não ter sido corretamente calculada em seus pesos e volumes. Encontrar o tempo médio para uma boa exposição é mais tentativa e erro do que qualquer outra coisa. Não se consegue permanência. A lista de variáveis é grande.
Abaixo, alguns testes feitos com uma nova “fórmula secreta”. Já com algumas variações nos tempos de exposição, concentração dos químicos e alteração no número de camadas de emulsão.  Sempre com o mesmo negativo de papel encerado. Por enquanto é só uma experiência por conta de uma idéia.  Se funcionar, vai aparecer aqui com todos os dados

fabio-originais