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Venha aprender a fazer o seu próprio papel fotográfico!

Dias 1º e 2 de julho no Lab Clube.

Papel fotográfico – Gelatina de cloreto de prata.

A Propósito do “Mais Artístico” Preto e Branco

Qualquer um que se aventure a fotografar, seja ele profissional ou um amador dedicado, já escutou a frase: “Prefiro preto e branco… é mais artístico.” Só que até hoje não consegui que ninguém me explicasse realmente o que vem a ser esse tal de “mais artístico”, e nem porque a fotografia colorida é muitas vezes tida com inferior em relação àquela em preto e branco.

Salvo as experiências de James Maxwell, ainda no século XIX, e os autocromos dos irmãos Lumière, as fotografias coloridas somente se firmaram com o lançamento do filme Kodachrome em 1935.

Desde o início da fotografia, o mundo só conheceu imagens monocromáticas. Todos os processos de impressão fotográfica, comercialmente viáveis, somente produziam imagens monocromáticas. Outro ponto que merece também alguma atenção é facilidade, tanto no processo quanto no custo financeiro, de revelação e impressão das fotografias monocromáticas em relação às coloridas. Qualquer um que já tenha montado um laboratório no banheiro de casa sabe disso.

Todos os argumentos sobre as texturas que são ressaltadas ou os jogos com as luzes e sombras, que valorizam esse ou aquele aspecto da cena fotografada, utilizados para justificar o caráter “mais artístico”das imagens em preto e branco também valem para as imagens coloridas.

Talvez se valorize mais o preto e branco por conta de alguma memória afetiva,  sedimentada desde o início da fotografia. Talvez a falta de mais informação visual que o colorido oferece nos excite a imaginação. Quem sabe o fato de enxergarmos o mundo em cores nos deixa a impressão de que uma fotografia colorida seja somente um mero registro da realidade, enquanto a monocromática implique em uma abstração feita pelo autor da imagem para dar sua interpretação do que vai ao seu redor.

Seja qual for o argumento utilizado, ainda assim não me convence da superioridade de uma sobre a outra. O que existe são boas fotografias ou fotografias que não prestam, tanto monocromáticas quanto coloridas. A qualidade artística, (ou sua falta), é tão somente fruto do talento de quem executou o trabalho.

(Um delírio final: Van Gogh ou Monet seriam “mais artísticos” em pb?)

E já que falei em fotografia em preto e branco versus a colorida e para não perder o costume, segue um link para uma publicação da Kodak. “The Photography of Colored Objects” , publicado inicialmente em 1909 e reeditado regularmente, que trata sobre a fotografia em preto e branco de objetos coloridos.

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Fotografia nunca foi uma atividade barata e a fotografia alternativa, por sua própria natureza, tem um custo mais elevado ainda. Os químicos envolvidos nos diversos processos não se encontram em pequenas quantidades. Os papeis não são facilmente encontrados na papelaria da esquina e, principalmente, os erros são frequentes.
Uma das formas para reduzir esses custos é usar negativos de papel, que naturalmente têm suas limitações se comparados aos negativos feitos em transparências. Ganha-se no custo e perde-se na nitidez e detalhamento da imagem. Porém essa perda pode ser minimizada, sem um aumento significativo no custo, com o uso de uma impressora LASER ao invés de jato de tinta.  A imagem produzida pelos negativos de papel, impressos com LASER, apresenta uma nitidez e um nível de detalhamento semelhante aos das transparências.

Cianotipia feita a partir de negativo de papel encerado. Impressão do negativo feita em uma impressora LASER.

Cianotipia feita a partir de negativo de papel encerado. Impressão do negativo feita em uma impressora LASER.

O nível de detalhamento e nitidez é muito alto e bem superior ao que seria obtido com um negativo impresso com jato de tinta.

O nível de detalhamento e nitidez é muito alto e bem superior ao que seria obtido com um negativo impresso com jato de tinta.

 

Qualquer um que ultrapasse o estágio inicial da mera curiosidade sabe que, no Brasil, o número de pessoas que estuda e pratica qualquer processo fotográfico alternativo não passa de “meia-dúzia-de-três-ou-quatro”. Por isso mesmo, é sempre bom descobrir mais um.

Alex Gimenes, de São Paulo, está desenvolvendo um projeto para produzir ambrótipos e ferrótipos e confirmando a regra sabida por todos que entram no campo da fotografia alternativa: Não existe nada pronto na prateleira da loja. Qualquer coisa, você vai ter que fazer.

Tanques de sensibilização e fixação.

                                    Tanques de sensibilização e fixação.

Processos históricos ou alternativos de impressão fotográfica quase sempre envolvem um estágio de manipulação intensa do papel molhado. A recomendação é de que sempre se use papeis com gramaturas altas para que se evite perder a impressão por conta de rasgos ou do simples desmanche do papel.
Isso reduz bastante a gama de papeis que podem ser utilizados, além de elevar o custo geral com os erros que quase sempre acontecem. Por mais que se tenha controle sobre o processo, “Murphy” não perdoa. Fazer testes com papeis caros, a menos que se tenha uma árvore de dinheiro no quintal, não é uma boa idéia.

Testes podem ser feitos em papeis de gramatura mais leve e de menor custo. As observações obtidas desses “ensaios” vão ajudar a controlar um pouco mais uma exposição feita com o papel mais caro. Abaixo um teste feito com papel linho 180g. A diferença de custo é muito grande para não ser levada em conta. R$ 0,32 por folha contra R$ 3,38 por folha de Canson Montval (Casa do Artista).

O único grande desfio é trabalhar com um pouco mais de cuidado na fase molhada do processo.

Teste com papel linho 180g

Teste com papel linho 180g