You are currently browsing the tag archive for the ‘exposição’ tag.

Dezembro não é mês para postagens (isso também vale para janeiro, fevereiro e junho). Natal, reveillon, férias. Tudo conspirando contra.
Mas como a teimosia é bem maior, segue o bonde.

Gelatina de prata ( iodeto) acidentalmente exposta por não mais do que 2 segundos. Isso aconteceu em outubro. Hoje fui fazer algumas cópias combinado gelatina de iodeto de prata com a de cloreto. E o resultado foi um completo desastre. Os papeis preparados logo no primeiro contato com o revelador já se mostraram totalmente velados.
Para não dizer que tudo foi perdido, tem papel para lumem.

Anúncios

Tenho guardados dois frascos com um pouco das soluções de citrato e ferricianeto para cianotipia. O preparo ocorreu há mais de um ano e tudo apontava para o descarte puro e simples. A solução de citrato, como só podia acontecer, apresentava uma bela camada de bolor e o ferricianeto, um pouco turvo.
Mas, como a idéia deste blog é sempre passar alguma informação para tornar a prática de processos alternativos de impressão fotográfica o mais simples possível ( e a baixo custo, também), resolvi testar se ainda poderia usar as duas soluções fazendo dois fotogramas de uma folha de amoreira.
Duas exposições: 15 e 20 minutos.
Indice UV: Extremo
Papel: Não faço a menor idéia. Como é um teste só para verificar a validade da química, melhor um papel sem pedigree, manuseado com muito cuidado, já que a gramatura não deve chegar a 200.
A escolha pelo fotograma de uma folha ficou por conta de ser uma exposição obrigatoriamente longa. Isso evita que haja um falso resultado devido a eventual subexposição.
Conclusão: Não precisa jogar fora. Mesmo depois de muito tempo a química da cianotipia. Desde que devidamente guardada em frasco escuro, ainda funciona sem qualquer alteração. Para retirar o bolor de citrato e clarear o ferricianeto, passe as soluções por um filtro de café, desses de papel mesmo.

DSCF8652

Início da exposição. A direita o sensor de UV.

DSCF8654

UV extremo. Agulha no batente.

DSCF8656

A de cima, 20 minutos. A de baixo, 15 minutos. Os veios da folha ainda não tão evidentes. Talvez com 30 ou 35 minutos.

 

Fotografia é técnica aplicada. Uma boa imagem é o resultado do conhecimento técnico do fotógrafo associado à sua sensibilidade, ou criatividade, ou qualquer outro nome que se queira dar a essa parte intangível que usa a técnica para se expressar. Além de ser uma técnica, a fotografia depende de equipamentos para sua execução. Quanto maior for o domínio de fotógrafo sobre os vários equipamentos utilizados, maiores serão as chances de sua “arte” produzir um bom trabalho.
Quando falamos em fotografia alternativa o que foi dito acima também vale, ainda que sejam equipamentos básicos, improvisados ou mesmo criados para atender a uma determinada situação que surgiu, mesmo assim ainda são ferramentas externas que possibilitam a execução de um trabalho.

O maior problema de quem pratica algum dos processos alternativos de impressão fotográfica, usando o sol como fonte de UV, é saber qual o tempo correto para uma exposição.

Qual a intensidade do UV no lugar e na hora que se está fazendo a exposição? Os índices indicados nos sites meteorológicos podem até ajudar para que se tenha uma noção da média de uma determinada região, porém se existir a possibilidade de se obter o índice no ponto exato onde será feita a exposição, maior será o controle sobre o tempo necessário.

A contrário do que pode sugerir o senso comum, altos índices de radiação UV não são garantia de bons resultados para qualquer processo alternativo de impressão fotográfica. A velocidade com que se alcança a densidade máxima nas áreas de sombra gera uma perda quase total dos detalhes da imagem, além de tornar indefinidos os limites entre as áreas de sombra e de altas luzes resultando em uma imagem “nublada”. O tempo de exposição deve sempre que possível ser adequado às condições existentes no momento que é feita. Isso evita o desperdício de papel, química e tempo para acertar ponto. ( Mais ainda para quem está iniciando.)

Por sorte tenho um amigo que, além de engenheiro, é fotógrafo e, principalmente, curioso. Então, conversa vai, conversa vem… surge uma idéia e aparece uma caixinha.

Medidor de UV

Medidor de UV

As primeiras medidas já estão sendo feitas. Depois, começar a relacionar as voltagens obtidas com os graus de intensidade… Ainda algumas contas pela frente.

Em qualquer processo de impressão por contato manter o registro exato entre o negativo e o suporte é fundamental. Porém se você não usar uma chassis ou “moldura” própria para isso, a possibilidade de erros no tempo de exposição aumenta muito. Em tempos de dinheiro curto gastar papel bom por conta disso não se pode admitir.

Chassis para impressão por contato. Note a "janela" para inspeção da exposição.

Chassis para impressão por contato. Note a “janela” para inspeção da exposição.

Agora, se você não tem a habilidade para montar um desses, ou não conhece ninguém que possa fazer um, ou não tem grana para encomendar, ou qualquer combinação dos três anteriores, e fica dependendo do sanduíche de vidro enquanto torce para que nenhuma nuvem passe na frente do sol durante a espera do tempo “médio” de exposição  para esse ou aquele processo, experimente usar uma humilde fita adesiva… Isso mesmo! A boa e velha Fita Durex.

Lembre-se ainda que, nesse caso: Um é pouco. Dois é bom. Três é melhor. ( Um dos lados tem que ficar livre para se ver o andamento da exposição.)

Abaixo a sequência de impressão de uma cianotipia feita a partir de negativo de papel “encerado”. Tempo total: 10 minutos com luz do sol direta e céu limpo. Índice UV: Extremo.

Fixação em 3 pontos.

Fixação em 3 pontos.

3 minutos de exposição. Ainda não é o suficiente.

3 minutos de exposição. Ainda não é o suficiente.

10 minutos. Final da exposição.

10 minutos. Fim da exposição.

Resultado final.

Resultado final.

 

Não é fotografia alternativa no senso estrito da expressão, porém é uma história que deve ser conhecida por qualquer fotógrafo que se interesse pela vida e o trabalho de outros que se dedicaram a registrar o seu tempo.

Mesmo que as fotografias tenham sido feito por uma simples babá com sérios problemas psicológicos, a qualidade da maioria das imagens e o volume de material deixado, garantem à Vivian Maier um lugar de destaque entre os fotógrafos do século XX.

Vale a pena assistir o documentário “Finding Vivian Maier” (A Fotografia Oculta de Vivian Maier).

fvm_970x390_05

Arquivos

Anúncios