Para melhor explicar o processo de execução de uma daguerreotipia vamos dividí-lo em etapas.

Iniciamos com o suporte. É necessário uma placa de metal folheada com prata. Até aí não há qualquer problema (exceto, talvez, o custo do material). Originalmente Daguerre utilizou placas de cobre, mas qualquer outro metal pode ser usado.

O passo seguinte é polir essa camada de prata até que se obtenha uma superfície espelhada. Quanto mais perfeito for o reflexo, melhor será o resultado final. Qualquer imperfeição no polimento ou arranhão na superfície causará uma imagem final imperfeita.

Deve-se também prestar atenção redobrada para, depois do polimento não se tocar a placa diretamente com os dedos para que as impressões digitais não sejam depois “reveladas ” junto com a imagem. O ideal para manusear a placa é usar luvas de tecido.

Uma vez pronta a placa, esta deve ser sensibilizada. Isto é feito colocando-a em contato com “vapores de iodo”.  No fundo de um recipiente, de tamanho adequado para apoiar a placa, deve ser colocada uma pequena quantidade de cristais de iodo. 

Atenção: Não deve ser deixado qualquer espaço livre. Caso a placa tenha dimensões menores que o recipiente pode ser feita uma moldura de modo a tampar completamente o recipiente. Dependendo da quantidade de iodo, depois de vinte segundos a face da placa que se deseja sensibilizar irá apresentar uma coloração alaranjada.

Essa operação cria uma camada de iodeto de prata que é o haleto fotossensível. Como variação pode ser utilizado para a sensibilização da placa o brometo de potássio. A formação do brometo de prata resultante, por ser mais sensível, irá fazer com que o tempo de exposição seja menor.

Com a placa devidamente sensibilizada, a exposição deve ser feita sem muita demora. Feita a exposição a placa ainda não apresenta qualquer tipo de imagem sendo necessário que seja revelada.

A revelação na daguerreotipia tradicional envolve submeter a placa exposta a vapores de mercúrio. Essa operação é bastante perigosa com o uso de um pouco de mercúrio metálico que deve ser aquecido em um fornilho fechado ( semelhante ao que se faz com o iodo para a sensibilização da placa).

Uma vez revelada a imagem, esta deve ser fixada com uma solução de hipossulfito de sódio a 10%.

Especial atenção deve ser dada à imagem formada que é muito frágil, sendo sucetível a arranhões e manchas. Por isso é que os daguerrotipos são sempre montados com um vidro protetor diante da placa.

Uma medida que pode ser tomada depois da revelação da placa para intensificar sua cor e contraste é uma viragem feita com cloreto de ouro a 1%. Isso é feito colocando-se a solução diretamente sobre a placa de modo a recobrí-la inteiramente e depois aquecida pelo lado oposto com uma pequena chama. Atenção: A solução sobre a placa deve ser aquecida sem que ferva. Caso isso ocorra a imagem ficará manchada nos pontos onde ocorreu a ebulição.

Existe outro processo para a realização de um deaguerreotipo, desenvolvido por Becquerel, que não usa mercúrio, que em breve será postada.

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