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Depois de muito tempo trancado em uma gaveta, finalmente saiu. Manual de Cianotipia e Papel Salgado, em português. Pré-vendas, aqui.

Mais um pouco sobre o tal papel desconhecido.

Durante uma sessão de impressão algumas folhas revelaram sua marca d’água. Mesmo assim ainda não foi possível saber mais nada sobre Raffaello Galvani.

A Propósito do “Mais Artístico” Preto e Branco

Qualquer um que se aventure a fotografar, seja ele profissional ou um amador dedicado, já escutou a frase: “Prefiro preto e branco… é mais artístico.” Só que até hoje não consegui que ninguém me explicasse realmente o que vem a ser esse tal de “mais artístico”, e nem porque a fotografia colorida é muitas vezes tida com inferior em relação àquela em preto e branco.

Salvo as experiências de James Maxwell, ainda no século XIX, e os autocromos dos irmãos Lumière, as fotografias coloridas somente se firmaram com o lançamento do filme Kodachrome em 1935.

Desde o início da fotografia, o mundo só conheceu imagens monocromáticas. Todos os processos de impressão fotográfica, comercialmente viáveis, somente produziam imagens monocromáticas. Outro ponto que merece também alguma atenção é facilidade, tanto no processo quanto no custo financeiro, de revelação e impressão das fotografias monocromáticas em relação às coloridas. Qualquer um que já tenha montado um laboratório no banheiro de casa sabe disso.

Todos os argumentos sobre as texturas que são ressaltadas ou os jogos com as luzes e sombras, que valorizam esse ou aquele aspecto da cena fotografada, utilizados para justificar o caráter “mais artístico”das imagens em preto e branco também valem para as imagens coloridas.

Talvez se valorize mais o preto e branco por conta de alguma memória afetiva,  sedimentada desde o início da fotografia. Talvez a falta de mais informação visual que o colorido oferece nos excite a imaginação. Quem sabe o fato de enxergarmos o mundo em cores nos deixa a impressão de que uma fotografia colorida seja somente um mero registro da realidade, enquanto a monocromática implique em uma abstração feita pelo autor da imagem para dar sua interpretação do que vai ao seu redor.

Seja qual for o argumento utilizado, ainda assim não me convence da superioridade de uma sobre a outra. O que existe são boas fotografias ou fotografias que não prestam, tanto monocromáticas quanto coloridas. A qualidade artística, (ou sua falta), é tão somente fruto do talento de quem executou o trabalho.

(Um delírio final: Van Gogh ou Monet seriam “mais artísticos” em pb?)

E já que falei em fotografia em preto e branco versus a colorida e para não perder o costume, segue um link para uma publicação da Kodak. “The Photography of Colored Objects” , publicado inicialmente em 1909 e reeditado regularmente, que trata sobre a fotografia em preto e branco de objetos coloridos.

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Qualquer um que ultrapasse o estágio inicial da mera curiosidade sabe que, no Brasil, o número de pessoas que estuda e pratica qualquer processo fotográfico alternativo não passa de “meia-dúzia-de-três-ou-quatro”. Por isso mesmo, é sempre bom descobrir mais um.

Alex Gimenes, de São Paulo, está desenvolvendo um projeto para produzir ambrótipos e ferrótipos e confirmando a regra sabida por todos que entram no campo da fotografia alternativa: Não existe nada pronto na prateleira da loja. Qualquer coisa, você vai ter que fazer.

Tanques de sensibilização e fixação.

                                    Tanques de sensibilização e fixação.

A quantidade perguntas recebidas quanto ao uso de água destilada para a preparação das soluções usadas nos processos fotográficos alternativos, já justifica uma postagem específica sobre o assunto.
A maioria dos manuais do século XIX ao descreverem esse ou aquele processo sempre fazem menção que as soluções fotossensíveis devem ser preparadas com água destilada. Essa recomendação ainda hoje é reproduzida por vários praticantes da fotografia alternativa como se fosse um ponto fundamental para o sucesso de uma impressão.
Do ponto de vista puramente químico a utilização de água destilada tem sentido por conta da necessidade de resultados precisos em qualquer reação, porém para a fotografia a presença de uma parte por bilhão de outro elemento qualquer em uma solução de nitrato de prata não tem qualquer impacto na qualidade final de uma impressão em papel salgado, ou van dyke, ou qualquer outro processo.
Vale notar que na época de publicação dos manuais mencionados anteriormente a qualidade da água, especialmente nas grandes cidades, não chegava, nem de longe, ao que hoje temos em termos de salubridade e limpidez. ( Antes que alguém levante alguma objeção: Estou falando de locais onde existe tratamento regular das águas servidas à população e não daquelas águas vindas de cacimbas barrentas.)

Portanto, o uso de água destilada para a preparação das soluções é somente uma filigrana e não tem qualquer impacto perceptível na qualidade final da imagem.

São João del Rei, MG. 2008

Cianotipia.  São João del Rei, MG. 2008