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A Propósito do “Mais Artístico” Preto e Branco

Qualquer um que se aventure a fotografar, seja ele profissional ou um amador dedicado, já escutou a frase: “Prefiro preto e branco… é mais artístico.” Só que até hoje não consegui que ninguém me explicasse realmente o que vem a ser esse tal de “mais artístico”, e nem porque a fotografia colorida é muitas vezes tida com inferior em relação àquela em preto e branco.

Salvo as experiências de James Maxwell, ainda no século XIX, e os autocromos dos irmãos Lumière, as fotografias coloridas somente se firmaram com o lançamento do filme Kodachrome em 1935.

Desde o início da fotografia, o mundo só conheceu imagens monocromáticas. Todos os processos de impressão fotográfica, comercialmente viáveis, somente produziam imagens monocromáticas. Outro ponto que merece também alguma atenção é facilidade, tanto no processo quanto no custo financeiro, de revelação e impressão das fotografias monocromáticas em relação às coloridas. Qualquer um que já tenha montado um laboratório no banheiro de casa sabe disso.

Todos os argumentos sobre as texturas que são ressaltadas ou os jogos com as luzes e sombras, que valorizam esse ou aquele aspecto da cena fotografada, utilizados para justificar o caráter “mais artístico”das imagens em preto e branco também valem para as imagens coloridas.

Talvez se valorize mais o preto e branco por conta de alguma memória afetiva,  sedimentada desde o início da fotografia. Talvez a falta de mais informação visual que o colorido oferece nos excite a imaginação. Quem sabe o fato de enxergarmos o mundo em cores nos deixa a impressão de que uma fotografia colorida seja somente um mero registro da realidade, enquanto a monocromática implique em uma abstração feita pelo autor da imagem para dar sua interpretação do que vai ao seu redor.

Seja qual for o argumento utilizado, ainda assim não me convence da superioridade de uma sobre a outra. O que existe são boas fotografias ou fotografias que não prestam, tanto monocromáticas quanto coloridas. A qualidade artística, (ou sua falta), é tão somente fruto do talento de quem executou o trabalho.

(Um delírio final: Van Gogh ou Monet seriam “mais artísticos” em pb?)

E já que falei em fotografia em preto e branco versus a colorida e para não perder o costume, segue um link para uma publicação da Kodak. “The Photography of Colored Objects” , publicado inicialmente em 1909 e reeditado regularmente, que trata sobre a fotografia em preto e branco de objetos coloridos.

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Qualquer um que ultrapasse o estágio inicial da mera curiosidade sabe que, no Brasil, o número de pessoas que estuda e pratica qualquer processo fotográfico alternativo não passa de “meia-dúzia-de-três-ou-quatro”. Por isso mesmo, é sempre bom descobrir mais um.

Alex Gimenes, de São Paulo, está desenvolvendo um projeto para produzir ambrótipos e ferrótipos e confirmando a regra sabida por todos que entram no campo da fotografia alternativa: Não existe nada pronto na prateleira da loja. Qualquer coisa, você vai ter que fazer.

Tanques de sensibilização e fixação.

                                    Tanques de sensibilização e fixação.

A quantidade perguntas recebidas quanto ao uso de água destilada para a preparação das soluções usadas nos processos fotográficos alternativos, já justifica uma postagem específica sobre o assunto.
A maioria dos manuais do século XIX ao descreverem esse ou aquele processo sempre fazem menção que as soluções fotossensíveis devem ser preparadas com água destilada. Essa recomendação ainda hoje é reproduzida por vários praticantes da fotografia alternativa como se fosse um ponto fundamental para o sucesso de uma impressão.
Do ponto de vista puramente químico a utilização de água destilada tem sentido por conta da necessidade de resultados precisos em qualquer reação, porém para a fotografia a presença de uma parte por bilhão de outro elemento qualquer em uma solução de nitrato de prata não tem qualquer impacto na qualidade final de uma impressão em papel salgado, ou van dyke, ou qualquer outro processo.
Vale notar que na época de publicação dos manuais mencionados anteriormente a qualidade da água, especialmente nas grandes cidades, não chegava, nem de longe, ao que hoje temos em termos de salubridade e limpidez. ( Antes que alguém levante alguma objeção: Estou falando de locais onde existe tratamento regular das águas servidas à população e não daquelas águas vindas de cacimbas barrentas.)

Portanto, o uso de água destilada para a preparação das soluções é somente uma filigrana e não tem qualquer impacto perceptível na qualidade final da imagem.

São João del Rei, MG. 2008

Cianotipia.  São João del Rei, MG. 2008

No último post falei em curiosidade. Essa curiosidade vale tanto só para saber com qual o caminho percorrido até o sensor do seu smart, quanto pode, também, atiçar a vontade de ir um pouco além.
A série ” The Photographic Processes Series “, da George Eastman House, mostra em pequenos segmentos uma rápida história da fotografia desde seu início até a criação da captura digital.Vale a pena assistir, nem que seja um segmento por dia.

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A vencedor, as batatas!
Essa é a regra geral ao final de qualquer guerra e em 1945 não foi diferente. Os ativos econômicos não destruídos, patentes industriais e processos tecnológicos do extinto III Reich, foram divididos ( e também, mais simplesmente, pilhados ) entre os paises aliados vencedores.
A AGFA, fabricante de produtos fotográficos, não escapou a esse processo. Uma de suas fábricas, localizada em Wolfen ficou, na partilha da Alemanha, dentro da zona soviética e serviu de base para que a União Soviética desenvolvesse sua própria indústria de filmes fotográficos coloridos. Porém a AGFA possuía fábricas tanto do lado oriental quanto do ocidental e, em 1953, um acordo comercial entre as duas Alemanhas regularizou o uso dos produtos e da marca AGFA. A Alemanha Oriental usaria a marca para todos os países do bloco soviético enquanto o resto do mundo seria exclusivo da Alemanha Ocidental. obviamente isso não funcionava bem para o lado oriental que sem poder alcançar as maiores economias do mundo, ficava atado aos planejamentos estatais fora de qualquer realidade.
Em 1964 é criada a empresa ORWO (ORiginal WOlfen) para não haver qualquer problema quanto a exportação para o Ocidente dos produtos com tecnologia AGFA fabricados na Alemanha Oriental.

Em 1998, após a reunificação alemã e duas quebras, por não estar mais protegida pelo Estado,  a ORWO é comprada pela FilmoTec GmBH que ainda mantém a marca e continua a fabricar filmes fotográficos e cinematográficos especiais.

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Ao longo dos anos 1970 e 80 os filmes fotográficos ORWO podiam ser encontrados em algumas lojas de material fotográfico aqui no Brasil, mas como hoje lojas desse tipo fazem parte de um outro universo a muitos anos luz daqui, filmes fotográficos já podem ser considerados material histórico e alternativo.
Na foto acima, um filme 120 NP 22, ASA 125, exposto. Encontrado em Juiz de Fora, na Livraria Antiquária Quarup, que cedido pelo Cláudio. É lógico que com o prazo para revelação vencido há décadas, mas ainda assim valendo a pena processá-lo para ver o que pode ser revelado.