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Abaixo segue o excelente artigo recebido de Ernane Rezende Costa Cunha ( ernane_cunha@yahoo.com.br ), morador de Cachoeira de Minas, MG, mostrando que a fotografia de grande formato não precisa ser um bicho de sete cabeças. Para quem quiser se aventurar, vale a pena ler.

MAIS UMA ALTERNATIVA AOS MÉTODOS ALTERNATIVOS.

Fotografando em grande formato com o mínimo de equipamento e de orçamento.

NOTA DO AUTOR

Gostaria de esclarecer que este é um post destinado a quem queira “produzir imagens” valendo se do que julgo talvez seja o método mais barato de se registrar uma imagem de forma alternativa, não necessariamente o mais simples. Considero o método como alternativo tendo em vista que o processo embora empregue um filme pronto para uso requer intervenção direta do fotógrafo seja na exposição do filme, seja na revelação deste para que uma imagem de qualidade seja produzida. Não sou fotógrafo, pesquisador ou guru, apenas mais um curioso interessado dentre outras coisas por fotografia analógica e seus métodos alternativos. Se você também pretende fazer algo parecido este material pode lhe ser de alguma utilidade, mas gostaria de lembra-lo que tudo o que fizer será de sua inteira responsabilidade.

MAS COMO?

Tempos atrás fazendo minhas pesquisas sobre fotografia analógica na internet acabei me deparando com o blog Alternativa fotográfica. Esta descoberta acabou por me levar de uma forma ou de outra a diversos outros blogs e sites que tratavam de técnicas fotográficas ditas alternativas. Num destes sites o Imagineiro (www.imagineiro.com.br) descobri a câmera oca e o uso de filmes para raio x como negativo, coisa que jamais passara pela minha cabeça. A partir daí comecei a pensar em como produzir imagens usando o mínimo de material possível em termos de equipamento fotográfico e de reagentes químicos e que estes também tivessem o menor custo possível.

EQUIPAMENTO FOTOGRÁFICO

Pra quem dispõe de uma lente pra grande formato ou outro tipo de lente com mais de 190 mm de distância focal uma câmara oca pode ser feita do mais caro papelão, papel cartão e de um vidro tirado de um porta retratos velho. Uma opção mais barata ainda são as pinholes que só usam papelão e alumínio.  Fiz alguns exemplares com distâncias focais diversas, mas todas para serem carregadas com filme 13 x 18. O filme utilizado foi o Fuji HR U30 para raios x. A caixa vem com 100 unidades e cada chapa sai em média por R$0,60, descontado o frete que varia de acordo com o lugar. Ao contrario do que muitos exageram em fóruns e sites de fotografia sobre a facilidade de se arranhar este tipo de filme em minha opinião tudo se resume a um manuseio adequado, coisa que se adquire com a prática.

As caríssimas câmeras de papelão, o filme empregado e o chassis de papel cartão e papel autoadesivo.

REAGENTES QUÍMICOS

Para todo o processo de revelação empreguei somente os 5 elementos seguintes: Água, Sulfito de sódio, Hidróxido de sódio, Tiossulfato de sódio e Paracetamol (comprimido).

As formulações do revelador e fixador que utilizei foram as encontradas nos links abaixo e são fáceis de serem preparadas:

Revelador “Parodinal”: https://alternativafotografica.wordpress.com/tag/parodinal/

Fixador: https://www.imagineiro.com.br/fixador-de-tiossulfato-de-sodio-porcentagens-e-conversoes/

Como interruptor utilizei somente água, mas também fiz testes com água com um pouco de vinagre. Não notei qualquer diferença sutil ou significativa. A água que utilizo tanto para preparação dos químicos quanto para o banho interruptor é de mina natural coada em filtro de papel para café. Como água destilada significaria uma despesa a mais optei por este recurso pelo fato de não conter cloro e por ter fácil acesso a fonte.

O arsenal químico! Só 4 elementos + água.

E O LABORATÓRIO?

Aqui em casa sempre prevaleceu a máxima de que banheiro foi feito pra ser usado como banheiro e cozinha pra ser utilizada como tal e fim de papo. Esse era um grande empecilho pra fazer a coisa dar certo, pois também não queria ficar fechado num quarto manuseando produtos químicos meio que às cegas. Há tempos vinha procurando na internet como fazer um tubo pra revelação caseiro 13 x 18 que pudesse ser manuseado a luz do dia, fosse barato e eficiente para o fotografo ocasional. O mais próximo que encontrei foi um que vi no canal do Camera velha no youtube (https://www.youtube.com/watch?v=4a0AN5PM1kw). Era um projeto acessível e facilmente executável, mas destinado a revelação de filmes de 35mm. Precisava de algumas modificações para finalidade de revelar um filme 13 x 18 com emulsão dos 2 lados.

O TUBO

Todos os componentes do tubo com exceção das duas argolas em que se coloca o filme e as conexões afixadas a tampa foram feitos de PVC para esgoto pintados de preto (cano branco mais barato). As conexões da tampa foram feitas com uma flange pra caixa d’agua, cotovelos e cano marrom de ½. Recomendo que faça com ¾ pois aumentaria a vazão. As duas argolas de nylon foram feitas por um amigo torneiro, mas são peças baratas e rápidas de serem feitas. Estas peças garantem ao mesmo tempo o isolamento do filme da parede do carretel e da parede do tubo, impedindo o contato do filme com estas superfícies e favorecem a circulação dos fluídos empregados durante a revelação. O projeto fala por si dispensando medidas. Basta mencionar que o cano mais grosso é o de 3 polegadas (75mm) e o mais fino o de 2 polegadas (50mm). O resto é só medir tendo a altura do filme na horizontal (130mm) como parâmetro e ir cortando os canos de acordo. Dá um pouquinho de trabalho, mas é coisa para o resto da vida, a não ser que você viva mais de 400 anos.

O laboratório ambulante e toda sua parafernália. Cabe tudo numa caixa de sapatos!

COMO CARREGAR

Depois de carregar sua câmera no escuro e expor a chapa esta parte do processo o obriga a entrar num quarto escuro ou com luz de segurança se for o caso. Incrivelmente só depois de terminar o projeto do tubo é que me dei conta de que não tinha ideia de como iria fazer pra colocar o filme em duas gretas de menos de 1mm de largura e no escuro total. A solução veio quando deixei um filme já exposto cerca de 1 cm pra fora do carretel. Manuseando esta peça percebi que bastava colocar o dedão na parte de baixo e o dedo médio na parte de cima sobre o filme, guiar o filme a ser revelado por baixo do filme que já estava no carretel e enfiar o filme a ser revelado cerca de 2 cm pra dentro. Depois bastava retirar o filme guia e puxar na horizontal o filme a ser revelado até fechar o círculo. Feito isto basta deslizar o carretel pela rampa que é encaixada no tubo mais grosso, retirar a rampa, tampar o tubo e proceder a revelação ao ar livre sob qualquer condição de iluminação. O tubo carregado com o carretel requer apenas 300 ml de líquido para ter seu volume interno preenchido.

REVELAÇÃO

A revelação em si está sujeita a n variáveis e aqui só vou indicar alguns parâmetros que tenho seguido e que tem apresentado um resultado positivo. Cabe a cada um, no entanto fazer os experimentos que julgar conveniente.

Revelador: Parodinal caseiro 1/100, entre 4:00 m a 6:30 m. Inversões suaves nos 30 primeiros segundos e por 10 segundos a cada 50 segundos.

Interruptor: 2 banhos de 1m com inversões suaves nos 30 primeiros segundos, demais 30 segundos em repouso.

Fixador: Tiossulfato de sódio. 5 m ou mais de acordo com o desgaste da solução. Inversões suaves nos 30 primeiros segundos e por 10 segundos a cada 50 segundos. Pelos meus primeiros testes, 500 ml é capaz de fixar cerca de 20 chapas 13 x 18 com relativa qualidade.

Lavagem final: Ainda no tubo 5 banhos de 1 m cada com inversões constantes e mais vigorosas. Após esta lavagem é feito um banho numa solução de 300ml de água, 1 tampinha de glicerina e 1 tampinha de detergente líquido por cerca de 2m. Depois de retirar do tubo lavar em agua corrente e colocar pra secar na horizontal em frente a uma fonte de luz incandescente..

Obs.: A faixa de temperatura do revelador, água e fixador no processo de revelação oscila entre 18°Ce 21°C onde moro. Não costumo deixar a água na temperatura X ou Y, só confiro se está mais ou menos dentro desta faixa e deixo um pouco mais ou um pouco menos nas soluções.

O POSITIVO:

Para obter a imagem positiva o negativo é fotografado sobre um negatoscópio, utilizo uma luminária Plafon de 24w de Led ou pode ser utilizada a tela do monitor do computador em branco. A imagem é então invertida e corrigida num software de edição de imagem. O negativo também pode ser utilizado na produção de positivos em cópias por contato, dai sua interação com os métodos alternativos de revelação.

O negativo. Os riscos nas bordas (únicas marcas causadas no processo de revelação) podem ser excluídos na revelação do positivo.

O positivo. Produto final feito com câmera oca em tomada interna com correções digitais simples: conversão para P x B, exposição e contraste.

Pinhole com exposição de 5 s sob tempo ensolarado.

CONSIDERAÇÕES

Só posso afirmar que fotografar com filmes para raios-x é bastante recompensador, sobretudo quando você começa a acertar. Não espere que vá tirar do tubo logo de primeira uma chapa boa. Pra quem nunca fez isso antes (como no meu caso), imagino que seja necessário queimar pelo menos umas vinte chapas até começar a poder chama-las de fotografias. É um processo de aprendizado que toma tempo e pode levar a frustração. Você vai tirar do tubo vários negativos totalmente transparentes, outros praticamente escuros ou algumas fotos razoáveis com belos arranhões, digitais e escorridos. É necessário tomar notas do que se faz pra corrigir os eventuais erros e principalmente registrar os acertos durante o processo de exposição e revelação. Procure anotar dados como: que equipamento está usando, a distância focal, a velocidade das exposições, as condições do tempo, as características do seu revelador e fixador, tempos de revelação, etc. Quando obtiver um resultado satisfatório procure repeti-lo para confirmar seu método e verá que todo seu tempo e esforço valeram a pena. Obrigado a todos pelo seu tempo e interesse.

PRÓS

  • Baixo custo
  • Baixíssimo consumo de revelador concentrado (3 ml por chapa)
  • Dispensa montagem de laboratório
  • Revelação a luz do dia
  • Excelentes resultados (com a devida prática)

CONTRAS

  • Filme requer cuidado no manuseio
  • Filme é ortocromático (essa característica “negativa” em minha opinião também é bastante exagerada nos posts e fóruns pesquisados)
  • A evolução da revelação não pode ser verificada visualmente enquanto ocorre
  • Processamento de uma única chapa por vez
  • Como toda forma de fotografia alternativa exige experimentação até obtenção do resultado ótimo

.Ernane R. C. Cunha

Cachoeira de Minas – MG – Brasil”

Já faz algum tempo que não me dedico a produzir alguma série de impressões, e isso não é bom. Por mais que se saiba, a execução repetida de qualquer processo é necessária para que não se “perca a mão”, e nem se desacostume os olhos daquela mínima mudança de tonalidade que vai significar a diferença entre uma excelente impressão e outra que é só boa.

Então, enquanto aguardo as últimas etapas para o lançamento da minha tradução do The Pencil of Nature, e pedindo as bençãos de Sant’Anna Atkins, inicio a série BOTÂNICA. Cianotipias com previsão inicial de 15 imagens e tiragem de 5 cópias cada, mais uma P.A.
Abaixo, a primeira. Uma palmeira-azul (Bismarckia nobilis), fotografada nos jardins do Palácio do Catete, Rio de Janeiro. Das cinco cópias feitas, uma já foi.

Detalhes e como comprar, aqui.



Quando da postagem sobre a preparação do soro, mencionei o uso do whey em pó como alternativa mais prática a todo o processo envolvendo o leite.
Porém, ao usar whey em pó, comprado em uma dessas lojas que vendem temperos a granel, tive uma surpresa nem um pouco boa.
Após pesar o whey, chacoalhar bastante e filtrar duas vezes o líquido, preparei duas folhas de Cason Aquarela. Secagem, ok. Aplicação da solução de nitrato de prata com uma gota de tintura de iodo, ok. Nova secagem, no escuro, ok.
No dia seguinte, desastre. Os dois papéis já estavam velados com uma cor marrom alaranjado em toda a área da aplicação da solução de nitrato. (Palavrões, murmurados em voz baixa.) Deve ser alguma coisa com o papel.
Novo teste. Dessa vez com um Hahnemühle 300g. Mesmo resultado. (Mais palavrões.)
A solução de nitrato foi preparada da mesma forma que deu resultado positivo. Papéis de dois fabricantes mostraram a mesma reação, portanto pouco provável ser culpa do papel.

Ficha caindo! Só pode ser o whey.

(Aqui um parênteses para os jurássicos que brincaram com o Laboratório Químico Juvenil. Alguém lembra da experiência para saber se havia amido em alguma coisa? Pingar uma gota de iodo sobre uma fatia de batata? Pois é.)

Na satisfação de ter encontrado o whey em pó tão facilmente, não prestei a atenção devida ao que estava escrito na etiqueta. Dizia: Whey 80%. Porém, sem dizer o que seriam os 20% restantes. Feito o teste com o iodo e bingo. Amido!

Assim, enquanto não encontrar whey em pó 100%, fico com o leite e ainda ganho uma pastinha para passar no pão ao final do processo todo.

Pedaço do Canson Aquarela e whey com a adição de uma gota de tintura de iodo.

Jean-Louis-Henri Le Secq des Tournelles (1818-1882). De família nobre, foi um dos cinco fotógrafos integrante das  Missions Héliographiques, contratados pelo governo francês para registrar o patrimônio arquitetônico histórico da França. Pintor, seu interesse pela fotografia surgiu logo quando da divulgação da daguerreotipia. Trabalhou com Gustave Le Gray, com quem aprendeu a técnica do papel encerado e se manteve ativo, como fotógrafo, até 1856 quando retornou à pintura e ao colecionismo de objetos medievais de ferro.

Tendo feito suas melhores imagens usando o processo da calotipia, por volta de 1870, temendo questões relativas a permanência dos negativos originais, Le Secq os reproduziu usando a cianotipia, processo já reconhecido na época por sua estabilidade.

Henri Le Secq portrait.jpg

Henri Le Secq, fotografado por Gustave Le Gray.

Resultado de imagem para henri lesecq cyanotypes                                      Catedral de Cartres. Cianotipia feita a partir de calótipo. Henri Le Secq.

 

Para preparar uma nova série de postagens, um pouco da história de um nome que será repetido com frequência.
Thomas Sutton (1810 – 1875), inglês, fotógrafo, inventor e autor de várias obras técnicas sobre fotografia, apesar de suas  contribuições, talvez seja um dos menos conhecidos e celebrados pioneiros da fotografia.

Pouco se sabe de sua vida antes de se graduar, em 1846, em Cambridge, onde estudou arquitetura.
O efetivo envolvimento de Sutton com a fotografia se inicia em 1847 quando, sob o patrocínio do Príncipe Alberto, marido da Rainha Vitória, e juntamente com o fotógrafo francês Blanquart-Evrard cria, na ilha de Jersey, uma empresa para a produção de cópias a partir de negativos feitos pelo processo da calotipia. Em 1848, ainda com Blanquard-Evrard, funda o Photographic Notes que será publicado por ele pelos próximos 11 anos.
Entre seus trabalhos mais conhecidos estão: The Calotype Process. A Handbook to Photography on Paper e A New Method of Printing Photographs, by Which Permanent and Artistic Results May Be Uniformly Obtained. Ambos publicados em 1855. Em 1858, publica ainda, o Dictionary of Photography.
Em 1859, ele projeta uma das primeiras câmeras panorâmicas com uma lente grande angular. A curiosidade desse projeto é a utilização de uma esfera de vidro cheia de água como lente, sendo capaz de cobrir um ângulo de 120 graus. Dois anos mais tarde, em 1861, cria a primeira câmera SLR. (Você, todo contentão com sua Canon, tem nas mãos um conceito desenvolvido há 157 anos).

Câmera panorâmica

SLR

Além de inventor e escritor Sutton também era fotógrafo. Foi ele que executou para James Clerk Maxwell uma demonstração de sua ideia para se obter uma fotografia em cores. (O princípio da síntese de três cores para reproduzir todas as cores de Maxwell ainda hoje é utilizado, inclusive nos sensores digitais).

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