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Prepare 400 ml de chá preto bem forte. Despeje na bandeja e junte mais 500 ml de água. Adicione 5 ml de amônia. O líquido tomará uma coloração marrom, bem escuro.  

Mergulhe a impressão e mantenha agitação constante e suave. O efeito é quase imediato. Inicialmente o azul se intensificará e mudará para violeta, para depois, mudar para um tom sépia claro nas altas luzes e cinza azulado nas áreas de sombra.

 O controle do processo é totalmente visual e uma vez atingida a tonalidade desejada, a impressão deve ser retirada e lavada por pelo menos 30 minutos para eliminar qualquer resíduo de chá evitando assim o surgimento de manchas.  

Como essa viragem envolve o uso de chá pode ocorrer algum tingimento, principalmente nas bordas do papel, o melhor é fazer a impressão com uma boa folga nos quatro lados da folha para aparar depois.

Impressão após 2 minutos no banho de viragem. Note o tingimento nas bordas esquerda e inferior.

Quando se fala em viragem a primeira coisa que se pensa é em uma mudança radical de cor ou tonalidade da imagem.
Nas cópias com base de prata, as viragens feitas com selênio ou ouro, têm dupla função. Além de alterar a tonalidade e a temperatura da imagem servem para protegê-la aumentando sua permanência.
Viragens destinadas somente a alterar a cor da imagem devem ser executadas com extrema atenção quanto aos reagentes usados, a duração de cada etapa e, principalmente, a lavagem final. Qualquer falha ou atalho irá comprometer a permanência da imagem, seja por ataque direto aos sais que a formaram, seja pela simples degradação do suporte.

Como a cianotipia, de todos os processos de impressão fotográfica alternativos, é o que mais se presta para intervenções e a porta de entrada para a maioria dos praticantes da fotografia alternativa, seguem as etapas para uma viragem suave com chá.

Cianotipia original. Superexposta um minuto além do tempo necessário para compensar o rebaixamento.
Rebaixamento com carbonato de sódio.
4 g dissolvidos em 3,5 litros de água para que a reação seja lenta e melhor controlada. Agitação constante. Até atingir esse ponto foram 12 minutos.
Virada.
Assim como no rebaixamento o banho de viragem foi propositalmente deixado bem diluído para maior controle.
2 litros de água + 500 ml de chá preto, fraco + 1 ml de solução de iodeto de potássio (2%)
Tempo banho 120 minutos. Agitação a cada 20 minutos. Lavagem final por 15 minutos com agitação constante e três trocas de água.

Depois de muito tempo trancado em uma gaveta, finalmente saiu. Manual de Cianotipia e Papel Salgado, em português. Pré-vendas, aqui.

Depois do digital e para valorizar o trabalho e diferenciá-lo, as cópias feitas em papel fotográfico tradicional começaram a receber a denominação de “Impressão em Gelatina de Prata”, quando na verdade são somente as tradicionais cópias, feitas da mesma maneira há mais de um século. É claro que a emulsão fotossensível pode ser feita de forma artesanal, todo o trabalho de revelação e viragem pode ser realizado de maneira a criar um trabalho único e bem distinto das cópias que eram feitas em tantos laboratórios profissionais e amadores, porém no fim de tudo, a tal da gelatina de prata é aquela mesma emulsão dos papeis da finada Kodak ou Ilford, Foma, Kentemere, etc., etc..

Então, sabendo que é possível preparar a emulsão fotossensível com sais de prata na cozinha de casa, por que não tentar fazer a mesma coisa para a química da cianotipia?

O primeiro passo foi identificar qual das fórmulas para solução única melhor se adaptaria ao experiência: Solução única de C.B.Talbot ou Solução única de Fisch (BROWN, G. Ferric and Heliographic Processes, páginas 60 e 61). Depois de alguns testes, optei pela fórmula de Fisch por ser acidulada e proporcionar uma gradação tonal maior. Abaixo segue a fórmula final com as modificações que fiz, destacadas

Gelatina incolor 12g

Água 100ml

Dissolva completamente a gelatina em água morna

Citrato Férrico Amoniacal (verde)  30g

Dissolva completamente o citrato

Adicione 2 gotas de Ácido Acético glacial

Amônia 30ml

Agite algumas vezes

Ferricianeto de Potássio 15g

Adicione  2ml de dicromato de amônia a 5%

 Complete com água até 200ml

Guarde na geladeira em um pote envolto em plástico preto. Para usar é só pegar a quantidade que desejar derreter em banho-maria. A gelatina de ferro usada para as impressões deste post foi feita há 6 semanas.

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Uma vez derretida a gelatina, sua aplicação é feita da mesma maneira que a da solução líquida.

Papeis para teste. "Limites" demarcados com fita crepe.

Papeis para teste. “Limites” demarcados com fita crepe.

Exposição normal a céu aberto, sem nuvens e com índice UV alto/extremo. Apesar do UV bem alto o uso de negativos de papel encerado determinou um tempo relativamente prolongado sob o sol. Cada exposição demorou 6 minutos.

Os primeiros 20 segundos de exposição. A caixinha preta mé o medidor de UV.

Os primeiros 20 segundos de exposição. A caixinha preta é o medidor de UV.

Com o uso de gelatina na solução “revelação” pode se tornar um problema por conta do descolamento de algumas partes da imagem. Isso é contornado com um banho inicial de 5 minutos em um litro de água e 20g de alumem – hidróxido de potássio-alumínio, para endurecer a gelatina. Para quem não conhece, é a tradicional pedra ume usada para ajudar a estancar sangramentos  no rosto por conta de barbeiros barbeiros com a navalha.

Vale a pena ainda mencionar que pelo fato se haver a adição de ácido acético, esse primeiro banho também servirá para que seja feita uma revelação ácida da imagem que ajuda a se obter uma gradação tonal maior.

O segundo banho é o normal da cianotipia tradicional.

Banho inicial com alumem

Banho inicial com alumem. O tom azulado da água é o sinal da “revelação ácida”.

Grãos de gelatina provenientes do excesso formado nas bordas.

Grãos de gelatina provenientes do excesso formado nas bordas.

Outra observação feita é que pelo fato da solução formar uma camada sobre o papel e não se entranhar entre as fibras as altas luzes passam a apresentar uma tonalidade azulada e as áreas de sombra podem perder um pouco do detalhamento. Isso, caso se queira, pode ser contornado com um banho alcalino forte ( 30g de carbonato se sódio em um litro de água). As imagens abaixo mostram o antes e o depois do banho alcalino. É bom lembrar que o controle nesse banho é puramente visual e deve ser seguido por, pelo menos, 10 minutos de lavagem em água corrente.

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Depois de muito papel jogado fora, falta de fixador e problemas com pesos e medidas, finalmente saiu!

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Agora, algumas observações:
1) Não tem balança para pesar o cloreto de sódio?

_Na próxima vez que for a um buffet a kilo encha os bolsos com aqueles sachês de sal, um grama cada um.

2) Quanto de gelatina?

_Uma colher de café, rasa, para cada 30 ml de água

3) Apesar de quase toda literatura indicar que a solução de nitrato de prata deve ser a 12%, pode usar a 10%. Menos do que isso não funciona.

4) Por último. Uma informação que normalmente não é divulgada com frequência.

_ É possível fazer uma viragem, limitada, sem a utilização de qualquer banho químico bastando somente um ferro de passar roupa. Segundo o que informa James Reilly, no seu livro The Albumen & Salted Paper Book: The history and practice of photographic printing, 1840-1895, o próprio Talbot fazia isso em sua cópias. (Vai estudar, animal!) A temperatura deve ser fixada no máximo e o andamento da viragem checado visualmente.

 

À esquerda a impressão antes da aplicação do calor.

                              À esquerda a impressão antes da aplicação do calor.

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