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De repente alguém vem e pergunta:

– Encontrei esse bloco no fundo de uma caixa. Te interessa?

Mais de 90 folhas 23,5 x 31 cm. Gramatura 200g. Textura fina e tonalidade creme bem claro. Fabricante desconhecido, mas de excelente qualidade. As marcas da passagem do tempo se limitam às bordas e nada mais.
Minha resposta é óbvia.
Agora é decidir qual o melhor tema e processo para aproveitar esse presente.

A propósito. A Via Calzaiuoli continua em Florença,  já Galotti e Parenti não se sabe mais deles.

 

Uma das recomendações feitas com relação a criação de um negativo em papel encerado é quanto o volume de óleo mineral que será aplicado ao papel. Quando encerado de forma correta e respeitado um prazo mínimo de 48 horas antes de ser usado pode se esperar uma imagem positiva sem qualquer problema.
Porém se houver excesso de óleo ou secagem incompleta a imagem final irá apresentar essas duas situações de forma bem clara, principalmente se a exposição for longa e diretamente sob o sol.

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Negativo em papel encerado. Com dois minutos de exposição ao sol,  o excesso de óleo em pontos onde a secagem não foi completa. (Detalhe) 

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Papel salgado feito com o negativo acima. As marcas do excesso de óleo mineral aplicado são visíveis ao longo de toda a impressão.

Ainda com a mesma água colhida anteriormente.

Erros devem ser divididos para que todos possam evitá-los. A aplicação do nitrato de prata não foi uniforme e a faixa da esquerda, que recebeu a pincelada inicial, concentrou mais nitrato que o resto do papel. Daí a diferença notada.
Uma forma de evitar que isso ocorra é, logo após a aplicação, inclinar o papel um pouco contra alguma fonte de luz ( pode ser uma lâmpada qualquer. Apesar de emitirem UV, as atuais lâmpadas domésticas podem ser usadas desde que rapidamente ) e examinar se o papel apresenta reflexo ( brilho) uniforme. Se isso não ocorrer é só aplicar o nitrato sobre a área alongando bem, e em todas as direções, as pinceladas.

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A água salgada ocupa aproximadamente 70% da superfície do planeta.
O processo de impressão via papel salgado usa água e cloreto de sódio, ou seja: Água salgada.
Então, por que não experimentar?

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Com uma concentração média de 35 g de sais por litro, além dos óbvios íons de Na+ e Cl-, ainda vêm no pacote Mg++, Ca+ e K+, dentre outros. Ou seja uma concentração salina bem acima do que usualmente encontramos nas “receitas” disponíveis.

A água foi coletada no mar de Rio das Ostras, RJ. Fervida por por cinco minutos para eliminar plânctons e outros micro organismos, decantada por 24 horas e depois filtrada com papel de coador de café. O resto do processo seguiu os passos usuais.

O resultado foi uma imagem um pouco mais quente e com tons castanho-avermelhados mais pronunciados.

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A publicação anterior teve como título “Erros“, portanto nada mais justo que mostrar alguma coisa com os acertos.
Os dados de execução são os seguintes:

Suporte

Papel Canson Aquarela 300g. Salga do papel: 2g de sal para 30ml de água, mais 2g de gelatina, aplicado com uma trincha nova. Sensibilização: solução de nitrato de prata a 10%, aplicado com outra trincha, também nova.

Exposição

A partir de um negativo de papel encerado, 15 minutos a céu aberto com luz do sol direta. Índice UV, alto

“Revelação”

Lavagem inicial por 10 minutos com 4 trocas de água. Fixação por 4 minutos em solução de 20% de tiossulfato de sódio ( hipossulfito). Lavagem final por 15 minutos em água corrente. Secagem ambiente.

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