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Negativos fotográficos feitos de papel encerado não são novidade na fotografia e tão pouco são difíceis de serem feitos. O processo para fazer um já foi descrito aqui, porém, é sempre bom compartilhar algumas observações feitas desde aquela postagem.

Em princípio qualquer substância gordurosa ou oleosa serve para encerar um negativo de papel, só que umas são melhores que outras.

Não use manteiga ou margarina. O ponto inicial de contato fica muito ressaltado. Depois de algum tempo, além do cheiro rançoso, alguns resíduos sólidos começam a formar aquele “macarrãozinho” sobre o papel. O risco de não secar completamente é grande, o que significa que a impressão pode ficar com uma bela mancha de gordura.

Óleos de cozinha também devem ser evitados pois são muito densos o que torna a secagem completa demorada. (Azeite de oliva extravirgem, prensado a frio, é para ser saboreado. Não desperdice, por favor!)

O ideal é usar óleo mineral. Aqueles usados para lubrificar pequenas engrenagens ou os vendidos em farmácias para ajudar entranhas preguiçosas. Sempre com o cuidado de remover qualquer excesso com papel toalha e deixar secar pelo menos 48 horas antes de usar o negativo.

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No Brasil, encontrar papel fotográfico e os químicos para fotografia tradicional é cada vez mais complicado. No exterior algumas empresas ainda aproveitam esse nicho, mas para um público cada vez mais restrito.
A saída para quem ainda quer experimentar o trabalho no “quarto escuro” é importar ($$$$$) ou fazer seus próprios materiais… as informações para isso estão na web, é só ter paciência para garimpar.

Apesar de quase totalmente digital, alguns ainda experimentam o cheiro do interruptor feito com ácido acético e a sensação ensaboada do hipossulfito nos dedos.

Vale a pena uma checada no site http://www.theonlinedarkroom.com/

Os negativos feitos em papel não eram estranhos nos primeiros tempos da fotografia. Pelo contrário, até a utilização do vidro, os primeiros negativos eram de papel.

Isso pode ser uma vantagem se pensarmos em redução de custos, porém há que se ter o cuidado na escolha da imagem que será utilizada pois SEMPRE haverá perda no detalhamento e nitidez.

A imagem abaixo foi feita a partir de um negativo em papel Sulfite não encerado. A exposição foi de 6 minutos com luz do sol direta. índice UV 12 ( extremo). O resultado não foi completamente satisfatório ( um pouco subexposto). Novo teste com mais tempo de exposição será postado em breve.

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Jean-Baptiste Gustave Le Gray, 1849

Jean-Baptiste Gustave Le Gray (1820-1884). Com certeza um dos mais importantes fotógrafos franceses do século XIX, não só por seus trabalhos, mas também por suas pesquisas.

Inicialmente pintor que, com o surgimento da daguerreotipia, lançou-se em uma não tão bem comercialmente sucedida carreira de fotógrafo. Apesar de seu talento artístico e de ser o fotógrafo oficial de Napoleão III, a má administração de seu negócio e finanças obrigou-o a deixar a França para escapar dos credores.

Artilharia leve. Foto feita no Egito, onde Le Gray morreu em 1884.

Uma das mais conhecidas imagens de Garibaldi. Feita durante combates na cidade de Palermo.

Como praticamente todos os fotógrafos de sua época, (estamos falando da infância da fotografia), Le Gray também foi um pesquisador.

Na época, os negativos produzidos pelo processo da calotipia, eram de papel e por conta de sua opacidade, produziam imagens com pouco detalhamento. Le Gray criou o negativo feito com papel encerado que, tornado menos opaco, com a aplicação de cera de abelha, antes da sensibilização, produzia negativos de melhor qualidade.

Outra técnica desenvolvida foi a utilização de dois negativos combinados. Um exposto para as áreas de sombra, e outro para as altas luzes. Com os equipamentos da época, caso a exposição fosse feita para as áreas de sombra, as partes da imagem mais iluminadas produziriam branco puro e, vice-versa, caso a exposição fosse para as altas luzes, as áreas de sombra produziram o preto sem qualquer detalhe.

As imagens produzidas por Le Gray, utilizando essa técnica, são a base para idéia de se ter representadas todas as nuances possíveis de luz incidente sobre a cena. Podemos dizer que ao fazer essas imagens, Le Gray se projetou no futuro em cada fotografia feita com HDR.

Brigue ao luar

Estudo. Nuvens

Quem ainda faz suas fotografias com filme sabe do ciúmes e do cuidado que se tem com os negativos. Para alguns isso beira a adoração religiosa. Um negativo perdido é uma fotografia que nunca vai acontecer. Porém, em tempos digitais isso não é mais uma preocupação. Tudo bem, proteger os arquivos com tantos back-ups quantos forem possíveis, guardá-los em TIFF , etc., etc. já é uma preocupação dos que querem preservar suas imagens – seus “originais”.

O registro fotodigital, sendo mais uma ferramenta ( poderosa) a disposição dos fotógrafos, permite alguns vôos antes impensáveis para a maioria dos que gostam de tentar e testar. A perda do precioso negativo, do “original” já não precisa assombrar a mais ninguém.

Abaixo, um exemplo feito com um negativo de acetato, impresso com jato de tinta, amassado junto com uma lixa média para madeira. No lado esquerdo da imagem, o original, e a direita o resultado da “operação”.

Por conta do amassado do acetato e do pouco peso do vidro usado no “sanduíche”, não houve contato integral entre o negativo e o papel sensibilizado, daí a pouca definição em alguns setores da imagem.