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Já faz algum tempo que não me dedico a produzir alguma série de impressões, e isso não é bom. Por mais que se saiba, a execução repetida de qualquer processo é necessária para que não se “perca a mão”, e nem se desacostume os olhos daquela mínima mudança de tonalidade que vai significar a diferença entre uma excelente impressão e outra que é só boa.

Então, enquanto aguardo as últimas etapas para o lançamento da minha tradução do The Pencil of Nature, e pedindo as bençãos de Sant’Anna Atkins, inicio a série BOTÂNICA. Cianotipias com previsão inicial de 15 imagens e tiragem de 5 cópias cada, mais uma P.A.
Abaixo, a primeira. Uma palmeira-azul (Bismarckia nobilis), fotografada nos jardins do Palácio do Catete, Rio de Janeiro. Das cinco cópias feitas, uma já foi.

Detalhes e como comprar, aqui.



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Mais um livro, em português, abordando processos fotográficos históricos.

Alex Gimenes e Renan Nakano acabam de publicar, pela editora Diafragma 8, o livro Fotografia do Séc XIX:  Ambrotipia e Ferrotipia.

Uma excelente notícia para quem quer conhecer um pouco mais da história da fotografia e, quem sabe, se aventurar a fazer imagens únicas.

Puxando um pouca a brasa. O prefácio é meu.

A imagem pode conter: 1 pessoa, texto

Fazer uma imagem, por qualquer que o processo alternativo de impressão, sempre traz em si o potencial para um erro. Algumas vezes, esse erro pode ser bem aproveitado conferindo ao trabalho alguma característica estética que o diferencie.
Porém, erros positivos não acontecem com a frequência que se imagina. Na esmagadora maioria das vezes, o erro só leva ao desperdício de tempo e dinheiro. (Isso mesmo! Papeis e química desperdiçados são dinheiro jogado fora.)
Escolher um papel que tenha reserva alcalina para uma cianotipia é um erro. Imaginar que os 35 gramas indicados na fórmula podem ser 40 ou 30, é um erro. Escolher um negativo com pouco contraste para um processo que peça negativos duros, é também um erro.
Não estou dizendo que experimentar seja errado. Experiências são o que fazem as coisas evoluírem. Porém isso deve ser feito sabendo-se que é uma experiência e não querer que se obtenha o mesmo resultado do processo consagrado.

Quanto mais conhecimento sobre um processo, seja ele qual for, se tenha maiores são as chances de controle e menores são as variáveis que podem levar a um erro. Então para ajudar um pouco mais, veja aqui, e se quiser baixe para o Photoshop, as curvas que representam os tons necessários para que um negativo digital  possa ser usado em alguns dos processos mais comuns.
Note bem! Essas curvas não são uma regra e nem são obrigatórias. Elas somente são uma forma de regularizar os tons do negativo dentro de uma média ideal para tal  e qual processo. No final de tudo é você que decide o que vai fazer.

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Fotografia nunca foi uma atividade barata e a fotografia alternativa, por sua própria natureza, tem um custo mais elevado ainda. Os químicos envolvidos nos diversos processos não se encontram em pequenas quantidades. Os papeis não são facilmente encontrados na papelaria da esquina e, principalmente, os erros são frequentes.
Uma das formas para reduzir esses custos é usar negativos de papel, que naturalmente têm suas limitações se comparados aos negativos feitos em transparências. Ganha-se no custo e perde-se na nitidez e detalhamento da imagem. Porém essa perda pode ser minimizada, sem um aumento significativo no custo, com o uso de uma impressora LASER ao invés de jato de tinta.  A imagem produzida pelos negativos de papel, impressos com LASER, apresenta uma nitidez e um nível de detalhamento semelhante aos das transparências.

Cianotipia feita a partir de negativo de papel encerado. Impressão do negativo feita em uma impressora LASER.

Cianotipia feita a partir de negativo de papel encerado. Impressão do negativo feita em uma impressora LASER.

O nível de detalhamento e nitidez é muito alto e bem superior ao que seria obtido com um negativo impresso com jato de tinta.

O nível de detalhamento e nitidez é muito alto e bem superior ao que seria obtido com um negativo impresso com jato de tinta.

 

Uma das recomendações feitas com relação a criação de um negativo em papel encerado é quanto o volume de óleo mineral que será aplicado ao papel. Quando encerado de forma correta e respeitado um prazo mínimo de 48 horas antes de ser usado pode se esperar uma imagem positiva sem qualquer problema.
Porém se houver excesso de óleo ou secagem incompleta a imagem final irá apresentar essas duas situações de forma bem clara, principalmente se a exposição for longa e diretamente sob o sol.

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Negativo em papel encerado. Com dois minutos de exposição ao sol,  o excesso de óleo em pontos onde a secagem não foi completa. (Detalhe) 

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Papel salgado feito com o negativo acima. As marcas do excesso de óleo mineral aplicado são visíveis ao longo de toda a impressão.

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