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Fotografia nunca foi uma atividade barata e a fotografia alternativa, por sua própria natureza, tem um custo mais elevado ainda. Os químicos envolvidos nos diversos processos não se encontram em pequenas quantidades. Os papeis não são facilmente encontrados na papelaria da esquina e, principalmente, os erros são frequentes.
Uma das formas para reduzir esses custos é usar negativos de papel, que naturalmente têm suas limitações se comparados aos negativos feitos em transparências. Ganha-se no custo e perde-se na nitidez e detalhamento da imagem. Porém essa perda pode ser minimizada, sem um aumento significativo no custo, com o uso de uma impressora LASER ao invés de jato de tinta.  A imagem produzida pelos negativos de papel, impressos com LASER, apresenta uma nitidez e um nível de detalhamento semelhante aos das transparências.

Cianotipia feita a partir de negativo de papel encerado. Impressão do negativo feita em uma impressora LASER.

Cianotipia feita a partir de negativo de papel encerado. Impressão do negativo feita em uma impressora LASER.

O nível de detalhamento e nitidez é muito alto e bem superior ao que seria obtido com um negativo impresso com jato de tinta.

O nível de detalhamento e nitidez é muito alto e bem superior ao que seria obtido com um negativo impresso com jato de tinta.

 

Normalmente quem se aventura na fotografia alternativa acaba descobrindo que vai ter que fazer pessoalmente tudo o que for necessário. Da preparação das soluções, sensibilização do suporte e tudo o mais até a secagem final da impressão. Isso vale tanto para a sofisticação de uma impressão a carvão, quanto a cianotipia mais simples.

De vez em quando, porém, surge alguém que torna esse caminho bem mais curto. Esse é o caso, e até onde sei único no Brasil, da turma do Lab Clube, do Rio de Janeiro.
Em novembro do ano passado, durante a oficina de gelatina de prata, ficou combinado que me mandariam algumas folhas já preparadas para cianotipia para fazer alguns testes. Tudo acertado e depois foi só ter a paciência para aguardar o correio com as desculpas já tradicionais de final de ano. Entre postagem, trânsito e entrega, o papel ficou dezoito (!!!) dias sensibilizado e sem uso.

Ao abrir o saco de plástico preto, a primeira folha estava com uma cor quase verde musgo, bem escurecida. Pensei no pior por conta do tempo decorrido entre a sensibilização e o uso.
Como não tinha como antecipar qualquer resultado resolvi fazer as exposições de modo a poder interrompê-las sempre que quisesse verificar seu andamento.
Após duas tentativas não muito bem sucedidas por conta de tempos de exposição não compatíveis com o estado do papel e por estar usando negativos de papel encerado, imaginei aumentar o tempo de exposição para compensar a oxidação dos 18 dias postais.
Eis alguns dos resultados:

Papel para cianotipia Lab Clube.

Papel para cianotipia Lab Clube.

Papel para cianotipia Lab Clube

Papel para cianotipia Lab Clube.

papel para cianotipia Lab Clube.

papel para cianotipia Lab Clube.

A qualidade das impressões em nada ficou dever a qualquer papel sensibilizado e usado dentro de um prazo curto. Acredito que qualquer um que queira se iniciar na fotografia alternativa, mas ainda não tem o domínio completo do processo, pode usar sem susto esse papel feito pelo Lab Clube.

 

Fotografia alternativa não é só fazer um daguerreótipo ou uma impressão usando goma. A palavra “alternativa” carrega o micróbio da curiosidade para saber se alguma coisa, fora do padrão estabelecido, pode funcionar.
Quando fiz a postagem “Testando… 1… 2… 3… “  disse que se a “fórmula secreta” funcionasse iria aparecer aqui. Então, lá vai.

Da Goma dicromatada, peguei o dicromato , mas substituí a goma por cola PVA misturada com água. Do papel salgado peguei o nitrato de prata e o fixador, mas o fixador foi diluído em água. Ou seja, tudo para não dar certo. Porém…

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Quando imaginei juntar o nitrato de prata com o dicromato de amônia para obter cromato ou dicromato (?) de prata, perguntei a um químico como seria a equação dessa mistura e ele me disse que não seria nada pois os dois compostos não reagiriam um com o outro, e me deu toda a explicação do porquê. Explicação entendida e pronto não vai funcionar. Mas como nos primeiros testes alguma imagem se formou, então…

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Após vários ajustes a fómula final é a seguinte:

Cola PVA: meia colher de sopa diluída em 40ml de água

Nitrato de prata: 15 ml a 10%

Dicromato de amônia: 2 ml  (foi usado o dicromato comercial para serigrafia)
Uma vez misturados os componentes acima formam uma solução não muito homogênea com muita coisa em suspensão que deve ser agitada antes de ser aplicada sobre o papel.

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Os tempos de exposição são relativamente longos, mesmo com índices extremos de UV.

Tempos de exposição: Da esquerda para a direita. 15, 20, 25 e 30 minutos

Tempos de exposição: Da esquerda para a direita. 15, 20, 25 e 30 minutos.

A fixação foi feita em um banho de água mais fixador (50%:50%). Isso foi feito por conta de que nos primeiros testes, a forma tradicional de “revelação” do processo de goma não surtiu qualquer efeito sobre a cola PVA. Com a adição do fixador no banho foi notado que ao mesmo tempo que se fixava a imagem a mancha do dicromato simplesmente sumia sem deixar qualquer vestígio no líquido. Depois de cinco minutos nessa solução fixadora, outro banho de 10 minutos em água.

Outros dados: Exposição feita a céu aberto, sem nuvens. Índice UV: extremo. Negativo de papel encerado. Papel de suporte: Verge 180g ( manuseado com grande cuidado depois de encharcado.)

Apesar de ter consegui do uma imagem bem formada e estável, resta uma pergunta para a qual não tenho qualquer resposta, ainda: Se o nitrato e o dicromato não reagem entre si, o que acontece para que se consiga essas imagens? Alguma reação com o PVA? UV?. Quem conseguir uma explicação, por favor me avise.

 

A publicação anterior teve como título “Erros“, portanto nada mais justo que mostrar alguma coisa com os acertos.
Os dados de execução são os seguintes:

Suporte

Papel Canson Aquarela 300g. Salga do papel: 2g de sal para 30ml de água, mais 2g de gelatina, aplicado com uma trincha nova. Sensibilização: solução de nitrato de prata a 10%, aplicado com outra trincha, também nova.

Exposição

A partir de um negativo de papel encerado, 15 minutos a céu aberto com luz do sol direta. Índice UV, alto

“Revelação”

Lavagem inicial por 10 minutos com 4 trocas de água. Fixação por 4 minutos em solução de 20% de tiossulfato de sódio ( hipossulfito). Lavagem final por 15 minutos em água corrente. Secagem ambiente.

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No Memorial da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, o evento  “Patrimônio Cultural – O Espaço e a Memória que Nos Cercam e Nos Definem.”

Minha participação com a mostra  “O QUE VAI DESAPARECENDO”. Um registro de alguns imóveis construídos no início de século passado e que se encontram em estado de abandono ou sem qualquer preservação e que, em pouco tempo podem deixar de existir, e deixar a cidade sem parte de sua memória e de sua história.

Cianotipias feitas a partir de negativos de papel encerado.

Cada imagem, com dimensões A4,  tem uma tiragem de quatro exemplares em “édition variée”

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