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Já faz algum tempo que não me dedico a produzir alguma série de impressões, e isso não é bom. Por mais que se saiba, a execução repetida de qualquer processo é necessária para que não se “perca a mão”, e nem se desacostume os olhos daquela mínima mudança de tonalidade que vai significar a diferença entre uma excelente impressão e outra que é só boa.

Então, enquanto aguardo as últimas etapas para o lançamento da minha tradução do The Pencil of Nature, e pedindo as bençãos de Sant’Anna Atkins, inicio a série BOTÂNICA. Cianotipias com previsão inicial de 15 imagens e tiragem de 5 cópias cada, mais uma P.A.
Abaixo, a primeira. Uma palmeira-azul (Bismarckia nobilis), fotografada nos jardins do Palácio do Catete, Rio de Janeiro. Das cinco cópias feitas, uma já foi.

Detalhes e como comprar, aqui.



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Nunca se contente com uma impressão que seja somente aceitável.

Não celebre o erro, corrija!


Erros fortuitos podem até acontecer, mas somente devem ser considerados se puderem ser repetidos, aí deixam de ser erros e passam a ser uma variante do processo.

A Fotografia, desde sempre, é técnica. A arte surge quando a técnica, entendida e perfeitamente dominada, é posta a serviço da visão e criatividade de cada um.

Cianotipia. Negativo de papel encerado

Em qualquer processo de impressão por contato manter o registro exato entre o negativo e o suporte é fundamental. Porém se você não usar uma chassis ou “moldura” própria para isso, a possibilidade de erros no tempo de exposição aumenta muito. Em tempos de dinheiro curto gastar papel bom por conta disso não se pode admitir.

Chassis para impressão por contato. Note a "janela" para inspeção da exposição.

Chassis para impressão por contato. Note a “janela” para inspeção da exposição.

Agora, se você não tem a habilidade para montar um desses, ou não conhece ninguém que possa fazer um, ou não tem grana para encomendar, ou qualquer combinação dos três anteriores, e fica dependendo do sanduíche de vidro enquanto torce para que nenhuma nuvem passe na frente do sol durante a espera do tempo “médio” de exposição  para esse ou aquele processo, experimente usar uma humilde fita adesiva… Isso mesmo! A boa e velha Fita Durex.

Lembre-se ainda que, nesse caso: Um é pouco. Dois é bom. Três é melhor. ( Um dos lados tem que ficar livre para se ver o andamento da exposição.)

Abaixo a sequência de impressão de uma cianotipia feita a partir de negativo de papel “encerado”. Tempo total: 10 minutos com luz do sol direta e céu limpo. Índice UV: Extremo.

Fixação em 3 pontos.

Fixação em 3 pontos.

3 minutos de exposição. Ainda não é o suficiente.

3 minutos de exposição. Ainda não é o suficiente.

10 minutos. Final da exposição.

10 minutos. Fim da exposição.

Resultado final.

Resultado final.

 

Jean-Baptiste Gustave Le Gray, 1849

Jean-Baptiste Gustave Le Gray (1820-1884). Com certeza um dos mais importantes fotógrafos franceses do século XIX, não só por seus trabalhos, mas também por suas pesquisas.

Inicialmente pintor que, com o surgimento da daguerreotipia, lançou-se em uma não tão bem comercialmente sucedida carreira de fotógrafo. Apesar de seu talento artístico e de ser o fotógrafo oficial de Napoleão III, a má administração de seu negócio e finanças obrigou-o a deixar a França para escapar dos credores.

Artilharia leve. Foto feita no Egito, onde Le Gray morreu em 1884.

Uma das mais conhecidas imagens de Garibaldi. Feita durante combates na cidade de Palermo.

Como praticamente todos os fotógrafos de sua época, (estamos falando da infância da fotografia), Le Gray também foi um pesquisador.

Na época, os negativos produzidos pelo processo da calotipia, eram de papel e por conta de sua opacidade, produziam imagens com pouco detalhamento. Le Gray criou o negativo feito com papel encerado que, tornado menos opaco, com a aplicação de cera de abelha, antes da sensibilização, produzia negativos de melhor qualidade.

Outra técnica desenvolvida foi a utilização de dois negativos combinados. Um exposto para as áreas de sombra, e outro para as altas luzes. Com os equipamentos da época, caso a exposição fosse feita para as áreas de sombra, as partes da imagem mais iluminadas produziriam branco puro e, vice-versa, caso a exposição fosse para as altas luzes, as áreas de sombra produziram o preto sem qualquer detalhe.

As imagens produzidas por Le Gray, utilizando essa técnica, são a base para idéia de se ter representadas todas as nuances possíveis de luz incidente sobre a cena. Podemos dizer que ao fazer essas imagens, Le Gray se projetou no futuro em cada fotografia feita com HDR.

Brigue ao luar

Estudo. Nuvens

Por ser um dos processos alternativos mais simples e versátil, a cianotipia se adapta muito bem ao uso de negativos de papel encerado. Abaixo, a mesma imagem que serviu para o teste publicado no post anterior, feita em papel Arches Aquarelle 300g. O tempo de exposição foi de 5 minutos sob sol direto e IUV 7.

 

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