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Fotografia nunca foi uma atividade barata e a fotografia alternativa, por sua própria natureza, tem um custo mais elevado ainda. Os químicos envolvidos nos diversos processos não se encontram em pequenas quantidades. Os papeis não são facilmente encontrados na papelaria da esquina e, principalmente, os erros são frequentes.
Uma das formas para reduzir esses custos é usar negativos de papel, que naturalmente têm suas limitações se comparados aos negativos feitos em transparências. Ganha-se no custo e perde-se na nitidez e detalhamento da imagem. Porém essa perda pode ser minimizada, sem um aumento significativo no custo, com o uso de uma impressora LASER ao invés de jato de tinta.  A imagem produzida pelos negativos de papel, impressos com LASER, apresenta uma nitidez e um nível de detalhamento semelhante aos das transparências.

Cianotipia feita a partir de negativo de papel encerado. Impressão do negativo feita em uma impressora LASER.

Cianotipia feita a partir de negativo de papel encerado. Impressão do negativo feita em uma impressora LASER.

O nível de detalhamento e nitidez é muito alto e bem superior ao que seria obtido com um negativo impresso com jato de tinta.

O nível de detalhamento e nitidez é muito alto e bem superior ao que seria obtido com um negativo impresso com jato de tinta.

 

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Com a impressão a sequência iniciada com o premir o botão do disparador se completa. Seja uma cianotipia ou uma impressão feita com jato de tinta, o que importa é unir o objeto e sua história.

 

Fantasmas?… Existem!

 

A maioria de nós já viveu essa experiência. Encontrar um punhado de fotografias esquecidas no fundo de uma gaveta qualquer na casa da avó.

Se tiver sorte, algumas estarão rabiscadas no verso com alguma indicação de quem é a pessoa retratada ou o local onde foi feita, mas na maioria das vezes, você vai ter que contar com o que resta de memória dos mais velhos da família para obter alguma informação. Se ninguém souber mais quem é aquela garota de laçarote nos cabelos, sorrindo nas escadas do coreto em uma praça qualquer, você nunca saberá que o nome dela era Amália, prima de seu avô, de Piracicaba, que morreu aos dezoito anos vítima de febre tifóide, bem antes de seus avós se conhecerem. Pobre Amália… Fantasma preso no papel, assombrando um parente distante. Só descansará quando em alguma faxina alguém resolver rasgar e jogar fora aquele “monte de fotos velhas do vô”.

A cada geração que passa, nós, os vivos, produzimos milhões de fantasmas. E agora, digitalmente, vamos chegar aos bilhões.

Facilidade em guardar uma montanha de arquivos digitais cria uma infinidade de imagens sem qualquer informação do que foi registrado, de quem aparece, ou qualquer outra informação que permita projetar aquele registro no futuro. Contar com a própria memória não funciona, já que ninguém pode garantir que o Doutor Alois não venha nos visitar.

Alguns mais precavidos fazem alguma anotação no próprio arquivo digital, mas isso é somente para aqueles com disciplina suficiente para guardar só o que vale a pena ser guardado e dispensar todas as outras imagens mal executadas e as mais-ou-menos. E ainda assim corre-se o risco de arquivos corrompidos e todas as outras catástrofes que acontecem com os computadores, inclusive e principalmente a obsolescência do equipamento.

Assim como uma boa impressão, mesmo que seja 10×15, garante o objeto-fotografia (o arquivo no HD não é objeto, é só seu potencial). Uma anotação no verso da foto garante que o registro feito seja completo. Imagem, mais memória, garantem a sua história de sua família e do seu tempo, além de ajudar a não criar outras “Amálias”.

 

O texto abaixo foi originalmente postado no meu outro blog, o Ex Lumen, em 21 de outubro. No entanto creio que o assunto seja pertinente à qualquer blog, site, lista e o escambau que se interesse por fotografia.

Quanto a continuação do processo da goma bicromatada ainda estou dependendo de um belo dia sem nuvens.

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FOTOGRAFIA – UM OBJETO

O resultado de qualquer atividade criadora ligada às artes plásticas é um objeto. Seja uma pintura, uma escultura ou mesmo uma instalação. Pouco importa o que sentimos quando vemos um trabalho, estamos sempre olhando um objeto real. Porém com a fotografia esse processo pode ficar incompleto.

Um HD abarrotado de arquivos ou, em outros tempos, um envelope cheio de negativos, não são “fotografia”. Posso até pensar que sejam fotografias em potencial, mas somente isso. Da mesma forma a imagem mostrada na tela de um monitor também não é fotografia.

Quando desligo o computador o sorriso de dentes perfeitamente brancos da modelo volta a ser um monte de zeros e uns dentro de um arquivo jpg. Uma fotografia somente acontece a partir do momento que se torna um objeto físico, real. Tem peso, brilho, textura. Não importa se uma impressão feita com jato de tinta ou uma ampliação tradicional em papel de fibra.

O que conta é que eu posso segurá-la com as mãos, guardá-la dentro de um livro ou colocá-la na parede. Quando o ciclo iniciado com o ato de fazer uma fotografia não se completa com o “objeto fotografia” é como se a fotografia jamais tivesse acontecido. Não sei  isso que escrevi tem alguma coerência, mas não consigo pensar de outra forma.

(texto postado em 21/10/2009 em http://exlumen.wordpress.com)