You are currently browsing the tag archive for the ‘história’ tag.

É ARTE! NÃO É ARTE!

NÃO É ARTE! É ARTE!

Desde seu início, o mesmo debate.
Periodicamente revisto em algum detalhe irrelevante, requentado e servido para garantir títulos acadêmicos e bolsas de estudo.

Midas, com suas orelhas de burro, se enche de dinheiro retratando os feios, os sujos e os tortos, enquanto a Bela Arte se retira da cena.

Die Kunst der Zukunft – A Arte do Futuro, 1859. Artista desconhecido. Litografia. Museu Ludwig Köln/Agfa Foto- Historama, Alemanha.

Anúncios

Nicolass Henneman, fotógrafo holandês e assistente de William Henry Fox -Talbot, com uma cópia do The Pencil of Nature, 1844.

Nicolass Henneman holding a copy of The Pencil of Nature, 1844, William Henry Fox Talbot © National Media Museum, Bradford / SSPL. Creative Commons BY-NC-SA

Em 20/01/17 fiz uma postagem falando sobre o trabalho desenvolvido por Alex Gimenes no resgate dos processos para produzir ambrotipias e ferrótipos e falhei ao não mencionar seu parceiro nessa empreitada, Renan Nakano, e, portanto, me penitencio.
Desde a postagem de janeiro, a pesquisa e o trabalho de Alex e Renan se desenvolveu com os erros e acertos que sempre acontecem quando se tenta resgatar a história e a técnica de um processo fotográfico que já não se pratica há mais de um século.
Porém se existir estudo, trabalho e, principalmente, a paciência e a humildade em reaprender a fazer e preservar a memória das técnicas fotográficas, os resultados não poderiam ser melhores.

Para acompanhar esse trabalho, siga aqui.

ambrotipo

amb2

amb3

Com a impressão a sequência iniciada com o premir o botão do disparador se completa. Seja uma cianotipia ou uma impressão feita com jato de tinta, o que importa é unir o objeto e sua história.

 

Fantasmas?… Existem!

 

A maioria de nós já viveu essa experiência. Encontrar um punhado de fotografias esquecidas no fundo de uma gaveta qualquer na casa da avó.

Se tiver sorte, algumas estarão rabiscadas no verso com alguma indicação de quem é a pessoa retratada ou o local onde foi feita, mas na maioria das vezes, você vai ter que contar com o que resta de memória dos mais velhos da família para obter alguma informação. Se ninguém souber mais quem é aquela garota de laçarote nos cabelos, sorrindo nas escadas do coreto em uma praça qualquer, você nunca saberá que o nome dela era Amália, prima de seu avô, de Piracicaba, que morreu aos dezoito anos vítima de febre tifóide, bem antes de seus avós se conhecerem. Pobre Amália… Fantasma preso no papel, assombrando um parente distante. Só descansará quando em alguma faxina alguém resolver rasgar e jogar fora aquele “monte de fotos velhas do vô”.

A cada geração que passa, nós, os vivos, produzimos milhões de fantasmas. E agora, digitalmente, vamos chegar aos bilhões.

Facilidade em guardar uma montanha de arquivos digitais cria uma infinidade de imagens sem qualquer informação do que foi registrado, de quem aparece, ou qualquer outra informação que permita projetar aquele registro no futuro. Contar com a própria memória não funciona, já que ninguém pode garantir que o Doutor Alois não venha nos visitar.

Alguns mais precavidos fazem alguma anotação no próprio arquivo digital, mas isso é somente para aqueles com disciplina suficiente para guardar só o que vale a pena ser guardado e dispensar todas as outras imagens mal executadas e as mais-ou-menos. E ainda assim corre-se o risco de arquivos corrompidos e todas as outras catástrofes que acontecem com os computadores, inclusive e principalmente a obsolescência do equipamento.

Assim como uma boa impressão, mesmo que seja 10×15, garante o objeto-fotografia (o arquivo no HD não é objeto, é só seu potencial). Uma anotação no verso da foto garante que o registro feito seja completo. Imagem, mais memória, garantem a sua história de sua família e do seu tempo, além de ajudar a não criar outras “Amálias”.

 

O fotograma  se confunde com o início da fotografia. Os primeiros desenhos fotogênicos feitos por Talbot nada mais eram do que fotogramas  de objetos e plantas colocados sobre uma folha papel sensibilizada com cloreto de sódio e nitrato de prata ( papel salgado).

 

 

 

Ainda, para a execução do que pode ser considerado com o primeiro livro de fotografias, a inglesa Anna Atkins produziu inúmeros fotogramas, em cianotipias, de algas existentes no litoral da Inglaterra.

Desde o surgimento da fotografia, o fotograma, por ser a mais simples forma de impressão e apesar de ser considerado por muitos um desperdício de papel e química, não deve ser encarado como uma brincadeira. Para sua execução, as imagens e os efeitos de luz têm que ser realmente concebidos e visualizados na mente do fotógrafo sem qualquer outro auxílio além de seu conhecimento e imaginação.

Muitos fotógrafos deixaram trabalhos realizados com fotogramas sendo que podemos considerar como exemplos clássicos os de László Moholy-Nagy e os de Man Ray. ( Este último batizou seu trabalhos de Rayograms.)

Fotogramas de László Moholy-Nagy

 

Fotogramas/ Rayogramas, Man Ray, circa 1925

Para quem quiser conhecer um pouco mais, visite o site http://www.photogram.org . Lá se encontra muita informação além de galerias com os trabalhos de fotógrafos e artístas que usam o fotograma como forma de expressão.

 

Anúncios