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Um dos efeitos da tecnologia digital foi criar a ilusão que fotografia é algo de baixo custo. Nunca foi. Se pensarmos que o principal insumo para a fabricação de filmes e papeis é a prata isso fica bem claro.
Quando só existia o filme, cada disparo tinha que ser muito bem pensado caso contrário, era dinheiro jogado fora.
O interesse renovado nos filmes deu um pouco de fôlego para empresas como a Ferrania, mas o que manda realmente é o mercado. Se isso continuar outros também vão querer sua fatia e, pode ser que os preços caiam um pouco, mas barato não será nunca.
Enquanto isso não acontece ( se é que vai acontecer um dia) o melhor a fazer é aproveitar todas as ferramentas disponíveis, inclusive as digitais.
Essa imagem começou como arquivo digital, depois foi transformada em um negativo de papel encerado e, finalmente, copiada por contato, em papel de emulsão caseira de cloreto de prata.Revelada com D76 e fixada com hipossulfito puro. Ou seja, uma salada. Não é difícil, só exige estudo e um pouco de paciência.

Em 1855, Thomas Sutton, publicou uma brochura com um título bem ao gosto dos pioneiros da fotografia do século XIX. “A NEW METHOD OF PRINTING POSITIVE PHOTOGRAPHS BY WHICH PERMANENT AND ARTISTIC RESULTS MAY BE UNIFORMLY OBTAINED.”, que traduzido é: “ UM NOVO MÉTODO PARA IMPRESSÃO DE FOTOGRAFIAS POSITIVAS PELO QUAL RESULTADOS PERMANENTES E ARTÍSTICOS PODEM SER UNIFORMEMENTE OBTIDOS.”

Pela época de sua publicação, poderia ser somente mais uma das inúmeras variações para impressões feitas em papel salgado se não fosse uma diferença fundamental. Ao contrário de todos os outros processos que dependem da formação de um haleto de prata qualquer, o processo proposto por Sutton dispensa o uso de qualquer tipo de sal, ou seja não são usados cloretos, iodetos ou brometos para a formação do haleto fotossensível.
O elemento orgânico usado no  papel é o soro de leite, sensibilizado com uma solução fraca de nitrato de prata e ácido acético glacial. A imagem que se forma, ao contrário dos outros “processos salgados”, não depende do ultra violeta e é parcialmente latente tendo que ser revelada com uma solução saturada de ácido gálico.
Também é interessante notar que Sutton, ao contrário de muitos outros, não deixou de aprimorar seu processo, no ano seguinte, apresentou algumas alterações ao mesmo no seu PHOTOGRAPHIC NOTES, publicado por ele mesmo.

NA PRÓXIMA POSTAGEM, O PROCESSO.

A história da fotografia tem processos que são verdadeiras vedetes, porém nem só de vedetes foi feita.
Pesquisadores, tanto os sérios quanto os loucos de todo o gênero, descobriram e testaram uma enorme quantidade de “processos geniais” que jamais alcançaram o mercado.

Um exemplo é o uso de glútem como substituto do albumem e do colódio.
Em 1853, na cidade de Florença, então capital do Grão-Ducado da Toscana (o processo de unificação da Itália ainda estava em curso), um farmacêutico de nome Luigi Brucalassi, publica um libreto intitulado “Applicazione del Glutine alla Fotografia“, descrevendo o seu processo fotográfico que usa o o glútem como veículo de suspensão para haletos de prata. O curioso é que ao falar sobre a fixação da imagem, ele descarta o uso do tiossulfato de sódio (hipossulfito, para os íntimos), alegando ser muito energético e indicando o uso de uma solução de iodeto ou brometo de potássio (???)
Testar?… Um dia… Talvez.

Da primeira tiragem de 100, só restam 19.

Depois de muito tempo trancado em uma gaveta, finalmente saiu. Manual de Cianotipia e Papel Salgado, em português. Pré-vendas, aqui.

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