You are currently browsing the tag archive for the ‘Herschel’ tag.

Depois de muito tempo trancado em uma gaveta, finalmente saiu. Manual de Cianotipia e Papel Salgado, em português. Pré-vendas, aqui.

Hoje se comemora o Dia Mundial da Cianotipia, o primeiro. Um processo de impressão fotográfica simples, fácil de ser executado e extremamente versátil.
Criado por Sir John Herschel, cientista inglês, ainda na primeira metade do século XIX, é a melhor porta de entrada para qualquer um que queira experimentar o prazer de fazer uma impressão com as próprias mãos… sem mouse, HD ou impressora.
Abaixo algumas cianotipias feitas pelo próprio Herschel. Note que as imagens são “negativas” pois foram feitas a partir de gravuras ( positivas).

A direita a gravura original. "Cena Italiana" de Henry Cook. A esquerda, a cianotipia "negativa" feita por Herschel.

A direita a gravura original. “Cena Italiana” de Henry Cook. A esquerda, a cianotipia “negativa” feita por Herschel.

 "Still in My Teens," Cianotipia, Herschel

“Still in My Teens,” Cianotipia, Herschel

 "The Honourable Mrs. Leicester Stanhope," Cianotipia, Herschel

“The Honourable Mrs. Leicester Stanhope,”
Cianotipia, Herschel

 

Como já foi dito antes, dentre todos os processos históricos ou alternativos talvez a cianotipia seja o mais versátil, podendo ser aplicada praticamente sobre qualquer superfície que absorva a solução.

Recolhido em uma caçamba de entulho, parte de uma caixa de madeira serviu para um primeiro teste. Além de dar outro destino ao que seria despejado em algum lixão, as possibilidades de uso dos veios e da textura da madeira na composição da imagem justificam, o que na visão de alguns, é simples “catação de lixo”.

Porém alguns cuidados são necessários. Nesse primeiro teste foi observado o seguinte:

– A madeira tem que estar completamente seca e sem qualquer vestígio de umidade. Se isso não acontecer, a reação de oxidação da solução se inicia logo após sua aplicação causando o escurecimento de setores da madeira antes de sua exposição.

– A superfície deve ser previamente lixada para que fique o mais nivelada possível, garantindo o contato integral do negativo com a madeira. 

– A exposição deve ser feita com a luz incidindo diretamente sobre o conjunto. Mesmo com índices altos de UV, a exposição feita na sombra requer mais tempo o que pode implicar na formação desigual da imagem.

– Mesmo com um nivelamento razoável da superfície a placa de vidro utilizada deve ter peso suficiente para garantir o contato. A espessura do vidro deve ser superior a 3mm. 

– A lavagem deve ser feita imergindo-se a peça por inteiro na água. O uso de mangueira, por não atingir a peça de modo uniforme, acaba por criar veios azuis por onde a água escorrer.

 

 

Tempo de exposição em área sombreada foi de 20 minutos.

 

Patenteado em 1895, por Arndt & Troost, o processo de impressão conhecido hoje como Marrom Van Dyke (MVD), combina a ação de sais de ferro e prata para a obtenção da solução fotossensível.

O nome Marrom Van Dyke se deve por conta da tonalidade marrom obtida, muito semelhante àquela encontrada nos quadros do pintor flamengo do século XVII, Anton Van Dyke.

Processos de impressão que combinam ferro e prata, não chegaram a ser uma novidade na época do pedido de patente. Esses processos têm origem em outro bem mais antigo, desenvolvido por Herschel ( para variar um pouco) ainda na primeira metade do século XIX, a argentotipia.

As impressões feitas com os sais de ferro e prata, podem ser divididas em dois processos bem distintos; não só pela química envolvida, mas também, e principalmente, pela escala de monocromia obtida.

O primeiro processo, MVD, como o próprio nome já indica, gera uma imagem na escala do marrom pela combinação do citrato férrico amoniacal com o nitrato de prata. O segundo processo, a Kalitipia, que gera imagens na escala cinza e usa o oxalato férrico amoniacal combinado ao nitrato de prata.

(Observação: Apesar do nome significar a mesma coisa, “bela impressão” , a kalitipia não tem nada a ver com a calotipia desenvolvida por Fox-Talbot.)

A fórmula originalmente patenteada para as imprssões Marrom Van Dyke, é a seguinte:

Citrato férrico amoniacal     De 80 à100 gramas
Nitrato de prata     De 12 à20 gramas
Ácido tartárico     De 15 à20 gramas
Gelatina     De 15 à20 gramas
Água         1 litro

Todos os reagentes eram dissolvidos na ordem dada e a solução, deixada “amadurecer” por três dias.

Atualmente a formulação utilizada pela maioria dos praticantes, deixa de fora a gelatina uma vez que boa parte dos papeis utilizados já possuem selantes incorporados.

A fórmula padrão utilizada hoje em dia é obtida pela combinação de três soluções iniciais.

Solução A

Citrato férrico amoniacal      9 gramas

Água destilada                     33ml

Solução B

Ácido tartárico                      1,5 gramas

Água destilada                      33 ml

Solução C

Nitrato de prata                     4 gramas

Água destilada                      33 ml

Inicialmente, incorpore a solução B na solução A e depois, devagar, junte a solução C. Deixe “amadurecer” por três dias.

A execução da impressão não difere de qualquer outro processo histórico, ou seja: O papel utilizado deve possuir uma gramatura suficientemente alta para suportar os banhos de lavagem e fixação sem rasgar; por se tratar de um processo que utiliza o UV, a impressão é feita por contato, logo, o negativo deve ter as mesmas dimensões da imagem final desejada.

Teste com Marrom Van Dyke, virado por cinco minutos com selênio 1:5.

O fluxo de trabalho segue a seguinte ordem:

1-    Exposição

2-    Lavagem inicial para a retirada dos sais de ferro e prata não reduzidos pela ação do UV. Essa primeira lavagem pode ser feita com água levemente acidulada com ácido cítrico e agitação constante. É aconselhável que sejam feitas três ou quatro trocas de água para garantir que boa parte dos resíduos de ferro e prata sejam retirados.

3-    Fixação com tiosulfato de sódio (hiposulfito) de 1 à 2% de concentração. Melhor usar o sistema de dois banhos deixando a impressão por quatro minutos em cada banho. O segundo banho deve ser sempre feito com fixador novo.

4-    Lavagem em água corrente por cinco minutos.

5-    Viragem. Mais que uma preocupação estética a viragem das impressões feitas com MVD, a viragem é etapa fundamental para a permanência da imagem. A imersão do papel em um banho com 10 à 20 gotas de cloreto de ouro a 1% ou cloroplatinato de potássio a 1%, dissolvidas em um litro de água é o suficiente para garantir que a impressão não irá se deteriorar em pouco tempo. Viragens com selênio também podem ser usadas em concentrações que podem variar 1:3 até 1:9

Não há tempo exato para esse banho de viragem. O controle da tonalidade é visual.

6- Lavagem final, por 20 minutos em água corrente, e secagem.