You are currently browsing the tag archive for the ‘dicromato de potássio’ tag.

Lambe-lambe no Parque Farroupilha (Redenção), Porto Alegre

Pelo jeito que a tecnologia vai, a resposta é: Sim,sem sombra de dúvida.

Mas o pior é que além de alternativo, a prática da revelação e ampliação de fotografias P&B, por conta própria, está se tornando alguma coisa bem próxima da alquimia. ( Não vou nem falar de fotos a cores. Isso, já entra no terreno da alta magia.)

Me explico melhor. Antes bastava que se entrasse em qualquer loja de produtos para fotografia e saía-se com revelador, fixador, interruptor e papel fotográfico. Tudo muito fácil e tranquilo. Hoje tudo está bem mudado. Os grandes fabricantes desses produtos, ou já encerraram a produção, ou anunciam o fim. Os poucos que ainda se mantém, obviamente seguem as leis de mercado – Sendo os únicos, enquanto houver uma demanda, o preço sobe. ( Pior ainda naqueles lugares que importam, além do preço alto, também encaram um fisco esfomeado.)

Porém, como sempre, alguns poucos ao invés de seguir a manada, preferem caminhar ao som de outro tambor e escolhem manter vivo um conhecimento cada vez mais relegado ao que, agora, alguns mais apressados e menos informados, já se referem com passado romântico ou pré-história da fotografia.

Este post é simplesmente uma compilação de reagentes que podem ser usados por quem quiser se aventurar no preparo de sua própria química fotográfica.

Algumas fórmulas já estão na página de fórmulas Outras serão adicionadas para quem quiser sair da mesmice.

ATENÇÃO:

TODO O PROCEDIMENTO QUE ENVOLVA A MANIPULAÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS DEVE SER REALIZADO COM AS PRECAUÇÕES CABÍVEIS. CASO VOCÊ NÃO SAIBA COMO, OU NÃO SE SINTA SEGURO PARA FAZER, NÃO ARRISQUE.

Os Básicos

O mínimo que você deve ter para revelar filmes e papeis.

HIDROQUINONA

Cristais em forma de pequenas agulhas, pouco solúveis em água e de cor levemente cinza. É um agente revelador presente em praticamente todos os reveladores para filmes ou papeis. É responsável pelo  nível de contraste do material. Degrada-se sob a ação da luz, devendo ser guardada em frascos escuros.

METOL 

Também conhecido por Enol e vários outros nomes comerciais. Pó cristalino de cor que vai do branco (de melhor qualidade) ao acinzentado. Muito solúvel em água e muito empregado nas fórmulas de reveladores, atua sobre a densidade do revelado. Deve ser utilizado basicamente  em meio alcalino. Pode ser usado isoladamente, mas normalmente tem sua eficiência grandemente aumentada quando combinado com a hidroquinona.

CARBONATO DE SÓDIO

Agente alcalinizante para a preparação de reveladores e viragens. Pode ser encontrado sob a forma de pó branco ( mono-hidratado) ou de cristais (deca-hidratado). A utilização de cada forma obedece a equivalência de 3 pôr 8, ou seja: 3 unidades do pó equivalem a 8 unidades de cristais.

BROMETO DE POTÁSSIO

Cristais brancos a translúcidos, muito solúveis em água.  Utiliza-se como retardador na formulação de reveladores para a redução na formação de véu. Também usado como um dos componentes de banhos de branqueamento.

SULFITO DE SÓDIO

Muito solúvel em água, e que se pode apresentar sob duas formas: anidro ou hepta-hidratado, A utilização de cada forma obedece a equivalência de 1 pôr 2, ou seja: 1 unidade do anidro equivale a 2 unidades do hepta-hidratado. Utiliza-se como conservante de reveladores e fixadores e como eliminador  tiossulfato na fase de lavagem.

ÁCIDO ACÉTICO

Ácido fraco com acentuado cheiro a vinagre, solúvel em água em todas as proporções. Quando concentrado solidifica por volta dos 16º C, razão por que é conhecido como ácido acético glacial. Para fins fotográficos deve ter uma concentração de 28 %. É um acidulante de uso geral que se utiliza, principalmente,  na preparação dos banhos de interrupção, na concentração de 2 %. Pode, também, integrar algumas formulas de inversão, fixadores endurecedores, de branqueadores e de soluções de viragem. É um produto corrosivo e deve ser manipulado com cuidado sob pena de graves irritações na pele, nos olhos ou nas vias respiratórias. Os seus vapores são inflamáveis, pelo que os frascos devem ser mantidos afastados das chamas. (Pode ser substituído pelo ÁCIDO CÍTRICO  –  Também um ácido fraco, sólido, cristalino, translúcido e bastante solúvel em água.  Não apresenta risco especial, a não ser para os olhos, que poderão ficar irritados quando em contato com suas soluções.)

TIOSSULFATO DE AMÔNIA / TIOSSULFATO DE SÓDIO

Também conhecidos por hipossulfito de amônia e hipossulfito de sódio. Produtos muito solúveis em água. Mbos utilizados nas fórmulas de fixadores. O de sódio foi a agente fixador mais amplamente utilizado na fotografia porém, comercialmente, foi substituído pelo de amônia que, com menores concentrações possibilita uma redução no tempo necessário para a fixação da imagem.

Com os reagentes acima, quem desejar se aventurar, tem tudo o necessário para fazer sua própria química fotográfica, podendo preparar praticamente todas as formulações comerciais que já não estão mais disponíveis, além, é lógico, da possibilidade de criar o seu próprio revelador para testar esse ou aquele efeito imaginado.

Sofisticando um pouco.

Os reagentes abaixo não são indispensáveis e somente valem a pena se você realmente quiser ir mais fundo.

ÁCIDO BÓRICO

Ácido muito fraco utilizado em algumas fórmulas de reveladores de grão fino, nos banhos de interrupção e em fixadores endurecedores.

ÁCIDO CLORÍDRICO

É um ácido forte, muito corrosivo e que liberta vapores irritantes. Requer cuidados especiais de manipulação, pois pode causar queimaduras graves quando em contacto com a pele e olhos, ou quando inalado. Emprega-se nos processos que requeiram soluções muito ácidas tais como viragens e intensificações.

ÁCIDO OXÁLICO

Moderadamente solúvel em água. Venenoso. Utiliza-se em algumas formulas de banhos de viragens e como conservante de reveladores. Decompõe-se lentamente sob a ação da luz devendo ser guardado em frascos escuros.

ÁCIDO SULFÚRICO

Ácido muito forte, extremamente corrosivo e que ataca rapidamente as substâncias orgânicas (em presença de um oxidante, como o permanganato de potássio, pode dar origem a combustões espontâneas de substâncias orgânicas, tais como papéis ou tecidos).  Utiliza-se em solução diluída como acidulante de fixadores, nos processos de inversão e de viragem.

ALÚMEN DE POTÁSSIO

Quimicamente é o sulfato de alumínio e potássio, também conhecido unicamente por alúmen.  É um endurecedor da gelatina. Utilizado principalmente na composição de  fixadores endurecedores e banhos de viragem.

AMIDOL

Dicloreto de 2,4-diaminofenol. Cristais brancos, muito finos e pouco solúveis em água. É utilizado como agente revelador, se bem que as suas soluções se deteriorem rapidamente.

BISSULFATO DE SÓDIO

Muito solúvel em água. Utiliza-se na formulação de banhos de viragem.

BISSULFITO DE SÓDIO

Muito solúvel em água. Utiliza-se como conservante de reveladores e também  na composição de fixadores ácidos e banhos de interrupção, onde pode substituir o metabissulfito de potássio. Também é utilizado em processos de viragem.

BÓRAX

Também conhecido por tetraborato de sódio, ou somente por borato de sódio.  Alcalinizante, utilizado na composição de reveladores grão fino e em alguns banhos de viragem.

CITRATO FÉRRICO AMONIACAL ( Verde)

Utiliza-se nos processos de viragem para azul.  É um produto sensível à luz, pelo que deve ser mantidos em recipientes escuros.

CITRATO DE POTÁSSIO

Solúveis em água. A sua solução aquosa conserva-se mal. Utiliza-se em formulas de viragem para vermelho à base de cobre.

CLORETO DE OURO

Cristais castanho amarelados, deliquescentes e muito solúveis em água. A solução aquosa decompõe-se quando exposta à luz, pelo que deve ser conservada em frascos escuros. Substância principal nos processos de viragem a ouro.

CLORETO DE SÓDIO

Sal  de cozinha. Empregado em alguns reveladores de grão fino, como aditivo nos processos de viragem, em branqueadores e como auxiliar na eliminação do tiossulfato residual durante a fase de lavagem.

DICROMATO DE POTÁSSIO/AMÔNIA

Também conhecidos por bicromatos.  Oxidantes extremamente enérgicos, que se utilizam na preparação de banhos de enfraquecimento, branqueadores e intensificadores. A presença de ácido sulfúrico concentrado potencia as suas características oxidantes, a ponto de poder originar combustão espontânea de pequenas peças de papel ou de tecido.

FENIDONA

1 fenil-3-pirazolidona. É um produto cristalino branco, ligeiramente solúvel em água, que se utiliza como agente revelador, e que substitui vantajosamente o metol, dado usar-se em menores concentrações e não apresentar os efeitos nocivos deste sobre a pele. É utilizado em alguns reveladores da Ilford.

FERRICIANETO DE POTÁSSIO

Solvente da prata metálica, pelo que se utiliza na preparação de branqueadores e na formulação de banhos de viragem. É um produto sensível à luz e deve ser conservado em frascos escuros. Evitar o contato com ácidos fortes ou  aquecidos, pois se decompõem formando ácido cianídrico ou cianetos, extremamente venenosos.

GLICINA

Ácido p-hidroxi-fenilamino-acético. Pouco solúvel em água, mas solúvel em solução de sulfito de sódio. É um agente revelador utilizado para reveladores de grão fino.

HIDRÓXIDO DE SÓDIO

Soda cáustica. Deliquescente e absorve o dióxido de carbono presente no ar, deteriorando-se rapidamente, devendo ser mantido em frascos bem fechados. É um alcalinizante muito forte, muito corrosivo e que liberta grandes quantidades de calor quando se dissolve em água.  Usa-se como alcalinizante de reveladores e em soluções de viragem.

IODETO DE POTÁSSIO

Muito solúvel em água.  Utiliza-se em banhos de branqueamento e de intensificadores.

METABISSULFITO DE POTÁSSIO

Muito utilizado como conservante de reveladores e como acidulante em banhos de paragem e em  fixadores.

NITRATO DE PRATA

Utilizado na preparação de intensificadores e banhos de viragem. Escurece rapidamente em presença da luz e, em especial, se também estiver presente matéria orgânica, devendo ser mantido em frascos muito escuros.

PIROCATECOL

Pirocatequina ou catecol. Substituto para hidroquinona em reveladores.

PIROGALOL

Ácido pirogálico, ou simplesmente por piro. É utilizado como agente revelador de alta energia. Venenoso.

SELÊNIO 

Usado nos processos de viragem conhecidos por “viragem a selenio”, em que a prata metálica é convertida em seleneto de prata, extremamente resistente às agressões do meio ambiente. Venenoso.

SULFATO DE COBRE

Utiliza-se em banhos de viragem para vermelhos à base de cobre.

TIOCARBAMIDA

Conhecido também pelo nome de tioureia. Utilizada banhos de viragem para sépia. Tóxico.

Existem outros reagentes que também poderiam fazer parte dessa lista, porém, por serem extremamente tóxicos, prefiro omiti-los.

 

Anúncios

Da mesma forma que a cianotipia, o processo de impressão usando a goma-bicromatada é bastante flexível e capaz de produzir imagens de grande beleza e impacto visual.

Apesar da aparente facilidade de execução a produção de uma impressão em goma é sempre uma aventura. A grande sedução deste processo é a possibilidade de produzir imagens coloridas de forma completamente diferente dos demais processos alternativos.

O processo todo é bastante simple, trabalhoso mas simples, e é baseado nos mesmos princípios de mistura de cores que os pintores usam há séculos.

As cores primárias formam, quando combinadas, as cores secundárias que, recombinadas, vão formando novas cores em todos os seus tons e matizes.

Mas, o assunto aqui é fotografia, então vamos adiante.

O processo para obter-se uma imagem em cores se inicia com a preparação de três negativos em escala de cinza. (Aí se integram todas as ferramentas da fotografia atual).

Os passos são simple e diretos:

1) Arquivo digital =>Ajustes de brilho e contraste=>Inverter=>Negativo

2) Separe o negativo em cada um dos respectivos canais RGB

3) No negativo correspondente ao canal vermelho (R), marque a margem com a letra “A” para azul.

O negativo do canal verde (G), marque com “V” para vermelho.

O último negativo, o do canal azul (B), marque com “Am” para amarelo.

4) Imprima cada um dos negativos usando transparências e uma impressora de jato de tinta, usando somente a tinta preta.

Uma vez preparados os negativos, passemos ao suporte.

O papel, como em todos os processos alternativos, deve ser resitente o suficiente para ser manuseado enquanto molhado. Isso é particularmente importante quando trabalhamos com goma bicromatada em cores que é feita com a aplicação de várias camadas de emulsão e um bom número de banhos.

A primeira tarefa é pré-encolher o papel. Esse passo, apesar de simples é fundamental para se conseguir um perfeito registro entre a imagem e os três negativos.

O papel deve ser deixado de molho em água morna por 20 minutos e depois secado a temperatura ambiente.

ATENÇÃO: O PAPEL SERÁ SUBMETIDO A UM BANHO INICIAL PARA ENCOLHIMENTO, 3 CAMADAS DE EMULSÃO, 3 EXPOSIÇÕES, 3 BANHOS DE “REVELAÇÃO”, UM BANHO FINAL PARA CLAREAMENTO E MAIS UMA ÚLTIMA LAVAGEM DE, APROXIMADAMENTE, 30 MINUTOS.

ASSIM SE PERCEBE QUE A RESISTÊNCIA DO PAPEL É FUNDAMENTAL.

Pronto o papel aplica-se a primeira camada de emulsão, preparada como já explicado no post Goma Bicromatada – 2. A cor usada será a AZUL e o negativo será aquele do canal Vermelho (R), que foi marcado com a letra “A”.

A exposição,  posterior “revelação” e secagem são feitas como já explicadas anteriormente.

Uma vez seco, o papel recebe uma nova camada de emulsão dessa vez usando a cor AMARELA e o negativo do canal Azul (B) e marcado com “Am”.

Repete-se a exposição, “revelação e secagem.

A etapa final é a aplicação da emulsão de cor VERMELHA, usando o negativo do canal Verde (G), que foi marcado com a letra “V”.

Depois de feita a última “revelação”, o papel deve ser posto por, aproximadamente, cinco minutos, em uma solução a 5% de metabissulfito de sódio para elimar os últimos traços do dicromato. Essa medida evita que o papel apresente manchas alaranjadas depois de seco.

Finalmente, o papel deve ser lavado por, aproximadamente, 30 minutos e deixado para secar a temperatura ambiente.

Não caia na tentação de acelerar a secagem usando calor. Isso poderá causar um descolamento da camada de goma do papel.

ATENÇÃO: COMO SÃO FEITAS EXPOSIÇÕES SUCESSIVAS É IMPORTANTE QUE O REGISTRO DE CADA NEGATIVO SOBRE A IMAGEM ANTERIOR SEJA PERFEITO. ISSO PODE SER FEITO COM TACHAS OU ALFINETES PARA CRIAR UMA “GUIA” .

Como já foi dito e redito, este processo é bem fácil, porém pelo fato de exigir a intervenção direta e física do fotógrafo durante a “revelação”, a possibilidade de erros ou resultados não satisfatórios é muito grande.

Como a primavera ainda está ajudando muito. O pouco sol que aparece é sempre entre nuvens. Para não perder mais tempo, lá vai o procedimento básico para uma impressão com goma bicromatada.

Muito se tem escrito sobre esse processo que, ao lado da cianotipia, é um dos mais simples em termos da química aplicada sobre o papel e pela forma como é “revelada” essa impressão. No entanto é um dos mais desafiadores para o fotógrafo, pois quase sempre exige sua intervenção direta na “revelação” da imagem. E por “direta” eu quero dizer fisicamente.

O Papel

Como em todos os processos onde a fase molhada é intensa, os melhores papeis para uso são aqueles de maior gramatura (300g para mais). Todos os papeis utilizados para as técnicas de aquarela ou guache podem ser usados sem maiores problemas.

O Negativo

Por ser também um processo de contato o negativo tem que, obrigatóriamente ter as mesmas dimensões da imagem final desejada. Como as emulsões com dicromatos são mais lentas, a densidade do negativo deve ser  inferior àquela do negativo usado para cianotipia.

A Química

Somente duas substâncias, além do pigmento, são necessárias para a preparação da solução sensibilizadora.

A primeira é o dicromato de amônia ( na terminologia passada, bicromato). Como foi dito em post anterior, Mungo Ponton descobriu que os dicromatos são fotossensíveis. Quem já trabalhou com silk-screen deve se lembrar do sensibilizante de cor laranja bem forte que era misturado à tinta, pois bem, esse líquido laranja é o dicromato de amônio com uma concentração que varia entre 10 e 15%.

Alguns autores indicam que a solução de dicromato à ser usada deve ser saturada ( para quem matou essa aula de química: uma solução saturada  é  quando o solvente  já dissolveu toda a quantidade possível de soluto, e qualquer quantidade posteriormente adicionada não será dissolvida e ficará no fundo do recipiente). Outros autores, porém, informam que a concentração normalmente encontrada no comércio (10-15%), já é suficiente.

Além do dicromato de amônia pode ser também usado o de potássio ou o de sódio, ambos menos sensíveis do que o de amônio e portanto mais lentos em sua reação com a luz.

ATENÇÃO: O CROMO É UM METAL PESADO. TODOS OS SEUS SAIS, INCLUSIVE OS DICROMATOS, SÃO TÓXICOS E DEVEM SER MANUSEADOS COM OS DEVIDOS CUIDADOS. USE SEMPRE LUVAS AO TRABALHAR COM DICROMATOS.

A segunda substância é a goma-arábica, que é uma resina extraída de alguns tipos da acácias africanas (antes das colas brancas, os correios sempre tinham um pote de goma-arábica no balcão). Sua função é fixar o dicromato ao papel para formar uma camada fotossensível. Apesar de não ser mais tão facilmente encontrada em papelarias, a goma-arábica ainda pode ser achada pronta em lojas de material de pintura. Outra opção é comprar em qualquer loja de produtos químicos a goma em pó e fazer a solução em casa com a adição de água.

A goma não pode ser muito espessa ou escura pois isso atrapalha a ação da luz, especificamente do UV, tornando quase impossível a reação do dicromato.

Finalmente o pigmento. O mais frequentemente usado é a tinta de aquarela, mas também pode ser feito com guache, para um resultado mais opaco, ou anilina ou corantes para alimentação. A aquarela tem como  vantagem transparência e luminosidade na imagem final.

A Preparação da Emulsão

Nada poderia ser mais simples. Uma medida de goma-arábica, a mesma medida de dicromato, mais o pigmento.

Primeiramente dissolve-se todo o pigmento na goma. Se estiver usando tinta de aquarela em tubo, uma tripa de um centimetro já é o suficiente. ATENÇÂO: o pigmento tem que estar completamente dissolvido, sem grumos ou pelotas.

Uma vez feito isso junta-se o dicromato. A mistura final deve ser homogênea e sem bolhas de ar ou espuma.

A preparação de mistura, assim como sua aplicação sobre o papel pode ser feita sob luz incandescente. Nunca trabalhe com iluminação fluorescente pois esta emite UV .

A Sensibilização do Papel

Com um pincel de espuma e sem muita pressão, deve ser aplicada uma camada de emulsão. Essa camada deve ser uniforme, sem deixar riscos ou áreas de maior concentração. A secagem deve ser feita em local abrigado da luz. Caso queira, essa secagem pode ser acelerada com o uso de um secador de cabelos. O jato de ar deve ser morno e não quente, e sua aplicação deve ser feita em constante movimento.

A Exposição

Como em todos os processos alternativos de impressão: “sanduíche” de vidro+papel sensibilizado+negativo+vidro.

Em dias de maior intensidade de UV a exposição direta à luz do sol deve durar entre 3 e 5 minutos. Exposições com tempo superior a 10 minutos não são recomendadas pois tornarão a “revelação” muito difícil se não impossível.

A “Revelação”

Uma vez feita a exposição, o papel deve ser imerso, com a imagem voltada para baixo, em uma bandeja com água ligeiramente morna. Agitada um pouco para liberar qualquer bolha de ar que possa ter se formado e depois deixada por, aproximadamente 10minutos. Esse primeiro banho irá dissolver o excesso de dicromato (facilmente visto pela mudança na cor da água), além de saturar de água e amolecer a goma-arábica.

Depois o papel, agora com a imagem para cima, deve ser transferido para outra bandeja com água limpa. Atenção: cuidado ao fazer a transferência -nesse ponto a emulsão está encharcada e muito frágil.

A temperatura da água nesse segundo banho não é importante.

Nesse ponto é que começa a interferência direta do fotógrafo no processo de revelação.

Com um pincel macio e com o papel ainda no banho, as áreas das altas luzes devem ser liberadas da goma que ainda pode estar aderida ao papel. É um processo delicado que exige uma certa paciência e atenção. Além do pincel, pode ser usado um jato fino de água,  sem muita pressão para não ultrapassar as áreas desejadas. (Normalmente a liberação física da goma se dá nas altas luzes, mas nada impede que, para que se obtenha algum efeito isso não possa ser feito nas áreas de sombra da imagem.)

Sempre com o mesmo cuidado no manuseio, um novo banho de 2 minutos em água limpa com metabissulfito de sódio ( 10g por litro) para liberar o papel de de qualquer resto de dicromato e, finalmente,  mais 5 minutos em novo banho de água limpa.

A secagem é normal podendo usar também o secador de cabelos da mesma forma usada para a secagem da emulsão.

Apesar de sua aparente simplicidade, o processo de impressão pela goma bicromatada é uma tarefa que exige muita atenção e por vezes pode ser extremamente frustrante. Não se iluda pensando que logo na primeira tentativa você vai conseguir uma boa imagem. Muito papel vai terminar na lata de lixo.

Apesar do aviso não precisa desanimar. Quando você conseguir a primeira imagem perfeita a vontade de sair gritando para se beijar no espelho é quase incontrolável.


Arquivos

Anúncios