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Um dos efeitos da tecnologia digital foi criar a ilusão que fotografia é algo de baixo custo. Nunca foi. Se pensarmos que o principal insumo para a fabricação de filmes e papeis é a prata isso fica bem claro.
Quando só existia o filme, cada disparo tinha que ser muito bem pensado caso contrário, era dinheiro jogado fora.
O interesse renovado nos filmes deu um pouco de fôlego para empresas como a Ferrania, mas o que manda realmente é o mercado. Se isso continuar outros também vão querer sua fatia e, pode ser que os preços caiam um pouco, mas barato não será nunca.
Enquanto isso não acontece ( se é que vai acontecer um dia) o melhor a fazer é aproveitar todas as ferramentas disponíveis, inclusive as digitais.
Essa imagem começou como arquivo digital, depois foi transformada em um negativo de papel encerado e, finalmente, copiada por contato, em papel de emulsão caseira de cloreto de prata.Revelada com D76 e fixada com hipossulfito puro. Ou seja, uma salada. Não é difícil, só exige estudo e um pouco de paciência.

-É complicado?

-Quase sempre. Inglês vitoriano, expressões fora de uso e referências de época que precisam ser pesquisadas para não ser vítima da maldição do “traduttore, traditore”.

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É suficiente dizer que as pranchas deste trabalho foram obtidas pela mera ação da Luz sobre papel sensível. Foram formadas ou esboçadas somente por meio ótico e químico, e sem qualquer ajuda de alguém treinado na arte do desenho. Assim, desnecessário dizer que elas diferem em todos os aspectos, e tão amplamente possível em sua origem, das pranchas de tipo comum que devem sua existência às habilidades combinadas do Artista e do Gravador.

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Em 28/08/2010,  publiquei um post com o título  Papel Fotográfico Caseiro onde se mostrava como fazer uma emulsão simples de gelatina de prata (cloreto) para fazer papeis fotográficos pb.
A “receita” e o processo eram, e são, bem simples. Porém com muito espaço para experimentação e aperfeiçoamento.
Diferentemente dos produtos industriais onde a padronização é a regra imposta por conta dos custos de produção envolvidos, fazer um papel fotográfico de forma artesanal permite um grande número de variações, podendo cada praticante chegar até a ter a sua fórmula e processo pessoal.
Assim, segue outra formulação e suas etapas de elaboração.

Dissolver 6 g de gelatina em 90ml de água.

(A gelatina utilizada não foi aquela normalmente encontrada no comércio em sachets individuais. É mais fina e foi adquirida a granel em loja de temperos, condimentos, etc..)

Adicionar 2 g de cloreto de sódio e quando totalmente dissolvido, adicionar 1 ml de uma solução a 2% de iodeto de potássio.

COM LUZ DE SEGURANÇA, adicionar 10 ml de solução composta 10 ml de nitrato de prata a 15% e 2 g de ácido cítrico.

(A presença do iodeto torna a emulsão mais sensível, portanto a luz de segurança é realmente necessária.)

Banho-Maria por 30 minutos a uma temperatura entre 60 e 65ºC.

(A temperatura e o tempo são maiores do que aqueles indicados na primeira postagem. Isso, além de acelerar a formação dos haletos de prata aumentará sua sensibilidade à luz.)

Gelatina de prata – cloro/ iodeto

Dezembro não é mês para postagens (isso também vale para janeiro, fevereiro e junho). Natal, reveillon, férias. Tudo conspirando contra.
Mas como a teimosia é bem maior, segue o bonde.

Gelatina de prata ( iodeto) acidentalmente exposta por não mais do que 2 segundos. Isso aconteceu em outubro. Hoje fui fazer algumas cópias combinado gelatina de iodeto de prata com a de cloreto. E o resultado foi um completo desastre. Os papeis preparados logo no primeiro contato com o revelador já se mostraram totalmente velados.
Para não dizer que tudo foi perdido, tem papel para lumem.

Da primeira tiragem de 100, só restam 19.

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