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Na última postagem de 2016 mostrei uma cianotipia feita com com a adição de dois novos componentes na solução tradicional  A+B (citrato+ferricianeto). Nada de revolucionário já que a imagem azul se forma da mesma maneira que em qualquer cianotipia, pela ação da solução na presença de radiação UV. Porém com alguma diferença em relação ao brilho e profundidade da imagem.

A idéia inicial foi adicionar alguma coisa que impedisse ou, pelo menos dificultasse, a absorção completa da solução pelas fibras do papel. Tradicionalmente isso é feito com gelatina, mas como eu queria algo um pouco mais radical resolvi usar cola PVA para selar o papel. A primeira tentativa com a cola aplicada diretamente não funcionou. Por ser muito espessa não espalhou de maneira uniforme deixando bem evidentes e em relevo as marcas do pincel usado.

A solução mais óbvia foi diluir a cola e para que isso não viesse a afetar tanto a solução, a diluição foi feita com a própria solução A+B modificada anteriormente ,e com jeitão de geléia de menta, feita ainda em outubro de 2016 onde a gelatina (6 gramas) já está incorporada.

No final das contas a “receita” ficou a seguinte: Uma colher de sobremesa de cola PVA + Duas colheres, também de sobremesa da solução. (Vai como receita de bolo porque não quis ter restos de cola nas paredes do tubo graduado de plástico.)

A exposição deve ser um pouco mais prolongada, bem como o tempo de lavagem. As imagens abaixo foram feitas a partir de negativos de papel encerado.

 

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Tempo de exposição: 6:30 minutos, céu aberto, UV alto. Lavagem: 20 minutos iniciais, troca de água. 10 minutos com adição de 20ml de H2O2. Lavagem final, 10 minutos com água corrente.

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Tempo de exposição: 6:30 minutos. Idem.

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Tempo de exposição: 7 minutos. Idem, idem.

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Tenho guardados dois frascos com um pouco das soluções de citrato e ferricianeto para cianotipia. O preparo ocorreu há mais de um ano e tudo apontava para o descarte puro e simples. A solução de citrato, como só podia acontecer, apresentava uma bela camada de bolor e o ferricianeto, um pouco turvo.
Mas, como a idéia deste blog é sempre passar alguma informação para tornar a prática de processos alternativos de impressão fotográfica o mais simples possível ( e a baixo custo, também), resolvi testar se ainda poderia usar as duas soluções fazendo dois fotogramas de uma folha de amoreira.
Duas exposições: 15 e 20 minutos.
Indice UV: Extremo
Papel: Não faço a menor idéia. Como é um teste só para verificar a validade da química, melhor um papel sem pedigree, manuseado com muito cuidado, já que a gramatura não deve chegar a 200.
A escolha pelo fotograma de uma folha ficou por conta de ser uma exposição obrigatoriamente longa. Isso evita que haja um falso resultado devido a eventual subexposição.
Conclusão: Não precisa jogar fora. Mesmo depois de muito tempo a química da cianotipia. Desde que devidamente guardada em frasco escuro, ainda funciona sem qualquer alteração. Para retirar o bolor de citrato e clarear o ferricianeto, passe as soluções por um filtro de café, desses de papel mesmo.

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Início da exposição. A direita o sensor de UV.

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UV extremo. Agulha no batente.

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A de cima, 20 minutos. A de baixo, 15 minutos. Os veios da folha ainda não tão evidentes. Talvez com 30 ou 35 minutos.

 

Patenteado em 1895, por Arndt & Troost, o processo de impressão conhecido hoje como Marrom Van Dyke (MVD), combina a ação de sais de ferro e prata para a obtenção da solução fotossensível.

O nome Marrom Van Dyke se deve por conta da tonalidade marrom obtida, muito semelhante àquela encontrada nos quadros do pintor flamengo do século XVII, Anton Van Dyke.

Processos de impressão que combinam ferro e prata, não chegaram a ser uma novidade na época do pedido de patente. Esses processos têm origem em outro bem mais antigo, desenvolvido por Herschel ( para variar um pouco) ainda na primeira metade do século XIX, a argentotipia.

As impressões feitas com os sais de ferro e prata, podem ser divididas em dois processos bem distintos; não só pela química envolvida, mas também, e principalmente, pela escala de monocromia obtida.

O primeiro processo, MVD, como o próprio nome já indica, gera uma imagem na escala do marrom pela combinação do citrato férrico amoniacal com o nitrato de prata. O segundo processo, a Kalitipia, que gera imagens na escala cinza e usa o oxalato férrico amoniacal combinado ao nitrato de prata.

(Observação: Apesar do nome significar a mesma coisa, “bela impressão” , a kalitipia não tem nada a ver com a calotipia desenvolvida por Fox-Talbot.)

A fórmula originalmente patenteada para as imprssões Marrom Van Dyke, é a seguinte:

Citrato férrico amoniacal     De 80 à100 gramas
Nitrato de prata     De 12 à20 gramas
Ácido tartárico     De 15 à20 gramas
Gelatina     De 15 à20 gramas
Água         1 litro

Todos os reagentes eram dissolvidos na ordem dada e a solução, deixada “amadurecer” por três dias.

Atualmente a formulação utilizada pela maioria dos praticantes, deixa de fora a gelatina uma vez que boa parte dos papeis utilizados já possuem selantes incorporados.

A fórmula padrão utilizada hoje em dia é obtida pela combinação de três soluções iniciais.

Solução A

Citrato férrico amoniacal      9 gramas

Água destilada                     33ml

Solução B

Ácido tartárico                      1,5 gramas

Água destilada                      33 ml

Solução C

Nitrato de prata                     4 gramas

Água destilada                      33 ml

Inicialmente, incorpore a solução B na solução A e depois, devagar, junte a solução C. Deixe “amadurecer” por três dias.

A execução da impressão não difere de qualquer outro processo histórico, ou seja: O papel utilizado deve possuir uma gramatura suficientemente alta para suportar os banhos de lavagem e fixação sem rasgar; por se tratar de um processo que utiliza o UV, a impressão é feita por contato, logo, o negativo deve ter as mesmas dimensões da imagem final desejada.

Teste com Marrom Van Dyke, virado por cinco minutos com selênio 1:5.

O fluxo de trabalho segue a seguinte ordem:

1-    Exposição

2-    Lavagem inicial para a retirada dos sais de ferro e prata não reduzidos pela ação do UV. Essa primeira lavagem pode ser feita com água levemente acidulada com ácido cítrico e agitação constante. É aconselhável que sejam feitas três ou quatro trocas de água para garantir que boa parte dos resíduos de ferro e prata sejam retirados.

3-    Fixação com tiosulfato de sódio (hiposulfito) de 1 à 2% de concentração. Melhor usar o sistema de dois banhos deixando a impressão por quatro minutos em cada banho. O segundo banho deve ser sempre feito com fixador novo.

4-    Lavagem em água corrente por cinco minutos.

5-    Viragem. Mais que uma preocupação estética a viragem das impressões feitas com MVD, a viragem é etapa fundamental para a permanência da imagem. A imersão do papel em um banho com 10 à 20 gotas de cloreto de ouro a 1% ou cloroplatinato de potássio a 1%, dissolvidas em um litro de água é o suficiente para garantir que a impressão não irá se deteriorar em pouco tempo. Viragens com selênio também podem ser usadas em concentrações que podem variar 1:3 até 1:9

Não há tempo exato para esse banho de viragem. O controle da tonalidade é visual.

6- Lavagem final, por 20 minutos em água corrente, e secagem.

Antes da tecnologia digital, a prata e a fotografia sempre estiveram intimamente ligadas, podemos até dizer que sem a prata, não existiria a fotografia, certo?

Não necessariamente.

Em 1842, o astrônomo inglês, Sir John Herschel, criou um primeiro processo para a obtenção de cópias baseado em sais de ferro e não nos sais de prata – a cianotipia.

Quando executada corretamente, a cianotipia, apresenta a mems ariqueza de detalhes de uma fotografia em prata.

Quando executada corretamente, a cianotipia, apresenta a mesma riqueza de detalhes de uma fotografia em prata.

Um processo simples e bastante versátil, quase sempre tratado como mera curiosidade e que tem na escala de azul sua principal e distinta característica visual. Para aplicá-lo são somente necessárias duas soluções, uma fonte qualquer de radiação ultra-violeta e água.

A Química.

Primeira solução: diluir 25g de citrato férrico amoniacal (verde) em 60 ml de água, depois completar o volume, com água, até 100 ml.

Segunda solução: diluir 10g de ferricianeto de potássio em 60 ml de água, depois completar o volume, com água, até 100 ml.

Atenção: O citrato férrico amoniacal tem duas formas, a verde e a marrom. A verde apresenta melhores resultados.

O Suporte.

Deve se utilizar um papel que possa suportar uma lavagem prolongada. Os melhores são os papéis usados para técnicas molhadas como guache e aquarela. Pessoalmente prefiro o Canson Montval 300g. Não há necessidade de especial preocupação quanto ao papel ser ácido, aliás a cianotipia, em meio alcalino desbota.

Sensibilização do Papel.

Misturar volumes iguais das duas soluções e, com uma trincha, aplicar diretamente sobre o papel. Alguns autores indicam que essa aplicação não pode ser feita com nenhum tipo de pincel que tenha uma virola de metal porque ocorreria oxidação que influenciaria no resultado final. Essa oxidação de fato ocorre, mas se o pincel for bem lavado após cada sessão isso somente será um problema após várias semanas.

A sensibilização do papel não precisa ser feita no escuro. Uma lâmpada de 40w a uns três metros de distância não causará nenhum dano. Por outro lado nunca use lâmpadas fluorescentes ou tente sensibilizar o papel durante o dia sem estar com as cortinas fechadas (bem fechadas). A mistura das duas soluções é sensível a radiação UV.

Uma vez sensibilizado o papel, deixe-o em um local escuro para secar. Esse papel deve ser utilizado em, no máximo, 48 horas. Após esse tempo a oxidação natural da solução tornará seu uso impraticável.

O Negativo.

Por ser um processo de contato é necessário que o negativo utilizado seja do mesmo tamanho da cópia desejada. Você pode mandar fazer um fotolito ou então, o que é mais fácil e barato, fazer seus próprios negativos a partir de qualquer arquivo digital. O procedimento é simples e pode ser feito com qualquer bom editor de imagens com os seguintes passos:

foto original => escala de cinza => inverter => ajustes de brilho e contraste => imprimir (somente tinta preta)

A impressão pode ser feita com uma boa impressora de jato de tinta usando uma transparência.

Exposição.

Como em todos os processos para cópia usados ao longo do Século XIX, a obtenção da imagem era feita por contato direto do negativo com o papel. Para isso eram usados chassis próprios no entanto, para facilitar nossa vida, podemos fazer a mesma coisa com um sanduiche feito com duas placas de vidro e entre elas, o papel sensibilizado posto sob o negativo que se deseja copiar.

Esse conjunto é exposto ao sol ou outra fonte qualquer de UV o tempo necessário para a formação de imagem.

Aí é que entram a prática e o bom senso. A intensidade de UV varia em função da estação do ano, do local, da hora do dia e das condições metereológicas, ou seja. Você só vai conseguir “acertar a exposição” depois de algumas sessões de ensaio e erro.

A Revelação”.

Isso é simples. Basta colocar o papel em uma bandeja (essas de plástico branco e borda alta servem), com água corrente até que todo o excesso da solução sensibilizante seja lavado, depois é só deixar secar na sombra e pronto. Em três ou quatro dias, a imagem adquirirá seu tom azul definitivo.

Esse é o processo básico para a cianotipia e existe um sem número de variações tanto de fórmulas quanto de aditivos que podem ser utilizados na “revelação” quanto em viragens ou tingimentos da cópia, mas isso é para outro post.

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