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A sequência é a seguinte:

1: Cianotipia executada normalmente e deixada de lado por mais de duas semanas.

2: Banho inicial somente com água para “abrir” as fibras do papel. (Um a dois minutos)

3: Banho em solução de carbonato de sódio a 3%, para rebaixar a tonalidade. (Controle visual)

4: Lavagem com água corrente para interromper a ação do carbonato. (Cinco minutos)

5: Banho com café forte e água, 2/3 : 1/3. (Controle visual)

6: Lavagem com água corrente. (Dois a três minutos)

7: Banho com solução de amônia a 4%. (Controle visual)

8: Lavagem final com água corrente. (Quinze minutos)

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Depois do digital e para valorizar o trabalho e diferenciá-lo, as cópias feitas em papel fotográfico tradicional começaram a receber a denominação de “Impressão em Gelatina de Prata”, quando na verdade são somente as tradicionais cópias, feitas da mesma maneira há mais de um século. É claro que a emulsão fotossensível pode ser feita de forma artesanal, todo o trabalho de revelação e viragem pode ser realizado de maneira a criar um trabalho único e bem distinto das cópias que eram feitas em tantos laboratórios profissionais e amadores, porém no fim de tudo, a tal da gelatina de prata é aquela mesma emulsão dos papeis da finada Kodak ou Ilford, Foma, Kentemere, etc., etc..

Então, sabendo que é possível preparar a emulsão fotossensível com sais de prata na cozinha de casa, por que não tentar fazer a mesma coisa para a química da cianotipia?

O primeiro passo foi identificar qual das fórmulas para solução única melhor se adaptaria ao experiência: Solução única de C.B.Talbot ou Solução única de Fisch (BROWN, G. Ferric and Heliographic Processes, páginas 60 e 61). Depois de alguns testes, optei pela fórmula de Fisch por ser acidulada e proporcionar uma gradação tonal maior. Abaixo segue a fórmula final com as modificações que fiz, destacadas

Gelatina incolor 12g

Água 100ml

Dissolva completamente a gelatina em água morna

Citrato Férrico Amoniacal (verde)  30g

Dissolva completamente o citrato

Adicione 2 gotas de Ácido Acético glacial

Amônia 30ml

Agite algumas vezes

Ferricianeto de Potássio 15g

Adicione  2ml de dicromato de amônia a 5%

 Complete com água até 200ml

Guarde na geladeira em um pote envolto em plástico preto. Para usar é só pegar a quantidade que desejar derreter em banho-maria. A gelatina de ferro usada para as impressões deste post foi feita há 6 semanas.

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Uma vez derretida a gelatina, sua aplicação é feita da mesma maneira que a da solução líquida.

Papeis para teste. "Limites" demarcados com fita crepe.

Papeis para teste. “Limites” demarcados com fita crepe.

Exposição normal a céu aberto, sem nuvens e com índice UV alto/extremo. Apesar do UV bem alto o uso de negativos de papel encerado determinou um tempo relativamente prolongado sob o sol. Cada exposição demorou 6 minutos.

Os primeiros 20 segundos de exposição. A caixinha preta mé o medidor de UV.

Os primeiros 20 segundos de exposição. A caixinha preta é o medidor de UV.

Com o uso de gelatina na solução “revelação” pode se tornar um problema por conta do descolamento de algumas partes da imagem. Isso é contornado com um banho inicial de 5 minutos em um litro de água e 20g de alumem – hidróxido de potássio-alumínio, para endurecer a gelatina. Para quem não conhece, é a tradicional pedra ume usada para ajudar a estancar sangramentos  no rosto por conta de barbeiros barbeiros com a navalha.

Vale a pena ainda mencionar que pelo fato se haver a adição de ácido acético, esse primeiro banho também servirá para que seja feita uma revelação ácida da imagem que ajuda a se obter uma gradação tonal maior.

O segundo banho é o normal da cianotipia tradicional.

Banho inicial com alumem

Banho inicial com alumem. O tom azulado da água é o sinal da “revelação ácida”.

Grãos de gelatina provenientes do excesso formado nas bordas.

Grãos de gelatina provenientes do excesso formado nas bordas.

Outra observação feita é que pelo fato da solução formar uma camada sobre o papel e não se entranhar entre as fibras as altas luzes passam a apresentar uma tonalidade azulada e as áreas de sombra podem perder um pouco do detalhamento. Isso, caso se queira, pode ser contornado com um banho alcalino forte ( 30g de carbonato se sódio em um litro de água). As imagens abaixo mostram o antes e o depois do banho alcalino. É bom lembrar que o controle nesse banho é puramente visual e deve ser seguido por, pelo menos, 10 minutos de lavagem em água corrente.

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Cianotipia original.  Fórmula tradicional. Exposição sob céu aberto e luz direta do sol por 6 minutos. UV moderado. Papel Canson Aquarela 300g préviamente acidulado com ácido acético a 5%.

Cianotipia original.
Fórmula tradicional. Exposição sob céu aberto e luz direta do sol por 6 minutos. UV moderado.
Papel Canson Aquarela 300g préviamente acidulado com ácido acético a 5%.

 

Rebaixamento. Banho com solução de carbonato de cálcio (3%) por 1 minuto

Rebaixamento.
Banho com solução de carbonato de cálcio (3%) por 1 minuto

 

Banho de café. Solução com 50% de café forte e 50% de água por 60 minutos.

Banho de café.
Solução com 50% de café forte e 50% de água por 60 minutos.

 

Banho de amônia. Solução com 15ml de amônia (farmácia) e 500ml de água.

Banho de amônia.
Solução com 15ml de amônia (farmácia) e 500ml de água.

 

No post referente ao processo para a obtenção de uma cianotipia,  foi mostrada a fórmula básica com os sais utilizados originalmente por Herschel. No entanto, existem muitas variações para se fazer uma “imagem azul”.

Uma variação interessante usa uma solução única ( ao invés de duas), com resultado  ligeiramente diferente. As imagens apresentam um azul acinzentado, menos intenso e uma maior gradação tonal.

Em 200ml de água adicionamos 20 g de goma arábica, 30g de citrato férrico amoniacal (verde) e 20g de ácido tartárico (opcionalmente pode ser usado ácido cítrico).

Uma vez tudo dissolvido, juntamos 40ml de amônia (dessa de farmácia mesmo) e agitamos por uns três minutos.

Finalmente juntamos 25 g de ferricianeto de potácio e completamos com 100 ml de água. Após repouso de 30 minutos, a solução está pronta para ser usada.

A cianotipia abaixo foi feita usando essa solução que também é conhecida como solução única de Chambon.

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Série sucata # 2