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Processo de impressão desenvolvido por Thomas Sutton.

A química está correta, mas preciso de uma trincha mais macia.

Detalhe de chafariz. Pálacio do Catete. Rio de Janeiro.
Avencas.
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Impressiona como em pouco mais de vinte anos todo um conhecimento, acumulado ao longo de mais de um século, é esquecido.

E impressiona, mais ainda, é que com toda a facilidade de se encontrar sites com descrições precisas dos processos, toneladas de fórmulas e explicações sobre cada um de seus compostos e qual sua função, praticamente ninguém se dá ao trabalho de pesquisar e estudar.

Quer aprender ou reaprender como funciona a fotografia tradicional ou conhecer algum processo histórico? Vá estudar!

Ainda tem dúvidas? Pergunte, mas, por favor, não pergunte o óbvio. Pense antes e não use a cabeça só para separar as orelhas.

Quando da postagem sobre a preparação do soro, mencionei o uso do whey em pó como alternativa mais prática a todo o processo envolvendo o leite.
Porém, ao usar whey em pó, comprado em uma dessas lojas que vendem temperos a granel, tive uma surpresa nem um pouco boa.
Após pesar o whey, chacoalhar bastante e filtrar duas vezes o líquido, preparei duas folhas de Cason Aquarela. Secagem, ok. Aplicação da solução de nitrato de prata com uma gota de tintura de iodo, ok. Nova secagem, no escuro, ok.
No dia seguinte, desastre. Os dois papéis já estavam velados com uma cor marrom alaranjado em toda a área da aplicação da solução de nitrato. (Palavrões, murmurados em voz baixa.) Deve ser alguma coisa com o papel.
Novo teste. Dessa vez com um Hahnemühle 300g. Mesmo resultado. (Mais palavrões.)
A solução de nitrato foi preparada da mesma forma que deu resultado positivo. Papéis de dois fabricantes mostraram a mesma reação, portanto pouco provável ser culpa do papel.

Ficha caindo! Só pode ser o whey.

(Aqui um parênteses para os jurássicos que brincaram com o Laboratório Químico Juvenil. Alguém lembra da experiência para saber se havia amido em alguma coisa? Pingar uma gota de iodo sobre uma fatia de batata? Pois é.)

Na satisfação de ter encontrado o whey em pó tão facilmente, não prestei a atenção devida ao que estava escrito na etiqueta. Dizia: Whey 80%. Porém, sem dizer o que seriam os 20% restantes. Feito o teste com o iodo e bingo. Amido!

Assim, enquanto não encontrar whey em pó 100%, fico com o leite e ainda ganho uma pastinha para passar no pão ao final do processo todo.

Pedaço do Canson Aquarela e whey com a adição de uma gota de tintura de iodo.

Apesar de em seu texto original Sutton informar que este processo independe da formação de haletos de prata, na revisão, feita em 1856, ele admite um eventual resíduo de cloreto de sódio no soro.
Explicando melhor: Ao tempo de Sutton o que tradicionalmente se usava para talhar leite eram pequenos pedaços salgados do estomago de novilhos (por conta da presença de determinadas enzimas) e que, apesar de lavados poderiam ainda conter algum sal.

Então para subverter um pouco o processo foram adicionadas quatro gotas de tintura de iodo (dessas de farmácia), que em sua formulação contem iodeto de potássio a 2%, e mantidas todas as demais condições anteriores. O resultado também é bastante promissor.

Tempo de exposição: 35 minutos

 

O Sensibilizante

A preparação da solução ácida de nitrato de prata ou acetonitrato (termo utilizado por vários pesquisadores durantes os primeiros anos da fotografia), para sensibilizar o papel preparado com soro de leite, é bem simples.

Dissolva 2 g de nitrato de prata em 30 ml de água. Quando o nitrato estiver totalmente dissolvido, adicione 2 ml de ácido acético glacial.

A fórmula original de Sutton indica as seguintes medidas: 30 grãos de nitrato de prata, que equivalem a, aproximadamente, 1,95g. Uma onça fluida de água, equivalente a 29 e alguma coisa ml. E um escrópulo de ácido acético glacial que é um volume próximo dos 1,18ml. Porém como não disponho de equipamentos para medidas tão precisas e para não complicar o caminho de quem quiser repetir o processo, as medidas foram arredondadas, a maior, para unidades inteiras.

A aplicação dessa solução sobre o papel deve ser feita com uma trincha macia e limpa.

ATENÇÃO: A APLICAÇÃO DA SOLUÇÃO BEM COMO A SECAGEM DO PAPEL DEVEM OBSERVAR CONDIÇÕES DE LUZ DE SEGURANÇA VERMELHA OU ÂMBAR. O PAPEL, DEPOIS DE SECO, DEVE SER MANTIDO AO ABRIGO DE QUALQUER FONTE DE LUZ BRANCA E DEVE SER USADO EM ATÉ TRÊS DIAS.  

O Revelador

Uma solução saturada de ácido gálico deve ser utilizada. (Solução saturada é aquela onde o solvente não tem mais capacidade de dissolver o soluto.) Esta solução, depois de preparada em volume suficiente para cobrir toda a área do papel, deve ser filtrada e guardada em um frasco âmbar. Um litro revela em média 10 folhas A4.

O Fixador

É simples. Tiossulfato de sódio a 10% (Hipossulfito)

A Exposição

Feita da mesma maneiro dos demais processos de impressão por contato, ou seja papel e negativo juntos e sanduíche de vidro. Como a combinação do soro do leite com o nitrato de prata é sensível à luz branca, não há necessidade do uso de qualquer fonte UV, o conjunto deve ser abrigado até o momento da exposição. A montagem do conjunto para exposição pode ser feita na penumbra.
Não há necessidade de incidência direta da luz do sol bastando que uma janela fique aberta para que a reação se desenvolva. O tempo de exposição pode variar entre cinco minutos e uma hora, dependendo da claridade da luz.
(Não testei ainda com luz elétrica)

A Revelação

Ao ser encerrada a exposição o papel apresentará traços da imagem nas áreas de sombra e praticamente nada nas áreas das altas luzes. O papel deve ser colocado na solução reveladora de uma só vez e o controle é visual. Também aqui o trabalho deve ser feito sob luz de segurança. Caso isso não aconteça As altas luzes apresentaram um véu acinzentado que progredirá até a veladura total da imagem.

Fixação e Lavagem

Fixe a impressão por três ou quatro minutos (a partir do primeiro minuto a luzes já podem ser acesas) e lave a por meia hora para eliminar o fixador.

Abaixo, depois de onze tentativas e ajustes, a primeira impressão para ser mostrada feita com a utilização de um negativo de papel encerado para simular o máximo possível as condições descritas por Sutton.

                            Tempo de exposição: 25 minutos

 

 

 

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