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De repente alguém vem e pergunta:

– Encontrei esse bloco no fundo de uma caixa. Te interessa?

Mais de 90 folhas 23,5 x 31 cm. Gramatura 200g. Textura fina e tonalidade creme bem claro. Fabricante desconhecido, mas de excelente qualidade. As marcas da passagem do tempo se limitam às bordas e nada mais.
Minha resposta é óbvia.
Agora é decidir qual o melhor tema e processo para aproveitar esse presente.

A propósito. A Via Calzaiuoli continua em Florença,  já Galotti e Parenti não se sabe mais deles.

 

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Na última postagem de 2016 mostrei uma cianotipia feita com com a adição de dois novos componentes na solução tradicional  A+B (citrato+ferricianeto). Nada de revolucionário já que a imagem azul se forma da mesma maneira que em qualquer cianotipia, pela ação da solução na presença de radiação UV. Porém com alguma diferença em relação ao brilho e profundidade da imagem.

A idéia inicial foi adicionar alguma coisa que impedisse ou, pelo menos dificultasse, a absorção completa da solução pelas fibras do papel. Tradicionalmente isso é feito com gelatina, mas como eu queria algo um pouco mais radical resolvi usar cola PVA para selar o papel. A primeira tentativa com a cola aplicada diretamente não funcionou. Por ser muito espessa não espalhou de maneira uniforme deixando bem evidentes e em relevo as marcas do pincel usado.

A solução mais óbvia foi diluir a cola e para que isso não viesse a afetar tanto a solução, a diluição foi feita com a própria solução A+B modificada anteriormente ,e com jeitão de geléia de menta, feita ainda em outubro de 2016 onde a gelatina (6 gramas) já está incorporada.

No final das contas a “receita” ficou a seguinte: Uma colher de sobremesa de cola PVA + Duas colheres, também de sobremesa da solução. (Vai como receita de bolo porque não quis ter restos de cola nas paredes do tubo graduado de plástico.)

A exposição deve ser um pouco mais prolongada, bem como o tempo de lavagem. As imagens abaixo foram feitas a partir de negativos de papel encerado.

 

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Tempo de exposição: 6:30 minutos, céu aberto, UV alto. Lavagem: 20 minutos iniciais, troca de água. 10 minutos com adição de 20ml de H2O2. Lavagem final, 10 minutos com água corrente.

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Tempo de exposição: 6:30 minutos. Idem.

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Tempo de exposição: 7 minutos. Idem, idem.

Na semana que passou fiz uma postagem como título ” Gelatina de Ferro”, descrevendo todo o processo, da idéia inicial até o banho final nas impressões.
Hoje, aproveitando o índice UV extremo, mais duas imagens, com algumas alterações nos tempos anteriormente usados.

Exposição a céu aberto, sem nuvens e luz do sol direta. Negativos em papel encerado. Papel desconhecido com gramatura aproximada de 150g (?).  Tempo de exposição: 6 minutos. Primeiro banho com alumem: 2 minutos. Banho final: 30 minutos. ( 1o minutos em água corrente; 10 minutos em água parada com adição de 15 ml de H2O2; 10 minutos finais em água corrente.) Durante a fase molhada, todo o cuidado possível no manuseio do papel que logo nos primeiros 10 minutos já estava bem saturado de água e pronto para se rasgar com qualquer toque mais brusco.

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Depois do digital e para valorizar o trabalho e diferenciá-lo, as cópias feitas em papel fotográfico tradicional começaram a receber a denominação de “Impressão em Gelatina de Prata”, quando na verdade são somente as tradicionais cópias, feitas da mesma maneira há mais de um século. É claro que a emulsão fotossensível pode ser feita de forma artesanal, todo o trabalho de revelação e viragem pode ser realizado de maneira a criar um trabalho único e bem distinto das cópias que eram feitas em tantos laboratórios profissionais e amadores, porém no fim de tudo, a tal da gelatina de prata é aquela mesma emulsão dos papeis da finada Kodak ou Ilford, Foma, Kentemere, etc., etc..

Então, sabendo que é possível preparar a emulsão fotossensível com sais de prata na cozinha de casa, por que não tentar fazer a mesma coisa para a química da cianotipia?

O primeiro passo foi identificar qual das fórmulas para solução única melhor se adaptaria ao experiência: Solução única de C.B.Talbot ou Solução única de Fisch (BROWN, G. Ferric and Heliographic Processes, páginas 60 e 61). Depois de alguns testes, optei pela fórmula de Fisch por ser acidulada e proporcionar uma gradação tonal maior. Abaixo segue a fórmula final com as modificações que fiz, destacadas

Gelatina incolor 12g

Água 100ml

Dissolva completamente a gelatina em água morna

Citrato Férrico Amoniacal (verde)  30g

Dissolva completamente o citrato

Adicione 2 gotas de Ácido Acético glacial

Amônia 30ml

Agite algumas vezes

Ferricianeto de Potássio 15g

Adicione  2ml de dicromato de amônia a 5%

 Complete com água até 200ml

Guarde na geladeira em um pote envolto em plástico preto. Para usar é só pegar a quantidade que desejar derreter em banho-maria. A gelatina de ferro usada para as impressões deste post foi feita há 6 semanas.

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Uma vez derretida a gelatina, sua aplicação é feita da mesma maneira que a da solução líquida.

Papeis para teste. "Limites" demarcados com fita crepe.

Papeis para teste. “Limites” demarcados com fita crepe.

Exposição normal a céu aberto, sem nuvens e com índice UV alto/extremo. Apesar do UV bem alto o uso de negativos de papel encerado determinou um tempo relativamente prolongado sob o sol. Cada exposição demorou 6 minutos.

Os primeiros 20 segundos de exposição. A caixinha preta mé o medidor de UV.

Os primeiros 20 segundos de exposição. A caixinha preta é o medidor de UV.

Com o uso de gelatina na solução “revelação” pode se tornar um problema por conta do descolamento de algumas partes da imagem. Isso é contornado com um banho inicial de 5 minutos em um litro de água e 20g de alumem – hidróxido de potássio-alumínio, para endurecer a gelatina. Para quem não conhece, é a tradicional pedra ume usada para ajudar a estancar sangramentos  no rosto por conta de barbeiros barbeiros com a navalha.

Vale a pena ainda mencionar que pelo fato se haver a adição de ácido acético, esse primeiro banho também servirá para que seja feita uma revelação ácida da imagem que ajuda a se obter uma gradação tonal maior.

O segundo banho é o normal da cianotipia tradicional.

Banho inicial com alumem

Banho inicial com alumem. O tom azulado da água é o sinal da “revelação ácida”.

Grãos de gelatina provenientes do excesso formado nas bordas.

Grãos de gelatina provenientes do excesso formado nas bordas.

Outra observação feita é que pelo fato da solução formar uma camada sobre o papel e não se entranhar entre as fibras as altas luzes passam a apresentar uma tonalidade azulada e as áreas de sombra podem perder um pouco do detalhamento. Isso, caso se queira, pode ser contornado com um banho alcalino forte ( 30g de carbonato se sódio em um litro de água). As imagens abaixo mostram o antes e o depois do banho alcalino. É bom lembrar que o controle nesse banho é puramente visual e deve ser seguido por, pelo menos, 10 minutos de lavagem em água corrente.

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Informação não falta, basta procurar. Essa vem da biblioteca da Universidade de Toronto.

O livro contém algumas variações, além do básico da cianotipia, de processos de impressão usando sais de ferro.

Apesar de serem voltadas para a impressão de de desenhos técnicos – (Será que alguém ainda lembra das cópias heliográficas usadas antes do surgimento do CAD?) – os vários processos apresentados podem perfeitamente ser usados para a impressão de fotografias.

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