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Mais um pouco sobre o tal papel desconhecido.

Durante uma sessão de impressão algumas folhas revelaram sua marca d’água. Mesmo assim ainda não foi possível saber mais nada sobre Raffaello Galvani.

Em 20/01/17 fiz uma postagem falando sobre o trabalho desenvolvido por Alex Gimenes no resgate dos processos para produzir ambrotipias e ferrótipos e falhei ao não mencionar seu parceiro nessa empreitada, Renan Nakano, e, portanto, me penitencio.
Desde a postagem de janeiro, a pesquisa e o trabalho de Alex e Renan se desenvolveu com os erros e acertos que sempre acontecem quando se tenta resgatar a história e a técnica de um processo fotográfico que já não se pratica há mais de um século.
Porém se existir estudo, trabalho e, principalmente, a paciência e a humildade em reaprender a fazer e preservar a memória das técnicas fotográficas, os resultados não poderiam ser melhores.

Para acompanhar esse trabalho, siga aqui.

ambrotipo

amb2

amb3

De repente alguém vem e pergunta:

– Encontrei esse bloco no fundo de uma caixa. Te interessa?

Mais de 90 folhas 23,5 x 31 cm. Gramatura 200g. Textura fina e tonalidade creme bem claro. Fabricante desconhecido, mas de excelente qualidade. As marcas da passagem do tempo se limitam às bordas e nada mais.
Minha resposta é óbvia.
Agora é decidir qual o melhor tema e processo para aproveitar esse presente.

A propósito. A Via Calzaiuoli continua em Florença,  já Galotti e Parenti não se sabe mais deles.

 

A Propósito do “Mais Artístico” Preto e Branco

Qualquer um que se aventure a fotografar, seja ele profissional ou um amador dedicado, já escutou a frase: “Prefiro preto e branco… é mais artístico.” Só que até hoje não consegui que ninguém me explicasse realmente o que vem a ser esse tal de “mais artístico”, e nem porque a fotografia colorida é muitas vezes tida com inferior em relação àquela em preto e branco.

Salvo as experiências de James Maxwell, ainda no século XIX, e os autocromos dos irmãos Lumière, as fotografias coloridas somente se firmaram com o lançamento do filme Kodachrome em 1935.

Desde o início da fotografia, o mundo só conheceu imagens monocromáticas. Todos os processos de impressão fotográfica, comercialmente viáveis, somente produziam imagens monocromáticas. Outro ponto que merece também alguma atenção é facilidade, tanto no processo quanto no custo financeiro, de revelação e impressão das fotografias monocromáticas em relação às coloridas. Qualquer um que já tenha montado um laboratório no banheiro de casa sabe disso.

Todos os argumentos sobre as texturas que são ressaltadas ou os jogos com as luzes e sombras, que valorizam esse ou aquele aspecto da cena fotografada, utilizados para justificar o caráter “mais artístico”das imagens em preto e branco também valem para as imagens coloridas.

Talvez se valorize mais o preto e branco por conta de alguma memória afetiva,  sedimentada desde o início da fotografia. Talvez a falta de mais informação visual que o colorido oferece nos excite a imaginação. Quem sabe o fato de enxergarmos o mundo em cores nos deixa a impressão de que uma fotografia colorida seja somente um mero registro da realidade, enquanto a monocromática implique em uma abstração feita pelo autor da imagem para dar sua interpretação do que vai ao seu redor.

Seja qual for o argumento utilizado, ainda assim não me convence da superioridade de uma sobre a outra. O que existe são boas fotografias ou fotografias que não prestam, tanto monocromáticas quanto coloridas. A qualidade artística, (ou sua falta), é tão somente fruto do talento de quem executou o trabalho.

(Um delírio final: Van Gogh ou Monet seriam “mais artísticos” em pb?)

E já que falei em fotografia em preto e branco versus a colorida e para não perder o costume, segue um link para uma publicação da Kodak. “The Photography of Colored Objects” , publicado inicialmente em 1909 e reeditado regularmente, que trata sobre a fotografia em preto e branco de objetos coloridos.

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Em 12/09/2016 publiquei o post ORWO – ORiginal WOlfen,, falando sobre um filme 120, ORWO NP22, encontrado na Livraria Antiquária Quarup, de Juiz de Fora. Uma vez revelado, seguiu-se a busca por papel fotográfico para poder ampliar os negativos e ver quem eram as pessoas retratadas. O papel foi providenciado por um amigo, também de Juiz de Fora, e apesar de estar um pouco mal tratado pelo tempo, com marcas de deslocamento da cobertura de resina, acho que já dá para se iniciar uma busca.
Pelas roupas, sem dúvida, década de 1970.