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Mais um livro, em português, abordando processos fotográficos históricos.

Alex Gimenes e Renan Nakano acabam de publicar, pela editora Diafragma 8, o livro Fotografia do Séc XIX:  Ambrotipia e Ferrotipia.

Uma excelente notícia para quem quer conhecer um pouco mais da história da fotografia e, quem sabe, se aventurar a fazer imagens únicas.

Puxando um pouca a brasa. O prefácio é meu.

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Continuando a pesquisa, em publicações do século XIX, sobre negativos de papel é inevitável esbarrar com alguns termos que deixaram de ser usados pela química moderna. Nomes arcaicos que nos remetem aos tempos da alquimia.
No Répertoire Encyclopedique de Photographie, publicado em 1865, por Henry de La Blenchère, consta um procedimento de reforço para negativos de papel encerado, onde é mencionado o uso de cloreto de estanho ou “Licor fumegante de Libavius”. Nome que parece ter saído diretamente de algum episódio de Game of Thrones.

E como nessas horas a mão não consegue ficar quieta, com quatro cliques do mouse surge a figura de Andreas Libavius (1555 – 1616), médico e alquímico alemão, que, apesar de acreditar na transmutação de metais, é o autor do primeiro livro de química “moderno”, onde descreve de forma clara e direta várias reações químicas fugindo das metáforas obscuras tão comuns nos textos alquímicos.

O melhor de tudo é constatar, mais uma vez, que a longa corrente de conhecimentos, que começa quando alguém conseguiu fazer fogo ou lascar um pedaço de sílex para cortar carne, continua. O trabalho de alguém nascido no século XVI, repercute em uma publicação do século XIX e é, depois, mencionado em um blog, no século XXI.

A história da fotografia tem processos que são verdadeiras vedetes, porém nem só de vedetes foi feita.
Pesquisadores, tanto os sérios quanto os loucos de todo o gênero, descobriram e testaram uma enorme quantidade de “processos geniais” que jamais alcançaram o mercado.

Um exemplo é o uso de glútem como substituto do albumem e do colódio.
Em 1853, na cidade de Florença, então capital do Grão-Ducado da Toscana (o processo de unificação da Itália ainda estava em curso), um farmacêutico de nome Luigi Brucalassi, publica um libreto intitulado “Applicazione del Glutine alla Fotografia“, descrevendo o seu processo fotográfico que usa o o glútem como veículo de suspensão para haletos de prata. O curioso é que ao falar sobre a fixação da imagem, ele descarta o uso do tiossulfato de sódio (hipossulfito, para os íntimos), alegando ser muito energético e indicando o uso de uma solução de iodeto ou brometo de potássio (???)
Testar?… Um dia… Talvez.

Le Daguerreotype foi a câmera projetada pelo próprio Daguerre, que licenciou sua produção a Alphonse Giroux, seu cunhado, a aos irmãos Susse.
As câmeras de Giroux são consideradas como sendo as primeiras câmeras produzidas em série, disponíveis tanto no mercado francês quanto exportadas.
Apesar de haverem sido projetadas especificamente para os daguerreótipos, também podem ser usadas para a execução de calotipias bastando, para tanto, uma pequena adaptação no chassis de exposição para manter o papel sensibilizado em posição.

Esta réplica foi feita por um amigo de Juiz de Fora, José Geraldo, que também faz chassis de exposição. Quem quiser mais informações é só fazer contato via facebook.

 

É ARTE! NÃO É ARTE!

NÃO É ARTE! É ARTE!

Desde seu início, o mesmo debate.
Periodicamente revisto em algum detalhe irrelevante, requentado e servido para garantir títulos acadêmicos e bolsas de estudo.

Midas, com suas orelhas de burro, se enche de dinheiro retratando os feios, os sujos e os tortos, enquanto a Bela Arte se retira da cena.

Die Kunst der Zukunft – A Arte do Futuro, 1859. Artista desconhecido. Litografia. Museu Ludwig Köln/Agfa Foto- Historama, Alemanha.

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