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Em 12/09/2016 publiquei o post ORWO – ORiginal WOlfen,, falando sobre um filme 120, ORWO NP22, encontrado na Livraria Antiquária Quarup, de Juiz de Fora. Uma vez revelado, seguiu-se a busca por papel fotográfico para poder ampliar os negativos e ver quem eram as pessoas retratadas. O papel foi providenciado por um amigo, também de Juiz de Fora, e apesar de estar um pouco mal tratado pelo tempo, com marcas de deslocamento da cobertura de resina, acho que já dá para se iniciar uma busca.
Pelas roupas, sem dúvida, década de 1970.

 

No último post falei em curiosidade. Essa curiosidade vale tanto só para saber com qual o caminho percorrido até o sensor do seu smart, quanto pode, também, atiçar a vontade de ir um pouco além.
A série ” The Photographic Processes Series “, da George Eastman House, mostra em pequenos segmentos uma rápida história da fotografia desde seu início até a criação da captura digital.Vale a pena assistir, nem que seja um segmento por dia.

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A vencedor, as batatas!
Essa é a regra geral ao final de qualquer guerra e em 1945 não foi diferente. Os ativos econômicos não destruídos, patentes industriais e processos tecnológicos do extinto III Reich, foram divididos ( e também, mais simplesmente, pilhados ) entre os paises aliados vencedores.
A AGFA, fabricante de produtos fotográficos, não escapou a esse processo. Uma de suas fábricas, localizada em Wolfen ficou, na partilha da Alemanha, dentro da zona soviética e serviu de base para que a União Soviética desenvolvesse sua própria indústria de filmes fotográficos coloridos. Porém a AGFA possuía fábricas tanto do lado oriental quanto do ocidental e, em 1953, um acordo comercial entre as duas Alemanhas regularizou o uso dos produtos e da marca AGFA. A Alemanha Oriental usaria a marca para todos os países do bloco soviético enquanto o resto do mundo seria exclusivo da Alemanha Ocidental. obviamente isso não funcionava bem para o lado oriental que sem poder alcançar as maiores economias do mundo, ficava atado aos planejamentos estatais fora de qualquer realidade.
Em 1964 é criada a empresa ORWO (ORiginal WOlfen) para não haver qualquer problema quanto a exportação para o Ocidente dos produtos com tecnologia AGFA fabricados na Alemanha Oriental.

Em 1998, após a reunificação alemã e duas quebras, por não estar mais protegida pelo Estado,  a ORWO é comprada pela FilmoTec GmBH que ainda mantém a marca e continua a fabricar filmes fotográficos e cinematográficos especiais.

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Ao longo dos anos 1970 e 80 os filmes fotográficos ORWO podiam ser encontrados em algumas lojas de material fotográfico aqui no Brasil, mas como hoje lojas desse tipo fazem parte de um outro universo a muitos anos luz daqui, filmes fotográficos já podem ser considerados material histórico e alternativo.
Na foto acima, um filme 120 NP 22, ASA 125, exposto. Encontrado em Juiz de Fora, na Livraria Antiquária Quarup, que cedido pelo Cláudio. É lógico que com o prazo para revelação vencido há décadas, mas ainda assim valendo a pena processá-lo para ver o que pode ser revelado.

Por conta de um mortal triplo carpado, com rosca invertida, que a vida algumas vezes aplica, minha primeira coleção de máquinas fotográficas foi para outras mãos. Agora, recomeçando.
Para se colecionar qualquer objeto industrial um parâmetro fundamental deve ser seguido. A peça pode apresentar sinais de desgaste ou da passagem do tempo, porém todas as funções originais têm que funcionar perfeitamente, ressalvados, obviamente, casos excepcionais por conta da raridade da coisa.

Juntar equipamentos quebrados não é coleção, é acumulação. E isso, é caso para psiquiatria.

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Chinon CX, 1974, lente 55mm 1:1.7. 35 mm.  Típica máquina fotográfica dos anos 1970. Corpo metálico. Pesada se comparada com os equipamentos atuais. A única eletrônica incorporada é um fotometro. Funcionando perfeitamente, inclusive o temporizador.

Fundada em 1948 por Chinon Hiroshi é, desde 1997, controlada pela Kodak Japan Ltd. Se quiser saber um pouco mais sobre a história, clique aqui.

 

Resgatada do lixo em Juiz de Fora, encontrou seu caminho até a Livraria Antiquária Quarup e de lá, para minha coleção.

O que tem de especial? Nada e ao mesmo tempo, tudo.

É só o retrato de uma criança que, se conseguiu chegar a ser adulta, já deve estar morta.

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Porém, deixando de lado a possibilidade de garimpo biográfico e genealógico ou de alguma inspiração súbita para uma aventura literária inspirada no olhar da criança, o que me interessa é todo o conjunto de tarefas fotográficas contido na imagem.

Começando pelo papel: Gramatura alta, quase um papelão. Entelado. Sugere não ser comercial e que com alguma certeza deve ter sido preparado e emulsionado pelo próprio fotógrafo.
O estado geral de conservação da imagem mostra que quem quer que tenha processado a cópia sabia o que estava fazendo. Não há qualquer indício de “bronzeamento” por conta de lavagens deficientes e restos de hipossulfito (tiossulfato). A emulsão não apresenta qualquer rachadura ou descolamento do papel.

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Outro ponto que chama a atenção é diferença de qualidade da colorização e retoques entre o rosto da criança e sua roupa. No rosto quase não são notadas as intervenções feitas. São precisas e sem exageros e se fundem perfeitamente com a imagem. Na roupa, não mostram qualquer habilidade, são quase infantis.

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Pelas características da fotografia, da moldura e dá própria estética da imagem ( cabelos, roupa, formal, fundo neutro, retrato de família “tirado no studio photographico”), não erro muito se disser que esse trabalho pode ser datado nos primeiros vinte anos do século passado.

E para os detetives de plantão, mais duas informações. No papel de proteção do verso da moldura um carimbo quase apagado do moldureiro. As únicas palavras legíveis: “Riachuelo” e “São Paulo”. No verso da fotografia, um nome ou assinatura e uma numeração. O número pode ser referência ao negativo, ou melhor, a chapa. O nome, talvez do cliente (?) ou assinatura (?) do fotógrafo.

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