A quantidade perguntas recebidas quanto ao uso de água destilada para a preparação das soluções usadas nos processos fotográficos alternativos, já justifica uma postagem específica sobre o assunto.
A maioria dos manuais do século XIX ao descreverem esse ou aquele processo sempre fazem menção que as soluções fotossensíveis devem ser preparadas com água destilada. Essa recomendação ainda hoje é reproduzida por vários praticantes da fotografia alternativa como se fosse um ponto fundamental para o sucesso de uma impressão.
Do ponto de vista puramente químico a utilização de água destilada tem sentido por conta da necessidade de resultados precisos em qualquer reação, porém para a fotografia a presença de uma parte por bilhão de outro elemento qualquer em uma solução de nitrato de prata não tem qualquer impacto na qualidade final de uma impressão em papel salgado, ou van dyke, ou qualquer outro processo.
Vale notar que na época de publicação dos manuais mencionados anteriormente a qualidade da água, especialmente nas grandes cidades, não chegava, nem de longe, ao que hoje temos em termos de salubridade e limpidez. ( Antes que alguém levante alguma objeção: Estou falando de locais onde existe tratamento regular das águas servidas à população e não daquelas águas vindas de cacimbas barrentas.)

Portanto, o uso de água destilada para a preparação das soluções é somente uma filigrana e não tem qualquer impacto perceptível na qualidade final da imagem.

São João del Rei, MG. 2008

Cianotipia.  São João del Rei, MG. 2008