Para os alquimistas sobreviventes e seus poucos aprendizes.

As fórmulas para fazer reveladores fotográficos, para materiais preto e branco, não variam tanto assim nos seus componentes.

As diferenças entre cada uma ficam por conta das quantidades de cada componente , grau de diluição da solução de trabalho e dos tempos de revelação, mas existe, ainda, uma outra diferença que é fundamental para diferenciar cada revelador: A logomarca  que vai estampada na embalagem que implica, ou na existência de algum ingrediente exclusivo, ou (na verdade) na confiança que transmite quanto ao controle de qualidade na fabricação do mesmo.

Deixando de lado o aspecto mercadológico, principalmente porque os reveladores comerciais estão cada vez mais raros, é interessante saber a função de cada um dos seus componentes para, se um dia quiser, fazer sua própria fórmula exclusiva sabendo o que está fazendo.

Ao primeiro grupo de compostos podemos dar o nome de agentes de revelação. São compostos redutores orgânicos, isto é com uma grande “fome” por oxigênio e cuja reação com os haletos de prata contidos na emulsão os converte em prata metálica formando assim a imagem.

São vários os compostos que atuam como agentes de revelação. Abaixo seguem os três principais.

Metol (sulfato de N-Metil-p-aminofenol). Altamente solúvel na água começou a ser utilizado como agente revelador em 1891.  Isoladamente o metol é um revelador de baixo contraste, porém quando combinado com hidroquinona sua ação é potencializada. Essa combinação, ( metol-hidroquinona), produz um contraste bem mais acentuado  e é a mais utilizada para a formulação de reveladores fotográficos p&b, tanto para filme, quanto para papel. Também é conhecido por outras denominações comerciais:  Elon, Rhodol, Enel, Viterol, Scalol, Genol,

Hidroquinona (p-Dihidroxibenzeno). Descoberta em 1880. Solúvel em água morna. Em soluções altamente alcalinas produz reveladores de alta velocidade e contraste. Quando associada ao metol ou a fenidona, cria praticamente um revelador universal para qualquer material fotográfico p&b.

Fenidona (1-fenil-3-pirazolidona). Em uso como agente de revelação desde 1940. Moderadamente solúvel em água quente se dissolve bem em soluções alcalinas. Associada à hidroquinona produz um revelador multiuso para materiais p&b com boa capacidade de conservação.

Além dos acima descritos existem outros agente de revelação. Cada um com suas características, aplicações e “defensores” próprios.

Ácido ascórbico (vitamina C), amidol, paraminofenol, pirocatequina, pirogalol, glicina, p-fenilenodiamina,adurol, ortol, oxalato férrico, etc., etc..

No segundo grupo estão os compostos utilizados para a preservação retardando a oxidação dos agentes de revelação utilizados em uma determinada formulação. O composto mais usado para essa finalidade e, apesar da tendência em criar um véu sobre a imagem, é o sulfito de sódio. Também podem ser usados o bissulfito de sódio, os metabissulfitos de sódio ou potássio. A quantidade de sulfito deve ser mantida em nível mínimo, somente para retardamento da oxidação do agente revelador.

Os aceleradores constituem o terceiro grupo de compostos. Sua função é fornecer um meio alcalino que permita a ativação dos agentes de revelação. O grau de alcalinidade do revelador afeta diretamente a velocidade da revelação e a formação de véu. O mais comum dos aceleradores é o carbonato de sódio com ph em torno de 11,5 quando diluído a 5% assim como o carbonato de potássio. Outro acelerador usado é o hidróxido de sódio ( soda caustica), com ph em torno de 14 quando diluído a 4%.  O  uso do hidróxido de sódio na formulação de um revelador  indica muito potente  e de ação rápida ( Parodinal). Em algumas fórmulas a alcalinidade é fornecida pelo próprio sulfito de sódio usado como preservante.

Finalmente o último grupo de compostos são aqueles que  tornam a revelação um pouco mais lenta, para que seja uniforme  ao mesmo tempo que previnem a formação de véu sobre o material fotográfico. Nesse grupo, o brometo de potássio é praticamente uma unanimidade podendo, no entanto ser substituído pelo brometo de sódio, com os mesmos efeitos. Além do brometo de potássio, algumas fórmulas usam o cloreto de sódio ( sal de cozinha) ou o cloreto de amônia para os mesmos fins.

Existem dezenas de fórmulas para reveladores fotográficos. Cada uma com suas características próprias e algumas ( não poucas) não são nada mais do que pequenas variações para atender uma determinada condição, efeito desejado (tipo de papel, tonalidade, velocidade de revelação, acutância, etc.), ou então a vaidade pessoal do fotógrafo em ter seu nome associado à uma fórmula.

O importante não é a fórmula em si ou a preparação do revelador, isso qualquer um que saiba ler, faz. O que importa é saber o porque de cada componente e sua ação final sobre a solução.