Um esclarecimento inicial: O nome LUMEN PRINT não é por conta do blog Ex Lumen.

O processo alternativo chamado LUMEN PRINT ( que pode ser livremente traduzido por impressão de luz) é tão antigo quanto a própria fotografia. Sua origem está nas primeiras experiências com fotogramas feitas por Talbot, na década de 1830,onde objetos eram colocados sobre papeis sensibilizados que, uma vez expostos a luz, mostravam os contornos, mais ou menos translúcidos, dos mesmos. (Qualquer um dos mais jurássicos já fez isso: Pousar a mão sobre uma folha de papel fotográfico e ligar a luz do ampliador para depois revelar o contorno branco da mão contra o fundo negro do papel velado.)

Um Lumen print não pode ser chamado de fotografia, propriamente dita, nem é um fotograma no sentido estrito do termo. Fica no meio do caminho entre os dois. Alguns o definem com fotografia sem câmera ou lente (?), outros como uma sofisticação do fotograma tradicional, porém o que pode ser dito sempre, sem medo de errar, é que quando se trata de uma impressão criada através desse processo estamos voltando até a origem da fotografia. A seguir segue a descrição do meu primeiro teste com essse processo que é parte, técnica, parte sensibilidade e, o mais atraente, parte acaso.

O material necessário: papel fotográfico preto e branco (pode ser até com a validade expirada); fixador fotográfico; duas placas de vidro ou um chassis para exposição e algumas folhas de plantas.

O material. Preste atenção no rótulo do fixador.

Como o meu tiossulfato de sódio acabou e em Juiz de Fora, é mais fácil um boi voar do que se encontrar a química para fotografia tradicional, acabei seguindo o meu próprio conselho e improvisei. O fixador é o que é vendido em lojas de material odontológico para uso em filmes de raio-x.

As etapas não poderiam ser mais simples. Colocam-se as folhas sobre o papel fotográfico entre as duas chapas de vidro ou no chassis para garantir o contato se expõem ao sol.

Início da exposição (+/- um minuto)

A literatura sobre o processo sugere, para acelerar a reação e obter maior contraste, umidecer o papel, porém optei por fazer isso com as folhas de avenca usadas.

Este primeiro teste foi feito em 30 de setembro com o dia nublado e o sol aparecendo nos últimos vinte minutos de exposição. O tempo total foi de duas horas. Com o lumen print, uma exposição pode ser feita em, meia hora, duas horas, um dia inteiro, uma semana. Tudo dependerá do grau de paciência do fotógrafo.

Uma vez encerrado o tempo previsto, o papel foi imediatamente levado ao banho fixador ( diluição de 1:1) e deixado por quinze minutos com agitação a cada dois minutos. A imagem obtida sofre algum rebaixamento.

banho no fixador (1:1) para filmes de raio-x

Após a fixação da imagem obtida, seguiu-se a lavagem em água corrente, por trinta minutos, e a secagem do papel no ambiente. Vale ressaltar que na medida em que o papel ia secando a cor amarela que se vê na fotografia acima foi tomando um tom mais alaranjado.

Detalhe do papel. Note as manchas amareladas do papel ainda úmido ou molhado.

Abaixo o resultado do primeiro teste com o processo lumen print.

Teste# 1

Algumas observações: Talvez seja interessante a aplicação de alguma viragem ( selênio ou ouro). O tempo de exposição pode ser aumentado para se obter mais contraste. Dependendo do tipo de papel, as côres podem variar.

O lumen print é fácil, não requer qualquer tipo de equipamento ou química sofisticados, nem um local próprio para sua execução. As imagens que se formam não são prvisíveis pois, por conta de fatores que não podem ser controlados pelo fotógrafo que vão desde o grau de umidade do papel usado, até a intensidade de uv na hora da exposição, cada impressão é ABSOLUTAMENTE ÚNICA, não existindo qualquer possibilidade de reprodução.

É um processo que se presta à experimentação por excelência. “The enemy of photography is the convention… The salvation of photography cames from the experiment.” (Lazlo Moholy-Nagy)