Da mesma forma que a cianotipia, o processo de impressão usando a goma-bicromatada é bastante flexível e capaz de produzir imagens de grande beleza e impacto visual.

Apesar da aparente facilidade de execução a produção de uma impressão em goma é sempre uma aventura. A grande sedução deste processo é a possibilidade de produzir imagens coloridas de forma completamente diferente dos demais processos alternativos.

O processo todo é bastante simple, trabalhoso mas simples, e é baseado nos mesmos princípios de mistura de cores que os pintores usam há séculos.

As cores primárias formam, quando combinadas, as cores secundárias que, recombinadas, vão formando novas cores em todos os seus tons e matizes.

Mas, o assunto aqui é fotografia, então vamos adiante.

O processo para obter-se uma imagem em cores se inicia com a preparação de três negativos em escala de cinza. (Aí se integram todas as ferramentas da fotografia atual).

Os passos são simple e diretos:

1) Arquivo digital =>Ajustes de brilho e contraste=>Inverter=>Negativo

2) Separe o negativo em cada um dos respectivos canais RGB

3) No negativo correspondente ao canal vermelho (R), marque a margem com a letra “A” para azul.

O negativo do canal verde (G), marque com “V” para vermelho.

O último negativo, o do canal azul (B), marque com “Am” para amarelo.

4) Imprima cada um dos negativos usando transparências e uma impressora de jato de tinta, usando somente a tinta preta.

Uma vez preparados os negativos, passemos ao suporte.

O papel, como em todos os processos alternativos, deve ser resitente o suficiente para ser manuseado enquanto molhado. Isso é particularmente importante quando trabalhamos com goma bicromatada em cores que é feita com a aplicação de várias camadas de emulsão e um bom número de banhos.

A primeira tarefa é pré-encolher o papel. Esse passo, apesar de simples é fundamental para se conseguir um perfeito registro entre a imagem e os três negativos.

O papel deve ser deixado de molho em água morna por 20 minutos e depois secado a temperatura ambiente.

ATENÇÃO: O PAPEL SERÁ SUBMETIDO A UM BANHO INICIAL PARA ENCOLHIMENTO, 3 CAMADAS DE EMULSÃO, 3 EXPOSIÇÕES, 3 BANHOS DE “REVELAÇÃO”, UM BANHO FINAL PARA CLAREAMENTO E MAIS UMA ÚLTIMA LAVAGEM DE, APROXIMADAMENTE, 30 MINUTOS.

ASSIM SE PERCEBE QUE A RESISTÊNCIA DO PAPEL É FUNDAMENTAL.

Pronto o papel aplica-se a primeira camada de emulsão, preparada como já explicado no post Goma Bicromatada – 2. A cor usada será a AZUL e o negativo será aquele do canal Vermelho (R), que foi marcado com a letra “A”.

A exposição,  posterior “revelação” e secagem são feitas como já explicadas anteriormente.

Uma vez seco, o papel recebe uma nova camada de emulsão dessa vez usando a cor AMARELA e o negativo do canal Azul (B) e marcado com “Am”.

Repete-se a exposição, “revelação e secagem.

A etapa final é a aplicação da emulsão de cor VERMELHA, usando o negativo do canal Verde (G), que foi marcado com a letra “V”.

Depois de feita a última “revelação”, o papel deve ser posto por, aproximadamente, cinco minutos, em uma solução a 5% de metabissulfito de sódio para elimar os últimos traços do dicromato. Essa medida evita que o papel apresente manchas alaranjadas depois de seco.

Finalmente, o papel deve ser lavado por, aproximadamente, 30 minutos e deixado para secar a temperatura ambiente.

Não caia na tentação de acelerar a secagem usando calor. Isso poderá causar um descolamento da camada de goma do papel.

ATENÇÃO: COMO SÃO FEITAS EXPOSIÇÕES SUCESSIVAS É IMPORTANTE QUE O REGISTRO DE CADA NEGATIVO SOBRE A IMAGEM ANTERIOR SEJA PERFEITO. ISSO PODE SER FEITO COM TACHAS OU ALFINETES PARA CRIAR UMA “GUIA” .

Como já foi dito e redito, este processo é bem fácil, porém pelo fato de exigir a intervenção direta e física do fotógrafo durante a “revelação”, a possibilidade de erros ou resultados não satisfatórios é muito grande.