O fluxo de trabalho do fotógrafo de hoje, não difere muito do que era nos anos iniciais da fotografia. Fazer a fotografia, baixar o arquivo e realizar alguns ajustes no computador e, depois, imprimir. Conceitualmente não muito diferente da velha rotina de fazer a fotografia, revelar o filme e do negativo fazer as cópias.

O que realmente mudou ao longo do tempo foi: a qualidade dos materiais, o refinamento da tecnologia e a conseqüente padronização dos métodos. No entanto, em 1841, com fotografia ainda de fraldas, o surgimento da calotipia liberta a imagem do exemplar único produzido pela daguerreotipia e lança as bases do que seria a fotografia para os mais de 150 anos seguintes.

A calotipia, também chamada por alguns de talbotipia, foi criada pelo inglês William Henry Fox-Talbot e se baseava no principio do negativo-positivo, ou seja, a partir de uma imagem negativa produzida pela câmera fotográfica se produziam as cópias positivas da mesma (vide post sobre papel salgado).

Janela na galeria sul da abadia de Lacock feito a partir de um negativo de calotipia. Uma das mais antigas fotografias obtidas através do processo negativo/positivo

Janela na galeria sul da abadia de Lacock feito a partir de um negativo de calotipia. Uma das mais antigas fotografias obtidas através do processo negativo/positivo

A base física para o negativo produzido por esse processo era o papel. De boa qualidade e de textura uniforme e suave.

A sensibilização do papel era feita em etapas: a primeira era a iodização do papel realizada em ambiente pouco iluminado, (segundo Talbot, com a luz de uma vela). O papel era banhado com uma solução de nitrato de prata e posto para secar. Quando estava quase completamente seco, um novo banho de aproximadamente 3 minutos com uma solução de iodeto de potássio. Imediatamente após a retirada desse último banho o papel era lavado por alguns segundos em água destilada e posto para secar. O papel assim tratado podia ser guardado por algum tempo em local seco e escuro.

Antes de ser usado para se fazer a fotografia e novamente a luz de vela, o papel iodadado era recoberto com uma solução feita com nitrato de prata e ácido gálico e depois de uns trinta segundos, rapidamente mergulhado em água destilada e deixado secar por algum tempo. (O papel podia ser utilizado completamente seco, porém Talbot percebeu que ainda úmido era mais sensível.)

Preparado dessa forma, o papel era colocado na câmera e a exposição era feita. O tempo médio de exposição girava em torno de um minuto, mas dependendo das condições de luz podia demorar até dez minutos. É sempre bom lembrar que naquela época não havia nenhuma maneira de se calcular o tempo exato para uma exposição. Não havia como se medir a sensibilidade (ISO) do papel e o número f ainda era uma coisa que estava no futuro.

Uma vez exposto o papel não apresenta nenhuma imagem visível devendo ser então revelado para mostrar a imagem latente. Isso era feito com uma nova solução de nitrato de prata e ácido gálico. Uma vez revelada a imagem a fixação era feita com um banho de hipossulfito de sódio. O processo todo era completado com mais meia hora de lavagem do papel em água corrente.

Na verdade, quando falamos em calotipia nos referimos estritamente a um processo fotográfico, onde existe o registro original da cena tal como é vista pelo fotógrafo e registrada pela câmera. Os negativos produzidos por este processo foram usados para produzir as cópias positivas em papel salgado (vide post anterior).